Cabo Verde cumpre dois dias de luto nacional pelas vítimas do acidente no Fogo

Cabo Verde cumpre dois dias de luto oficial nacional em memória das vítimas do acidente de viação que, no sábado, 5 de setembro, provocou 25 mortos e 14 feridos na ilha do Fogo, numa das mais graves tragédias rodoviárias dos últimos anos no país. O acidente ocorreu na estrada entre Chã das Caldeiras e Campanas…
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O país cumpre dois dias de luto nacional pelas 25 vítimas mortais do grave acidente de viação ocorrido no sábado, 5 de setembro, na ilha do Fogo. O Presidente da República e o Primeiro-ministro deslocaram-se à ilha e acompanharam os funerais das vítimas.
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Cabo Verde cumpre dois dias de luto oficial nacional em memória das vítimas do acidente de viação que, no sábado, 5 de setembro, provocou 25 mortos e 14 feridos na ilha do Fogo, numa das mais graves tragédias rodoviárias dos últimos anos no país.

O acidente ocorreu na estrada entre Chã das Caldeiras e Campanas de Cima, na zona alta do município de São Filipe. O autocarro, que transportava sobretudo crianças, adolescentes e jovens, muitos deles alunos que participavam numa atividade, despistou-se e caiu numa ravina com cerca de 30 metros.

O balanço oficial mantém-se, esta segunda-feira, em 25 vítimas mortais. Das 14 pessoas que sobreviveram com ferimentos, uma criança já recebeu alta hospitalar e 13 continuam internadas no Hospital Regional São Francisco de Assis, em São Filipe. De acordo com o diretor clínico da unidade, Dionísio Semedo, dois dos pacientes inspiram maiores cuidados, embora se encontrem atualmente em situação estável.

Perante a dimensão da tragédia, o Governo decretou dois dias de luto oficial nacional, com efeitos a partir das 00h00 de domingo, 6 de setembro. Durante este período, a Bandeira Nacional permanece a meia haste nos edifícios públicos e nas representações diplomáticas e consulares de Cabo Verde, estando também cancelados espetáculos e manifestações públicas.

O primeiro-ministro, Francisco Carvalho, deslocou-se no domingo à ilha do Fogo, acompanhado pelos ministros da Saúde, Lúcio Miranda, e da Justiça, Clóvis Silva. À chegada, explicou que a prioridade era estar junto das famílias e da população atingida pela tragédia. “Viemos ao Fogo precisamente para isso, para mostrar que estamos com a população do Fogo e que lamentamos profundamente esta tragédia que atingiu a todos”, afirmou o chefe do Governo.

Francisco Carvalho visitou também o local do acidente e anunciou que será feita uma análise “séria e profunda” às circunstâncias da ocorrência, com o objetivo de retirar conclusões e prevenir tragédias semelhantes. O Governo criou ainda um gabinete de crise e mobilizou equipas médicas e de apoio psicológico para acompanhar os sobreviventes e as famílias.

Também o Presidente da República, José Maria Neves, viajou no domingo para o Fogo, onde se juntou às famílias e esteve presente nas cerimónias fúnebres. “Apresento as minhas condolências às famílias enlutadas, aos amigos, a toda a ilha do Fogo e a Cabo Verde”, declarou o chefe de Estado, classificando o acidente como “uma grande perda” e “um momento muito doloroso para o país”. José Maria Neves manifestou ainda esperança na recuperação dos sobreviventes e na capacidade da ilha para ultrapassar o impacto da tragédia: “Esperamos que consigamos alcançar a recuperação das pessoas e que a ilha se recupere deste grande trauma.”

Os 25 corpos foram sepultados no domingo, no Fogo. Sete funerais realizaram-se durante a madrugada e os restantes decorreram a partir do final da manhã, no cemitério de São Lourenço, num dia marcado pelo luto coletivo e pela presença de familiares, população e das mais altas autoridades do Estado.

Esta segunda-feira, equipas governamentais iniciaram também uma intervenção psicossocial nas comunidades mais atingidas da zona norte da ilha, num esforço de acompanhamento das famílias e de resposta a uma tragédia que deixou várias localidades profundamente marcadas.

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