” África já não é o continente do futuro. É o parceiro estratégico do presente”

No coração de Manhattan, com vista privilegiada sobre uma das cidades mais influentes do mundo, o Forbes Africa Day reuniu líderes políticos, empresários, investidores e decisores internacionais num encontro que procurou afirmar uma nova visão para o continente africano. Realizado no One Vanderbilt, durante a semana da Assembleia Geral das Nações Unidas, o evento posicionou…
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Na abertura do Forbes Africa Day, em Nova Iorque, N'Gunu Tiny defendeu uma mudança de paradigma: deixar para trás a narrativa do potencial e afirmar África como um protagonista da economia global.
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No coração de Manhattan, com vista privilegiada sobre uma das cidades mais influentes do mundo, o Forbes Africa Day reuniu líderes políticos, empresários, investidores e decisores internacionais num encontro que procurou afirmar uma nova visão para o continente africano. Realizado no One Vanderbilt, durante a semana da Assembleia Geral das Nações Unidas, o evento posicionou África no centro das conversas que estão a moldar o futuro da economia mundial.

Na sessão de abertura, o chairman da Emerald Group e fundador da Forbes África Lusófona, N’Gunu Tiny, lançou um apelo claro à acção, defendendo que chegou o momento de ultrapassar a narrativa do potencial e avançar para uma agenda centrada em resultados concretos. “Durante décadas, falou-se do potencial africano. Hoje, a questão já não é saber se África tem recursos, talento ou oportunidades. A verdadeira questão é o que estamos dispostos a fazer com essas oportunidades”, afirmou perante uma audiência composta por representantes governamentais, líderes empresariais, diplomatas e investidores internacionais. Segundo o empresário, o debate global sobre África tem sido excessivamente focado naquilo que o continente poderá vir a ser, ignorando muitas vezes aquilo que já representa hoje para a economia mundial. “África não precisa que o mundo a descubra. Precisa que o mundo a reconheça como um parceiro estratégico na construção das soluções que irão definir o futuro global”, sublinhou.

A realização do Forbes Africa Day representa também a evolução de um percurso iniciado há vários anos pela Emerald Group., referiu o empresário.  Com o lançamento da Forbes África Lusófona, o grupo procurou dar visibilidade às histórias de liderança, inovação e empreendedorismo dos países africanos de língua portuguesa, criando uma plataforma capaz de aproximar África dos principais centros de decisão internacionais. Essa estratégia ganhou posteriormente uma dimensão global através de iniciativas como a Wall Street Lusophone Week, aproximando líderes políticos e empresariais da lusofonia africana ao universo financeiro de Nova Iorque. Agora, com o Forbes Africa Day, a ambição expande-se para todo o continente, reforçando a ideia de que África deve ocupar um lugar central nas grandes discussões económicas internacionais. Um dos grandes temas da intervenção de N’Gunu Tiny foi precisamente a necessidade de mudar a forma como África é apresentada ao mundo. Apesar dos avanços significativos registados em áreas como a tecnologia, a energia, as infraestruturas e os serviços financeiros, o continente continua frequentemente associado a narrativas de dependência ou subdesenvolvimento. Para o chairman da Emerald Group, essa visão já não corresponde à realidade. Com uma população jovem, um crescente dinamismo empresarial e alguns dos recursos mais estratégicos para a transição energética global, África reúne condições únicas para assumir um papel determinante nas próximas décadas. “Não podemos continuar a falar apenas sobre o que África poderá ser amanhã. Devemos reconhecer aquilo que África já é hoje e aquilo que pode construir em parceria com o resto do mundo”, defendeu. Nessa perspetiva, o desenvolvimento do continente dependerá da capacidade de criar ligações mais sólidas entre capital, conhecimento e liderança. “O capital procura oportunidades, mas o crescimento sustentável nasce da confiança, das parcerias e da capacidade de transformar visão em acção”, afirmou.

Um palco para criar pontes

Ao longo do dia, líderes políticos e económicos participaram em debates centrados nos desafios e oportunidades do continente, abordando temas como reformas económicas, investimento, sustentabilidade, diversificação produtiva e desenvolvimento de infraestruturas. A presença de chefes de Estado, ministros, investidores e representantes de grandes instituições internacionais reforçou a importância crescente de África nas agendas globais. Contudo, para os organizadores, o verdadeiro sucesso do evento não será medido pelos discursos proferidos ou pelos painéis realizados, mas pelas parcerias, investimentos e projetos que possam nascer a partir dos encontros promovidos em Nova Iorque. A encerrar a sua intervenção, N’Gunu Tiny resumiu a filosofia do Forbes Africa Day em três palavras simples, mas carregadas de significado: Connect. Create. Grow. Uma mensagem que traduz a ambição de construir pontes entre continentes, criar valor através da colaboração e promover um crescimento sustentável e inclusivo. Antes de abandonar o palco, deixou ainda três questões à audiência, que acabariam por definir o espírito de toda a conferência:

Numa altura em que o continente assume um papel cada vez mais relevante nas cadeias globais de valor, na transição energética e no crescimento económico internacional, a mensagem deixada em Nova Iorque foi inequívoca. “Chegou o momento de passarmos de conversas sobre potencial para resultados concretos. O futuro de África não será determinado apenas pelo que possui, mas pelo que consegue construir.” E foi precisamente esse desafio que marcou a abertura do Forbes Africa Day: transformar o enorme potencial africano numa agenda global de acção, investimento e crescimento.

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