Governo angolano defende transformação dos corredores logísticos em motores de produção e desenvolvimento regional

O ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu, defendeu, esta Segunda-feira, em Luanda, que a modernização das infra-estruturas de transporte em Angola deve ultrapassar a simples melhoria da circulação de pessoas e mercadorias, passando a constituir uma ferramenta estratégica para aumentar a produção nacional, promover a industrialização, criar empregos e reforçar a integração económica entre os…
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Ministro dos Trnsportes, Ricardo de Abreu, adverte que o desenvolvimento do corredor não deve ficar limitado à movimentação de matérias-primas entre o interior do continente africano e os mercados internacionais.
Economia Negócios

O ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu, defendeu, esta Segunda-feira, em Luanda, que a modernização das infra-estruturas de transporte em Angola deve ultrapassar a simples melhoria da circulação de pessoas e mercadorias, passando a constituir uma ferramenta estratégica para aumentar a produção nacional, promover a industrialização, criar empregos e reforçar a integração económica entre os países da região.

Ao discursar na abertura da 2.ª segunda edição do Angola Hub Transporte e Logística Summit, o governante destacou a importância dos principais corredores logísticos nacionais, com particular enfoque para os Corredores do Lobito, Norte e Namibe, considerados elementos estruturantes da estratégia de modernização do sistema de transportes e de diversificação da economia angolana.

Segundo Ricardo de Abreu, Angola está perante uma oportunidade de transformar a sua posição geográfica, a rede ferroviária, os portos e as plataformas logísticas numa verdadeira capacidade de ligação entre os mercados nacionais, regionais e internacionais.

Para o ministro, esta transformação exige, no entanto, que os investimentos em infra-estruturas sejam acompanhados por melhorias na operação, na gestão, na digitalização dos procedimentos, na formação de quadros e na criação de mecanismos que permitam ao sector privado participar de forma mais activa no desenvolvimento da cadeia logística.

Corredor do Lobito assume posição central na estratégia

Na sua intervenção, Ricardo de Abreu atribuiu particular importância ao Corredor do Lobito, que considerou ocupar uma posição central na estratégia de conectividade e integração económica de Angola com a região.

A articulação entre o Caminho-de-Ferro de Benguela, o Porto do Lobito e as ligações aos países vizinhos, explicou, constitui uma oportunidade para desenvolver uma plataforma logística regional capaz de servir diferentes actividades económicas e aproximar zonas de produção dos mercados.

O ministro salientou, contudo, que a construção e modernização das infra-estruturas, por si só, não são suficientes para garantir o aproveitamento económico do corredor.

“Estamos, portanto, perante um projecto em que o financiamento e a modernização das infra-estruturas devem ser acompanhados pelo aumento da capacidade operacional e pela criação de condições para uma maior utilização económica do Corredor”, afirmou.

Na perspectiva apresentada pelo governante, a importância estratégica do Corredor do Lobito está relacionada não apenas com a sua capacidade de transportar mercadorias, mas também com o potencial para estimular actividades produtivas ao longo da sua área de influência.

Ricardo de Abreu advertiu que o desenvolvimento do corredor não deve ficar limitado à movimentação de matérias-primas entre o interior do continente africano e os mercados internacionais.

A conectividade, defendeu, deve criar simultaneamente oportunidades para a agricultura, indústria, comércio, serviços e comunidades situadas ao longo do corredor.

Esta abordagem pretende colocar a logística ao serviço da produção e da transformação económica, permitindo que uma parte maior do valor gerado pelos recursos existentes na região permaneça nos próprios países.

Angola, RDC e Zâmbia procuram reforçar integração

O ministro enquadrou esta perspectiva na orientação política defendida pelos líderes de Angola, da República Democrática do Congo e da Zâmbia, países directamente ligados à dinâmica do Corredor do Lobito.

Ricardo de Abreu referiu-se ao Presidente João Lourenço, ao Presidente Félix Tshisekedi e ao Presidente Hakainde Hichilema, sublinhando a necessidade de os recursos minerais e os produtos agrícolas serem progressivamente processados e transformados nos países de origem.

A aposta na transformação local, segundo o governante, permite criar valor acrescentado, empregos e prosperidade para as populações e economias nacionais.

“Os nossos recursos minerais ou os nossos produtos agrícolas precisam de ser processados e transformados nos nossos países, criando-se valor local, empregos e prosperidade para os nossos Povos e para os nossos Países” salientou.

A concretização desta visão, acrescentou, exige a participação de empresas, instituições financeiras e autoridades nacionais e locais, bem como uma coordenação permanente entre os três países.

A integração regional deverá, deste modo, ser acompanhada por medidas práticas capazes de facilitar o trânsito de mercadorias e reduzir os custos associados às operações logísticas.

Entre as prioridades apontadas estão a redução dos tempos de trânsito, a simplificação dos procedimentos, a melhoria da articulação entre os diferentes operadores e a criação de condições para aumentar a circulação de mercadorias.

Caála reforça capacidade logística nacional

Como exemplo concreto desta estratégia, Ricardo de Abreu destacou a próxima inauguração da primeira fase da Cadeia de Frio da Plataforma Logística da Caála.

A infra-estrutura, prevista para ser inaugurada na semana seguinte, foi apresentada como uma demonstração da importância da cooperação entre o sector público e privado, parceiros internacionais e empreendedores locais.

A cadeia de frio deverá contribuir para melhorar as condições de conservação, armazenamento e distribuição de produtos, aspecto considerado relevante para o fortalecimento das cadeias de abastecimento e para a redução de perdas, particularmente nos sectores ligados à produção agrícola.

O ministro apontou ainda o posto fronteiriço do Luvo, dinamizado pela Administração Geral Tributária, como exemplo da capacidade logística que poderá ser replicada noutras regiões.

A criação de infra-estruturas desta natureza, segundo o governante, deve ser acompanhada por procedimentos mais eficientes e pela integração dos diferentes intervenientes da cadeia logística.

Corredor Norte ligado ao Porto de Luanda e Malanje

Outra componente apresentada pelo ministro foi o Corredor Norte, que integra a estratégia de modernização ferroviária nacional.

O corredor estabelece a ligação entre o Porto de Luanda e Malanje, atravessando territórios com potencial nos domínios mineral, agrícola, industrial e comercial.

Ricardo de Abreu destacou a importância desta ligação para a criação de condições que permitam aproximar as zonas de produção dos principais centros de consumo e das plataformas de exportação.

No âmbito da segunda edição do Angola Hub Transporte e Logística Summit, está prevista a assinatura de um acordo entre o Governo de Angola, representado pelo Ministério dos Transportes, e a Corporação Financeira Internacional, instituição do Grupo Banco Mundial.

O acordo deverá assegurar assistência especializada na estruturação de uma operação de parceria público-privada destinada ao desenvolvimento do Corredor Norte.

Para o ministro, a ligação entre a modernização ferroviária e o desenvolvimento da produção nacional é fundamental para garantir que os investimentos realizados no sector dos transportes tenham impacto directo sobre a diversificação económica.

Corredor do Namibe abre novas oportunidades no Sul

O Corredor do Namibe foi igualmente apontado como uma componente importante da estratégia nacional de estruturação e modernização logística.

Com aproximadamente 855 quilómetros de extensão ferroviária e ligação ao Porto do Namibe, o corredor apresenta condições para transportar produtos agrícolas, minérios, rochas ornamentais e outras mercadorias.

O processo de concessão da sua exploração, gestão e manutenção avançou, em Agosto, para a fase de análise e avaliação das propostas apresentadas.

Segundo Ricardo de Abreu, o processo contempla também futuras ligações ferroviárias aos países vizinhos, nomeadamente à Namíbia, reforçando a perspectiva de integração regional através das infra-estruturas de transporte.

O ministro defendeu que o Corredor do Namibe deve ser analisado para além da sua dimensão ferroviária.

A articulação entre a ferrovia, o Porto do Namibe, plataformas logísticas e zonas de produção poderá criar novas oportunidades para a agricultura, agro-indústria, distribuição de mercadorias e prestação de serviços.

A estratégia pretende, desta forma, aproveitar o potencial económico do Sul de Angola e criar condições para que os investimentos em transporte estejam directamente ligados à actividade produtiva.

Cabotagem marítima ganha reforço

No transporte marítimo, Ricardo de Abreu destacou o reforço da cabotagem nacional através da incorporação da embarcação Tchiowa na frota da Secil Marítima.

A nova embarcação deverá entrar em operação nos próximos dias e reforçar as ligações marítimas entre Luanda, Cabinda e Soyo.

O investimento enquadra-se no processo de modernização da frota e de dinamização do transporte marítimo de passageiros e mercadorias ao longo da costa atlântica angolana, com cerca de 1.600 quilómetros.

O ministro considerou o transporte marítimo uma componente importante da estratégia de conectividade nacional, sobretudo num país com uma extensa faixa costeira e com importantes centros económicos e portuários.

Terminal de Águas Profundas do Caio previsto para este ano

Para Cabinda, Ricardo de Abreu anunciou ainda um projecto considerado estratégico para a província: a inauguração e o comissionamento do Terminal de Águas Profundas do Caio, previsto para este ano.

Segundo o ministro, a infra-estrutura deverá contribuir para solucionar um antigo desafio de Cabinda e, ao mesmo tempo, desempenhar uma função relevante no sistema multimodal e logístico regional.

O terminal poderá servir não apenas a província, mas também reforçar as ligações com os países vizinhos, nomeadamente a República Democrática do Congo e a República do Congo.

A integração do terminal num sistema multimodal deverá permitir uma maior articulação entre o transporte marítimo e outros modos de transporte, reforçando a capacidade logística de Cabinda e da região envolvente.

Mobilidade urbana exige novas soluções

A conectividade nacional, segundo Ricardo de Abreu, não se limita ao transporte de mercadorias.

A mobilidade das populações constitui igualmente uma dimensão fundamental da política sectorial, sobretudo perante o crescimento acelerado dos principais centros urbanos.

Luanda e outras cidades do País, explicou, necessitam de soluções integradas capazes de aumentar a capacidade do transporte público, reduzir os constrangimentos nas deslocações diárias e melhorar a utilização das infra-estruturas disponíveis.

Os projectos de transporte urbano estruturante, incluindo os sistemas ferroviários e os sistemas de transporte rápido por autocarro, integram esta estratégia de modernização.

O ministro defendeu que a implementação destes sistemas deve considerar, simultaneamente, as infra-estruturas, a operação, os modelos de financiamento e a sustentabilidade dos serviços.

Aeroporto António Agostinho Neto integra transformação do sector

Na aviação, o ministro destacou a operacionalização do Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto, a modernização da TAAG, a actualização dos sistemas de navegação aérea e controlo do espaço aéreo e o reforço institucional da Autoridade Nacional da Aviação Civil.

Ricardo de Abreu apontou também a abertura do Mercado Aéreo Nacional à luz dos princípios do Mercado Único do Transporte Aéreo Africano, como parte do processo de transformação do sector.

A estratégia passa por melhorar progressivamente a conectividade aérea, aumentar a eficiência operacional, formar recursos humanos e criar condições para o crescimento do transporte de passageiros e de carga.

O governante anunciou ainda que o Executivo deverá aprovar, em breve, a Estratégia Nacional da Nova Geração de Profissionais da Aviação.

A estratégia, segundo Ricardo de Abreu, será uma ferramenta para assegurar a sustentabilidade e o futuro do sector da aviação, podendo a metodologia ser posteriormente adaptada a outros subsectores dos transportes.

Digitalização passa pela Janela Única Logística

A digitalização foi igualmente apontada como uma das ferramentas fundamentais para melhorar a eficiência da cadeia logística.

Ricardo de Abreu anunciou que o Ministério dos Transportes está a concluir o projecto da Janela Única Logística, desenvolvido em parceria com o Ministério das Finanças, a Administração Geral Tributária, o Ministério da Indústria e Comércio e o Ministério do Interior.

A ferramenta deverá permitir acompanhar e rastrear a dinâmica logística nacional nos diferentes modos de transporte, nomeadamente aéreo, marítimo, rodoviário e ferroviário.

A implementação do sistema deverá contribuir para melhorar a partilha de informação entre operadores e autoridades, modernizar procedimentos administrativos e reduzir obstáculos que afectam a circulação de mercadorias.

A digitalização, segundo o ministro, deve ser encarada como parte integrante da modernização do sector e não apenas como uma componente tecnológica.

Formação e Inteligência Artificial ganham espaço

A modernização das infra-estruturas deverá ser acompanhada pela formação de recursos humanos, defendeu Ricardo de Abreu.

O ministro considerou fundamental garantir que Angola disponha de quadros capazes de operar, gerir e manter as novas infra-estruturas, sistemas tecnológicos e equipamentos.

Neste contexto, destacou também a necessidade de fazer uma utilização adequada da Inteligência Artificial, sobretudo para acelerar processos, melhorar a gestão da informação e aumentar a eficiência dos serviços.

A participação de instituições académicas, centros de investigação e jovens empreendedores na segunda edição do Summit foi apresentada como uma oportunidade para aproximar o conhecimento científico e a inovação dos desafios concretos do sector.

O interesse demonstrado por startups da região da SADC, acrescentou, revela a existência de um ecossistema de inovação que poderá contribuir para o desenvolvimento de novas soluções aplicadas aos transportes e à logística.

Financiamento dos projectos exige novas parcerias

Outro dos grandes desafios identificados pelo ministro está relacionado com a mobilização de financiamento para os investimentos necessários ao desenvolvimento dos transportes em África.

Ricardo de Abreu defendeu uma cooperação estreita entre os governos, instituições financeiras internacionais, parceiros de desenvolvimento e sector privado.

O objectivo é criar condições para apresentar oportunidades concretas de investimento, analisar modelos de financiamento e estabelecer contactos que possam resultar em novos projectos e parcerias.

Para o ministro, não basta identificar oportunidades. Os projectos precisam de ser devidamente estruturados, com modelos financeiros adaptados às características e aos riscos de cada investimento.

A conjugação entre investimento público, financiamento das instituições de desenvolvimento e capital privado poderá contribuir para assegurar a sustentabilidade económica dos projectos e acelerar a sua concretização.

Angola procura transformar conectividade em capacidade produtiva

Ao abordar os desafios da segunda edição do Angola Hub Transporte e Logística Summit, Ricardo de Abreu defendeu que o País atravessa uma fase em que os investimentos em infra-estruturas precisam de ser acompanhados por uma melhoria efectiva dos sistemas logísticos.

A modernização dos transportes deverá, por isso, produzir resultados concretos para a economia e para as populações, através de serviços mais eficientes, redução dos custos logísticos e melhoria das ligações entre as diferentes regiões.

O ministro considerou igualmente fundamental reforçar a cooperação regional e desenvolver mecanismos capazes de ultrapassar os obstáculos que ainda dificultam a circulação de mercadorias entre os países africanos.

A competitividade dos corredores, acrescentou, dependerá da capacidade de integrar governos, empresas, operadores logísticos, instituições financeiras, autoridades fronteiriças e parceiros de desenvolvimento.

Summit procura aproximar investimento e oportunidades

A segunda edição do Angola Hub Transporte e Logística Summit decorre num contexto de vários projectos de modernização dos diferentes modos de transporte em Angola.

O encontro pretende funcionar como uma plataforma de diálogo entre governantes, investidores, instituições financeiras, operadores, especialistas, empresas e outros intervenientes ligados aos sectores dos transportes e da logística.

Para Ricardo de Abreu, a primeira edição permitiu estabelecer uma plataforma de diálogo e relacionamento, enquanto a segunda deverá aprofundar essa dinâmica e aproximar os participantes das oportunidades concretas de cooperação, investimento e desenvolvimento empresarial.

O governante defendeu que os próximos anos serão marcados pela necessidade de transformar os investimentos em resultados económicos concretos, garantindo que as infra-estruturas construídas e modernizadas tenham capacidade para apoiar a produção nacional.

Neste sentido, os corredores logísticos deverão desempenhar uma função que ultrapasse o simples transporte de mercadorias.

A aposta passa por criar condições para que as zonas produtoras tenham acesso aos mercados, que as matérias-primas possam ser transformadas localmente e que as empresas nacionais possam integrar cadeias de valor regionais e internacionais.

Transportes no centro da diversificação económica

Ao concluir a sua intervenção, Ricardo de Abreu reforçou que a estratégia nacional de transportes deve estar directamente ligada aos objectivos de diversificação económica, integração regional e criação de valor.

O ministro reconheceu que os desafios são significativos e exigem continuidade, coordenação e capacidade de execução.

Entre as prioridades estão a sustentabilidade financeira dos projectos, a eficiência dos serviços, o reforço da capacidade institucional, a digitalização, a formação de quadros e a melhoria da articulação entre os diferentes modos de transporte.

A conectividade regional deverá igualmente continuar a ser aprofundada através dos corredores que ligam Angola aos mercados da África Austral e Central.

Na perspectiva defendida pelo governante, a verdadeira dimensão estratégica dos transportes está na capacidade de transformar a conectividade numa ferramenta de desenvolvimento económico.

“O nosso propósito é que a conectividade deixe de ser apenas uma condição de acesso aos mercados e se transforme, cada vez mais, numa capacidade de produzir, acrescentar valor, comercializar e desenvolver as nossas economias”, assegurou.

Com esta visão, os investimentos no Corredor do Lobito, Corredor Norte e Corredor do Namibe, bem como nos portos, caminhos-de-ferro, plataformas logísticas, transporte marítimo, aviação e mobilidade urbana, passam a ser enquadrados numa estratégia mais ampla de transformação da economia nacional.

A aposta, segundo Ricardo de Abreu, é fazer dos transportes e da logística não apenas instrumentos de circulação, mas também motores de produção, industrialização, comércio, integração regional e desenvolvimento económico, criando melhores condições para que Angola possa aproveitar a sua posição geográfica e reforçar a sua participação nas cadeias de valor africanas.

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