Elmer Serrão quer mercado de capitais mais próximo das empresas e da economia real

O mercado de capitais deve afirmar-se como uma alternativa concreta ao financiamento bancário e assumir um papel mais relevante no crescimento das empresas e na diversificação da economia angolana. A posição foi defendida pelo presidente do Conselho de Administração da Comissão do Mercado de Capitais (CMC), Elmer Serrão, na abertura da 5.ª edição do Fórum…
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Depois de quase três décadas de construção institucional, o mercado de capitais angolano enfrenta agora um novo desafio: tornar-se mais útil à economia real. Na abertura da 5.ª edição do Fórum do Mercado de Capitais, o PCA da CMC defendeu mais empresas, investidores e instrumentos financeiros no mercado, mas também maior confiança e qualidade da informação.
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O mercado de capitais deve afirmar-se como uma alternativa concreta ao financiamento bancário e assumir um papel mais relevante no crescimento das empresas e na diversificação da economia angolana. A posição foi defendida pelo presidente do Conselho de Administração da Comissão do Mercado de Capitais (CMC), Elmer Serrão, na abertura da 5.ª edição do Fórum do Mercado de Capitais, realizada esta Quarta-feira, em Luanda.

Para o responsável, uma economia com maiores necessidades de investimento não pode depender de uma única fonte de financiamento. Embora reconheça o papel fundamental do crédito bancário, defende que as empresas devem ter acesso a diferentes mecanismos para financiar a expansão da capacidade produtiva, adquirir equipamentos, entrar em novos mercados ou desenvolver novos projectos.

“O mercado de capitais deve afirmar-se como um mercado complementar e alternativo de financiamento”, afirmou Elmer Serrão, defendendo uma maior aproximação entre as necessidades de capital das empresas e os recursos disponíveis junto dos investidores.

Mais do que aumentar a dimensão do mercado, o desafio passa por reforçar a sua relevância para a economia. Isso implica, segundo o PCA da CMC, mobilizar a poupança existente e canalizá-la para o investimento, ao mesmo tempo que se criam novas oportunidades para empresas e investidores.

O responsável considera que o Programa de Privatizações, PROPRIV, demonstrou já o potencial do mercado de capitais para apoiar a transformação da estrutura empresarial do País, mas defende que o seu papel deve ultrapassar as privatizações. As empresas, independentemente da sua participação no programa, devem poder encarar o mercado como uma alternativa efectiva para financiar o crescimento.

Para que isso aconteça, a confiança será determinante. Elmer Serrão considera essencial garantir transparência, integridade, previsibilidade e adequada protecção dos investidores, sem criar um quadro regulatório que limite a inovação e o aparecimento de novos instrumentos.

O desenvolvimento do mercado deverá igualmente passar pelo aumento e diversificação dos emitentes, pelo alargamento da base de investidores, pela melhoria das condições de acesso e pelo reforço da literacia financeira e da qualidade da informação.

Depois de quase três décadas de construção institucional — desde os primeiros passos dados em 1997 até à criação da CMC, em 2005, e da BODIVA, em 2014 —, o desafio colocado pelo regulador é agora fazer com que a arquitectura criada cumpra uma função económica cada vez mais concreta.

Para Elmer Serrão, um mercado desenvolvido não é apenas aquele que realiza mais operações, mas aquele que consegue mobilizar recursos para o investimento, oferecer alternativas de financiamento às empresas e aproximar o sistema financeiro das necessidades de desenvolvimento de Angola.

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