As mudanças nas regras do comércio mundial, a redefinição das alianças económicas e a necessidade de mobilizar mais capital africano estarão no centro da 13.ª edição do FT Africa Summit, que o Financial Times realiza nos dias 21 e 22 de Outubro de 2026, em Londres.
Sob o tema “Mobilizando o Crescimento numa Nova Ordem Global”, a cimeira reunirá chefes de Estado, responsáveis governamentais, investidores, executivos e empreendedores para discutir como África poderá sustentar a sua trajectória de crescimento num cenário marcado pela transformação das relações comerciais, pela aceleração tecnológica e pela reconfiguração do poder económico mundial.
A edição deste ano ocorre num contexto particularmente exigente para as economias africanas. As alterações na política tarifária dos Estados Unidos e a iminente expiração da Lei de Crescimento e Oportunidade para a África (AGOA) estão a pressionar governos e empresas a diversificar mercados, aprofundar o comércio intra-africano e reforçar as relações económicas com o Golfo, a China e a Índia.
A resposta africana a estas mudanças passa também pela capacidade de mobilizar recursos internos e reduzir a dependência de fontes externas de financiamento. É nesse eixo que o FT Africa Summit 2026 pretende discutir “a evolução do papel das instituições de financiamento ao desenvolvimento”, “o acesso a capital” e “as condições necessárias para transformar o crescimento económico em desenvolvimento de longo prazo”.
Entre os temas previstos estão ainda “as grandes descobertas de energia offshore”, “a diplomacia em torno dos minerais críticos”, “a expansão da economia digital”, “o desenvolvimento da indústria transformadora” e “o investimento em infra-estruturas”. A agenda deverá igualmente abordar a rápida urbanização do continente e a transformação demográfica que fará de África, até 2050, a região com a maior população em idade activa do mundo.
O programa contará com intervenções de figuras de relevo da política e dos negócios africanos, entre as quais Aliko Dangote, presidente e CEO do Dangote Group; Macky Sall, antigo presidente do Senegal; Jakaya Kikwete, antigo presidente da Tanzânia; Baronesa Jennifer Chapman, ministra de Estado para o Desenvolvimento Internacional e África do Foreign, Commonwealth & Development Office do Reino Unido; Taiwo Oyedele, ministro das Finanças e ministro coordenador da Economia da Nigéria; e Ahmed Shide, ministro das Finanças da Etiópia.
A lista inclui ainda ministros e líderes empresariais da África do Sul, Nigéria, Etiópia, Angola, Maurícia, Ruanda, Serra Leoa, Costa do Marfim e República Democrática do Congo, reforçando o carácter continental da iniciativa.
As discussões serão conduzidas por editores seniores do Financial Times e deverão cruzar perspectivas de geopolítica, finanças, energia, infra-estruturas, comércio, tecnologia e investimento, procurando identificar os sectores e instrumentos capazes de sustentar uma nova fase de crescimento africano.
David Pilling, editor de África do Financial Times, citado numa nota enviada à FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, considera que a cimeira acontece num momento em que “o crescimento africano começa a superar o de grande parte do mundo”, defendendo a necessidade de mobilizar capital, infra-estruturas e parcerias para transformar essa expansão em progresso duradouro.
Para Alec Russell, editor de assuntos internacionais do mesmo órgão, África atravessa uma das mudanças mais significativas da ordem económica global de uma geração, num processo em que novas alianças e novas oportunidades de investimento deverão substituir algumas das certezas comerciais do passado.
A realização da cimeira em Londres acrescenta uma dimensão estratégica ao encontro. Como um dos principais centros mundiais de finanças e de relações internacionais, a capital britânica funciona como ponto de convergência entre governos africanos, investidores, instituições de desenvolvimento e empresas globais, colocando o debate sobre o futuro económico do continente no centro das discussões internacionais sobre capital, comércio e parcerias.





