O futuro do sector dos transportes angolano passa pela inovação tecnológica, modernização das infraestruturas, integração entre os diferentes meios de transporte e qualificação dos recursos humanos. A perspectiva foi apresentada, esta Terça-feira, 29, em Luanda, pelo director Comercial da NORS em Angola, Licínio Sanches.
Em entrevista à imprensa no final de um painel dedicado ao “Futuro dos Transportes Africano: Inovação, Talento e os Empregos de Amanhã, o responsável disse que, o sector encontra-se numa fase de evolução, marcada por oportunidades que resultam da introdução de novas tecnologias e do aumento da cooperação entre os diferentes intervenientes.
“O futuro dos transportes em Angola e um bocadinho por toda a África é um sector que está em evolução, com muitas oportunidades”, afirmou Licínio Sanches.
Entre os principais temas debatidos no painel estiveram a inovação, a digitalização e a necessidade de maior articulação entre os sectores rodoviário, ferroviário, aeroportuário e marítimo. Para o responsável, uma abordagem integrada poderá contribuir para aumentar a eficiência dos transportes e da logística no país.
Infra-estruturas continuam entre os desafios, apesar dos avanços registados nos últimos anos, Sanches reconhece que Angola ainda enfrenta desafios relacionados com a qualidade e a expansão das infraestruturas de transporte.
A malha ferroviária, rodoviária, aeroportuária e portuária, segundo o responsável, apresenta actualmente melhores condições do que no passado, embora ainda exista um percurso a cumprir para alcançar os níveis de eficiência pretendidos.
“É um facto que há um caminho a fazer, mas esse caminho tem vindo a ser uma aposta e um trabalho de todos os intervenientes nestes sectores”, explicou.
Sanches defendeu ainda que as dificuldades existentes devem ser encaradas como oportunidades para novos investimentos e melhorias. Entre os avanços apontados está a reabilitação de corredores ferroviários, que já permitem novas possibilidades para o transporte de mercadorias e passageiros.
No entanto, salientou que o desenvolvimento do sector dos transportes dependerá, assim, da conjugação entre investimentos em infraestruturas, inovação tecnológica, integração dos diferentes meios de transporte e valorização das pessoas.
A perspectiva apresentada coloca a modernização e a capacitação profissional como elementos centrais para responder às crescentes necessidades de mobilidade e logística em Angola.
Formação e a qualificação de jovens como aposta estratégica foi outro dos pontos destacados pelo director Comercial da NORS em Angola.
Para o responsável, além da formação académica e técnica, os novos profissionais precisam de desenvolver capacidade de adaptação perante a rápida evolução tecnológica.
“Os jovens hoje em dia têm que ter acima de tudo ambição e flexibilidade”, defendeu.
Na sua perspectiva, a velocidade com que surgem novas tecnologias exige profissionais dispostos a actualizar permanentemente os seus conhecimentos, independentemente da área de actuação.
“Se esse novo profissional não tiver ambição e flexibilidade para aprender um pouco mais, vai perder o comboio da evolução”, acrescentou.
Digitalização ganha espaço no transporte terrestre, no segmento dos transportes terrestres, área em que a NORS tem uma actuação directa, o responsável destacou os esforços de modernização e digitalização.
A empresa tem procurado acompanhar as novas tecnologias utilizadas no sector a nível internacional e adaptá-las à realidade angolana, através de soluções destinadas ao transporte de passageiros, mercadorias e operações logísticas.
“Estamos a fazer um trabalho de digitalização, de modernização, acompanhar as novas tecnologias que estão neste momento a ser utilizadas noutras geografias e trazer essa tecnologia e inovação para o nosso país”, afirmou.
A aposta inclui ferramentas digitais, conectividade e soluções destinadas a melhorar, eficiência das operações das empresas e dos operadores do sector dos transportes.
A NORS em Angola representa, entre outras, as marcas Volvo e Dongfeng, ligadas ao sector dos transportes. De acordo com Lucínio Sanches, a empresa aposta em equipamentos, manutenção, assistência, pós-venda e formação de técnicos, clientes e parceiros.
A empresa mantém também iniciativas de aproximação aos jovens através de projectos sociais e programas de cooperação com instituições de ensino.
Segundo Sanches, a empresa recebe anualmente dezenas de estagiários, proporcionando-lhes contacto com o ambiente profissional.
Alguns dos participantes acabam posteriormente por integrar a organização, criando oportunidades de desenvolvimento de carreira.
O responsável sublinhou que a retenção de talento nacional constitui uma das prioridades da empresa.
“É garantir-nos que retemos o talento angolano, que conseguimos dar oportunidades e, acima de tudo, que um talento e um jovem que trabalha hoje em Angola sinta a mesma responsabilidade, o mesmo reconhecimento e o mesmo mérito do que trabalhar em qualquer outra parte do mundo”, afirmou.





