O investimento directo estrangeiro (IDE) em Moçambique caiu 21% no primeiro trimestre de 2026, para 1.091 milhões de euros, mas o recuo não alterou a estrutura de captação de capital externo: cerca de 94% do investimento recebido entre Janeiro e Março teve como destino as indústrias extractivas, sobretudo os sectores do gás, mineração e outros recursos naturais.
O montante compara com os 1.380 milhões de euros captados no primeiro trimestre de 2025, segundo dados do Banco de Moçambique.
Apesar da redução, o país continua a atrair volumes elevados de capital estrangeiro, embora concentrados num número restrito de grandes projectos associados aos recursos naturais.
As indústrias extractivas – que incluem carvão, petróleo, gás natural e minerais – absorveram cerca de 1.048 milhões de euros no período, deixando pouco mais de 40 milhões de euros para os restantes sectores da economia.
A composição do IDE mantém, assim, a tendência verificada em 2025, quando o investimento estrangeiro cresceu 60,2%, atingindo um máximo anual de 4.829 milhões de euros. Na altura, o desempenho foi impulsionado sobretudo pelos grandes projectos de gás natural na bacia do Rovuma, em Cabo Delgado.
A evolução do primeiro trimestre evidencia uma característica estrutural da economia moçambicana: a capacidade de atrair investimento estrangeiro permanece fortemente associada à exploração de recursos naturais. O desafio passa, por isso, não apenas por aumentar o volume de IDE, mas por diversificar os sectores capazes de captar capital internacional e ampliar o impacto desse investimento sobre o restante tecido económico.
A elevada concentração também torna os fluxos de investimento mais sensíveis ao calendário, dimensão e execução dos megaprojectos. Uma aceleração ou atraso num grande projecto extractivo pode alterar significativamente os indicadores anuais de IDE, reduzindo a sua capacidade de traduzir, por si só, uma tendência generalizada de melhoria do ambiente de investimento no país.
Os dados do Banco de Moçambique apontam, deste modo, para um cenário de forte entrada de capital externo, mas ainda com reduzida diversificação sectorial. Para Moçambique, a próxima etapa consiste em transformar a atracção de investimento ligada aos recursos naturais numa plataforma capaz de estimular novas cadeias de valor, fornecedores locais e investimento em sectores não extractivos.




