Sissoco Embaló confirma candidatura em plena transição política na Guiné-Bissau

O ex-Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, anunciou que será candidato às eleições presidenciais marcadas para 6 de Dezembro, numa decisão divulgada a menos de uma semana do seu regresso anunciado ao país, após vários meses fora do território nacional na sequência do golpe de Estado de 26 de Novembro de 2025. “Sim, serei candidato”,…
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“Sim, serei candidato”, declarou Sissoco Embaló à revista Jeune Afrique, a partir de Brazzaville, onde se encontra antes de seguir para Bissau no próximo Domingo, 4 de Outubro.
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O ex-Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, anunciou que será candidato às eleições presidenciais marcadas para 6 de Dezembro, numa decisão divulgada a menos de uma semana do seu regresso anunciado ao país, após vários meses fora do território nacional na sequência do golpe de Estado de 26 de Novembro de 2025.

“Sim, serei candidato”, declarou Sissoco Embaló à revista Jeune Afrique, a partir de Brazzaville, onde se encontra antes de seguir para Bissau no próximo Domingo, 4 de Outubro.

O anúncio abre formalmente uma nova etapa na actividade política do antigo chefe de Estado, que pretende regressar ao país e preparar a sua participação no processo eleitoral previsto para dezembro. Segundo a publicação, Embaló parte do entendimento de que o general Horta N’Tam Inta-a, actual presidente de transição e apontado como uma das figuras centrais do afastamento do antigo Presidente, não deverá concorrer às eleições, em cumprimento dos compromissos assumidos na Carta de Transição.

Esta circunstância, de acordo com a Jeune Afrique, poderá permitir o avanço da pré-campanha de Sissoco Embaló, num cenário político ainda marcado pelas consequências do golpe de Estado e pela reorganização das instituições guineenses.

Antes das eleições presidenciais, o Movimento para a Alternância Democrática (Madem G15), partido de Sissoco Embaló, deverá realizar o seu congresso nos dias 16 e 17 de Outubro. Na sequência desse processo, deverá ser lançada a Plataforma Republicana, estrutura política que, segundo a publicação, reúne mais de uma dezena de partidos e deverá apoiar a candidatura do antigo Presidente.

Regresso a Bissau

Umaro Sissoco Embaló anunciou o seu “regresso voluntário ao país” para 4 de outubro, apelando para que a sua chegada decorra num ambiente de “harmonia, tolerância e respeito mútuo”.

O antigo Presidente deixou a Guiné-Bissau depois do golpe de Estado de 26 de novembro de 2025 e fixou residência em Marrocos. O seu regresso acontece num momento de preparação das eleições legislativas e presidenciais anunciadas pelas autoridades de transição.

Na mensagem em que comunicou a decisão de regressar, divulgada através das redes sociais, Embaló defendeu a necessidade de colocar o interesse nacional e a estabilidade acima das divergências políticas.

“A Guiné-Bissau é a nossa pátria e pertence a todos nós. Independentemente das nossas posições ou opções políticas, devemos preservar a paz social, fortalecer a união e colocar o interesse nacional acima das diferenças”, escreveu.

O ex-chefe de Estado apresentou ainda o regresso como um gesto de confiança no futuro do país e como expressão do desejo de reencontrar a sociedade guineense.

“O retorno a solo pátrio é um gesto de confiança” no futuro da Guiné-Bissau, afirmou, associando a decisão ao sentimento de pertença e ao desejo de voltar a estar junto dos cidadãos.

Embaló apelou igualmente para que a recepção à sua chegada seja pacífica e fraterna, evitando comportamentos que possam provocar tensões ou aprofundar divisões políticas.

O antigo Presidente defendeu ainda o reforço da responsabilidade cívica e o respeito pelos princípios fundamentais do Estado de direito, num contexto de transição política e institucional.

Eleições marcadas para dezembro

As eleições legislativas e presidenciais estão marcadas para 6 de dezembro pelo general Horta N’Tam Inta-a, que assumiu a presidência de transição depois da deposição de Umaro Sissoco Embaló.

O processo eleitoral deverá ocorrer num quadro institucional diferente daquele que existia antes do golpe. Na sequência da tomada do poder pelos militares, foi criado o Conselho Nacional de Transição (CNT), que passou a exercer as competências do parlamento.

As autoridades de transição nomearam Ilídio Vieira Té para os cargos de primeiro-ministro e ministro das Finanças e promoveram alterações no quadro constitucional do país.

Segundo a informação divulgada, o CNT aprovou uma nova Constituição que introduz, entre outras mudanças, um reforço dos poderes atribuídos ao Presidente da República.

A realização das eleições constitui, assim, um dos principais momentos do actual período de transição, com diferentes forças políticas a prepararem-se para disputar a Presidência e os lugares parlamentares.

Golpe de Estado e contestação política

Umaro Sissoco Embaló chegou à Presidência da Guiné-Bissau em fevereiro de 2020 e permaneceu no cargo até 26 de novembro de 2025, quando foi afastado na sequência da intervenção dos militares.

O golpe ocorreu em vésperas da divulgação dos resultados provisórios das eleições presidenciais. Na altura, sectores da oposição classificaram a intervenção militar como um “golpe cerimonial”, alegando que Fernando Dias da Costa, candidato apoiado por forças da oposição, teria vencido a votação à primeira volta.

O processo político que se seguiu conduziu à criação das instituições de transição e à definição de um novo calendário eleitoral.

Sissoco Embaló, que desde então permaneceu fora do país, mantém agora a intenção de regressar à Guiné-Bissau e participar directamente no novo processo eleitoral.

A sua declaração de candidatura acrescenta uma nova dimensão à disputa presidencial de dezembro e deverá ser acompanhada pela reorganização das forças políticas em torno das diferentes candidaturas.

Com o congresso do Madem G15 previsto para Outubro e a anunciada constituição da Plataforma Republicana, a campanha de Sissoco Embaló deverá começar a ganhar forma nas próximas semanas, num período em que o país se prepara para o regresso às urnas após a ruptura institucional de Novembro de 2025.

O antigo Presidente, diz a Lusa, tem defendido que o processo deve decorrer num ambiente de paz e estabilidade e que as divergências políticas não devem colocar em causa a coesão social nem o interesse nacional da Guiné-Bissau.

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