Angola investiu 99 mil milhões de dólares no petróleo e gás nos últimos nove anos

Angola investiu cerca de 99 mil milhões de dólares no sector de petróleo e gás nos últimos nove anos, período em que foram perfurados 38 poços de exploração, dos quais resultaram 16 descobertas, e negociadas 72 novas concessões, avançou o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano. Ao discursar, esta Quarta-feira,…
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Executivo quer que o petróleo e o gás deixem de ser encarados apenas como fontes de receitas e passem a gerar uma parcela crescente de actividade económica, empregos e competências, combinando maior integração local, novas descobertas e diversificação da matriz energética, diz José Massano.
Economia

Angola investiu cerca de 99 mil milhões de dólares no sector de petróleo e gás nos últimos nove anos, período em que foram perfurados 38 poços de exploração, dos quais resultaram 16 descobertas, e negociadas 72 novas concessões, avançou o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano.

Ao discursar, esta Quarta-feira, 09, na abertura da conferência Angola Oil & Gas 2026, o governante afirmou que os resultados das reformas implementadas no sector são já visíveis, mas sublinhou que o objectivo do Executivo vai além da exploração e produção de hidrocarbonetos.

Segundo José de Lima Massano, Angola pretende assegurar uma maior integração local da cadeia de valor do petróleo e gás, de modo a que uma parcela crescente da riqueza associada aos recursos naturais seja criada dentro das fronteiras nacionais.

“Pretendemos que uma parcela crescente do valor associado aos nossos recursos naturais, e que seja criada dentro das nossas fronteiras, gere mais actividade económica, empregos e competências, contribuindo ainda mais para o crescimento da economia e o bem-estar da população”, afirmou.

No âmbito desta estratégia, o Governo tem vindo a implementar reformas e iniciativas destinadas a criar condições para um desenvolvimento mais abrangente da indústria de petróleo e gás, mantendo a aposta na exploração e, simultaneamente, procurando ampliar os seus efeitos sobre os restantes sectores da economia.

Na frente exploratória, Massano destacou que 44 das 72 novas concessões negociadas já foram assinadas, enquanto as restantes 28 se encontram em fase de aprovação.

“Continuamos a expandir a fronteira exploratória, procurando descobrir novos recursos, renovar reservas e criar as condições necessárias para sustentar a produção no longo prazo”, frisou.

O ministro garantiu, entretanto, que Angola continuará a produzir hidrocarbonetos, mas com uma abordagem cada vez mais orientada para a eficiência e sustentabilidade, recorrendo a tecnologias mais eficientes e procurando conciliar a exploração dos recursos com os desafios colocados pelas alterações climáticas.

“Reconhecemos os desafios colocados pelas alterações climáticas e a necessidade de avançarmos para uma transição energética justa”, sublinhou, defendendo uma transição gradual, equilibrada e inclusiva, capaz de conciliar os objectivos de descarbonização com as necessidades de desenvolvimento económico e social do País.

Esta abordagem deverá assentar também numa matriz energética diversificada, que combine hidrocarbonetos e gás natural com fontes renováveis, nomeadamente energia hidroeléctrica, solar, eólica e biomassa.

No segmento do gás, Massano destacou uma mudança na forma como o recurso é encarado pela indústria angolana. O gás natural, anteriormente tratado sobretudo como subproduto da produção de petróleo bruto, passou a assumir maior relevância estratégica, com o desenvolvimento da exploração de campos de gás não associado e de projectos de maior escala.

Entre os exemplos desta transformação, apontou os projectos de Quiluma e Maboqueiro, desenvolvidos no âmbito do novo consórcio de gás, e a construção da fábrica de fertilizantes no Soyo.

Para o governante, estes projectos representam uma ligação mais directa entre recursos naturais, energia, indústria e agricultura, reforçando a perspectiva de utilização dos hidrocarbonetos como catalisadores de actividade económica para além da produção petrolífera.

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