OPV do Standard Bank de Angola pode gerar mais de 205 mil milhões Kz para o Estado

A Oferta Pública de Venda (OPV) de 34% do capital do Standard Bank de Angola (SBA) foi aprovada pela Comissão do Mercado de Capitais (CMC), abrindo caminho para uma das operações de maior dimensão no mercado de capitais angolano e para a estreia das acções do banco na negociação em bolsa. A operação envolve 4,76…
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O Estado angolano coloca no mercado uma operação avaliada em até 208,5 mil milhões de kwanzas em valor bruto, através da venda de 4,76 milhões de acções do Standard Bank de Angola, numa Oferta Pública de Venda que marca a abertura do capital do banco a investidores do mercado.
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A Oferta Pública de Venda (OPV) de 34% do capital do Standard Bank de Angola (SBA) foi aprovada pela Comissão do Mercado de Capitais (CMC), abrindo caminho para uma das operações de maior dimensão no mercado de capitais angolano e para a estreia das acções do banco na negociação em bolsa.

A operação envolve 4,76 milhões de acções ordinárias, correspondentes a 34% do capital social e dos direitos de voto do SBA, actualmente detidas pelo Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), em representação do Estado angolano. No total, o Standard Bank de Angola tem 14 milhões de acções, todas elas previstas para admissão à negociação no Mercado de Bolsa da BODIVA.

O Prospecto, aprovado pela CMC em 31 de Agosto de 2026, estabelece um valor máximo bruto estimado de 208,5 mil milhões de kwanzas para a operação. Depois da dedução das despesas associadas à Oferta, o montante líquido máximo a receber pelo Estado está estimado em 205,63 mil milhões de kwanzas, assumindo a alienação integral das acções e a aplicação dos preços máximos previstos.

A operação enquadra-se no Programa de Privatizações de Activos do Estado (PROPRIV) e resulta do processo de privatização da participação directa do Estado no banco. Do total colocado à venda, 3,36 milhões de acções, equivalentes a 24% do capital, estão reservadas ao Standard Bank Group Limited (SBGL), actual accionista do banco, enquanto 1,4 milhões de acções, representativas de 10% do capital, serão disponibilizadas ao público em geral.

Para os investidores particulares e institucionais que participem na Oferta dirigida ao público em geral, o preço de cada acção será fixado dentro de um intervalo entre 41 220 e 50 000 kwanzas. O preço final deverá ser determinado em função da procura registada durante o período da Oferta. Para o SBGL, foi previamente estabelecido um preço de 41 220,238095238 kwanzas por acção, suportado por uma avaliação independente baseada, entre outros critérios, nos métodos dos Fluxos de Caixa Descontados e dos Múltiplos de Mercado.

O calendário previsto coloca a operação numa janela particularmente curta. A Oferta será lançada às 12h00 de 11 de Setembro e decorrerá até às 15h00 de 25 de Setembro. O apuramento dos resultados deverá ocorrer numa sessão especial da BODIVA em 28 de Setembro, seguindo-se a liquidação física e financeira em 29 de Setembro.

A admissão à negociação das acções está prevista para 30 de Setembro de 2026, sujeita à decisão favorável da BODIVA e ao cumprimento das condições previstas no Prospecto.

Mais do que uma operação de privatização, a entrada do SBA no mercado regulamentado representa também uma mudança no grau de exposição pública do banco. Uma vez admitidas à negociação, as acções ficarão sujeitas a um regime reforçado de transparência, incluindo a divulgação periódica de demonstrações financeiras e de informação privilegiada, bem como obrigações específicas relacionadas com transacções de dirigentes, governo societário e alterações relevantes nas participações qualificadas.

A operação poderá, assim, contribuir para aumentar a profundidade do mercado accionista angolano, ao mesmo tempo que coloca à prova a capacidade do mercado de absorver uma oferta de dimensão significativa e de assegurar liquidez às acções após a sua estreia.

O Prospecto prevê, contudo, um conjunto de riscos que os investidores deverão considerar, entre os quais a volatilidade cambial, a evolução das taxas de juro, o desempenho da economia angolana, a inflação, a exposição da actividade bancária ao sector petrolífero e os riscos tecnológicos, operacionais e de cibercrime.

“A Oferta não é objecto de tomada firme nem de garantia de colocação. No caso de a procura não absorver integralmente as acções destinadas ao público em geral, a Oferta será eficaz relativamente às acções efectivamente distribuídas, permanecendo as restantes na titularidade do Estado”, lê-se no prospecto.

O Prospecto estabelece ainda que, caso a admissão ao Mercado de Bolsa seja frustrada por determinadas razões, as acções poderão ser encaminhadas para o Mercado de Balcão Organizado – Mercado de Registo de Operações sobre Valores Mobiliários (MROV). Nesse cenário, os investidores enfrentariam potencialmente menor liquidez e a ausência de um preço oficial de negociação.

Paralelamente à venda de 34% do capital, está prevista a transferência de 15% do capital do Standard Bank de Angola para o Fundo Soberano de Angola (FSDEA), nos termos do Despacho Presidencial n.º 317/25, de 6 de Novembro de 2025. Com essa operação, a estrutura accionista do banco deverá sofrer uma alteração relevante no período subsequente à Oferta.

Para o mercado de capitais angolano, a operação combina três dimensões: a concretização de uma privatização através da bolsa, a abertura de uma instituição bancária de dimensão relevante a novos investidores e o aumento da oferta de activos disponíveis para negociação. O sucesso da operação será, por isso, medido não apenas pelo montante arrecadado pelo Estado, mas também pela capacidade de a cotação do SBA gerar liquidez e interesse sustentado entre os investidores após a estreia em bolsa.

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