Jovens moçambicanos defendem maior acesso ao financiamento para impulsionar empreendedorismo e inovação

Jovens moçambicanos defenderam, em Maputo, maior acesso ao financiamento e ao capital como condição para transformar ideias inovadoras em negócios sustentáveis, apontando a falta de crédito, a burocracia e a escassez de investidores entre os principais obstáculos ao empreendedorismo juvenil. O apelo foi lançado durante a abertura da primeira Conferência Nexum de Inovação e Liderança…
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A directora-executiva da Associação Moçambicana de Jovens pela Igualdade de Género (AMJIGE), Francisca Noronha, destacou maior aproximação entre jovens inovadores e potenciais financiadores, considerando que existem ideias e talento, mas persistem dificuldades no acesso às oportunidades de financiamento.
Economia

Jovens moçambicanos defenderam, em Maputo, maior acesso ao financiamento e ao capital como condição para transformar ideias inovadoras em negócios sustentáveis, apontando a falta de crédito, a burocracia e a escassez de investidores entre os principais obstáculos ao empreendedorismo juvenil.

O apelo foi lançado durante a abertura da primeira Conferência Nexum de Inovação e Liderança Juvenil, que reúne jovens empreendedores, estudantes, académicos, empresas e representantes de instituições públicas e privadas para discutir questões relacionadas com financiamento, emprego, empreendedorismo, inteligência artificial e profissões do futuro.

A directora-executiva da Associação Moçambicana de Jovens pela Igualdade de Género (AMJIGE), Francisca Noronha, destacou maior aproximação entre jovens inovadores e potenciais financiadores, considerando que existem ideias e talento, mas persistem dificuldades no acesso às oportunidades de financiamento.

“Temos ideias, temos coragem e temos talento. O que nos falta é a justiça financeira e o acesso às oportunidades”, afirmou.

Segundo a responsável, vários projetos desenvolvidos por jovens acabam por não avançar para a fase de implementação devido às dificuldades de acesso ao crédito e aos mecanismos de financiamento disponíveis. Para Noronha, esta realidade reduz a capacidade dos jovens de transformar projectos e soluções inovadoras em iniciativas empresariais capazes de gerar emprego e rendimento.

A dirigente defendeu, por isso, que o investimento na juventude deve ir além de iniciativas pontuais e incluir instrumentos como crédito, capital de risco, mentoria, formação profissional e participação dos jovens nos processos de decisão económica.

“A Nexum é um ponto de encontro entre a ideia e a ação”, afirmou Francisca Noronha, explicando que a conferência pretende aproximar jovens empreendedores de investidores, empresas e parceiros de desenvolvimento, criando oportunidades para a apresentação direta de projetos e soluções.

Juventude como agente de desenvolvimento

O coordenador nacional do projeto Sociedade Civil da Ajuda Popular da Noruega (APN), Isidro Macarringue, parceira da AMJIGE na realização da iniciativa, também defendeu a criação de condições para que os jovens possam desenvolver projetos de emprego e autoemprego, com maior acesso a financiamento, recursos e competências profissionais.

“A juventude não deve ser vista apenas como beneficiária, mas como um ator fundamental na construção de soluções para os desafios do presente e do futuro”, disse.

Para Macarringue, muitos dos problemas económicos e sociais enfrentados pelas comunidades podem encontrar respostas em iniciativas concebidas pelos próprios jovens, desde que estes tenham acesso aos meios necessários para desenvolver e implementar as suas ideias.

A conferência pretende, neste sentido, funcionar como espaço de diálogo entre jovens, setor privado, instituições públicas e parceiros de desenvolvimento, promovendo a criação de oportunidades e mecanismos capazes de facilitar a passagem das ideias à concretização de projetos.

Tecnologia para inclusão

Entre os projetos apresentados durante a conferência está a Bengala Inteligente Inclusiva, desenvolvida por Paulino Luís, de 24 anos, natural e residente em Morrumbala, na província da Zambézia.

O jovem inventor desenvolveu o dispositivo com o objetivo de apoiar pessoas com deficiência visual, através da deteção de obstáculos e emissão de alertas sonoros.

“A principal função dela é detetar obstáculos”, explicou Paulino Luís, acrescentando que a solução poderá também permitir o controlo de equipamentos domésticos, como lâmpadas, ventoinhas e congeladores, através de comandos de voz e de uma aplicação para telemóveis Android.

O projecto encontra-se ainda numa fase de desenvolvimento e necessita de testes com utilizadores finais antes de avançar para uma eventual comercialização. O seu criador acredita, contudo, que a tecnologia poderá contribuir para aumentar a autonomia e a segurança das pessoas com deficiência visual.

Jovens apostam em materiais reciclados

A feira de inovação integrada na conferência apresentou igualmente projetos desenvolvidos por jovens estudantes, entre os quais se destacam os trabalhos dos irmãos Luciano Soares, de 17 anos, e Nelson Soares, de 15 anos, estudantes da 10.ª e 9.ª classes, respetivamente.

Entre as soluções apresentadas pelos dois estudantes está um modelo de helicóptero construído com paus, caixas, plástico, lona e outros materiais reciclados.

Os jovens pretendem aperfeiçoar progressivamente o protótipo, substituindo os materiais utilizados por componentes mais resistentes e desenvolvendo uma versão funcional capaz de voar.

Os projectos apresentados na conferência reflectem, segundo os promotores da iniciativa, o potencial existente entre os jovens moçambicanos e a necessidade de criar mecanismos que permitam transformar a criatividade e a inovação em soluções concretas para os desafios sociais e económicos do país.

A primeira Conferência Nexum de Inovação e Liderança Juvenil, segundo a Lusa, coloca o financiamento no centro do debate sobre o empreendedorismo jovem, procurando aproximar ideias, competências e oportunidades de investimento.

 

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