Um novo álbum de Cesária Évora, intitulado “Reina da Morna”, com dez temas inéditos, chega ao mercado a 16 de Outubro, assinalando os 15 anos da morte da cantora cabo-verdiana, considerada uma das vozes mais emblemáticas da música de Cabo Verde e uma das maiores intérpretes da morna.
A informação foi avançada pelo produtor José “Djô” da Silva, responsável por grande parte da carreira internacional de Cesária Évora, que revelou que o novo trabalho reúne gravações que permaneceram durante anos nos arquivos da editora Lusafrica.
“Vamos dar aos fãs as últimas músicas que temos dela e, ao mesmo tempo, assinalar os 15 anos do desaparecimento de Cesária”, explicou o produtor, referindo-se ao lançamento de “Reina da Morna”, expressão que significa “rainha da morna”.
Cesária Évora, conhecida mundialmente como “Cize”, morreu em 2011, deixando um legado que ultrapassou as fronteiras de Cabo Verde e contribuiu para a afirmação internacional da morna e da música cabo-verdiana. O seu último álbum de estúdio, “Nha Sentimento”, foi lançado em 2009, dois anos antes da sua morte.
O novo disco recupera gravações que não chegaram a integrar os anteriores álbuns da cantora. Segundo José “Djô” da Silva, Cesária tinha por hábito gravar mais temas do que aqueles que acabavam por ser seleccionados para cada álbum.
Parte dessas gravações era mantida nos arquivos para responder às exigências de determinados mercados internacionais. O Japão, por exemplo, solicitava frequentemente alinhamentos diferentes, o que levou a editora a preservar algumas canções para futuras edições.
“Eram músicas que estavam guardadas há anos”, explicou o produtor, acrescentando que a escolha dos temas para cada álbum também obedecia a um equilíbrio entre os diferentes estilos da música cabo-verdiana.
“Às vezes, havia mais coladeira ou mais morna e decidíamos guardar algum tema para depois”, recordou.
Entre as gravações recuperadas encontra-se “Força Di Cretcheu”, uma composição de Eugénio Tavares que, segundo “Djô” da Silva, deverá ser uma das raras, ou mesmo a única, canção do célebre compositor cabo-verdiano gravada por Cesária Évora.
A inclusão do tema no novo álbum ganha particular relevância pelo facto de Cesária ter demonstrado preferência por interpretar obras de outros grandes nomes da música cabo-verdiana, sobretudo de B. Leza.
“A Cesária preferia sempre gravar [músicas de] B. Leza”, lembrou o produtor.
Ainda assim, a equipa conseguiu convencer a cantora a gravar uma composição de Eugénio Tavares. O tema, porém, acabou por ficar fora do alinhamento de um dos discos anteriores.
“Conseguimos que ela gravasse uma moda de Eugénio Tavares. Só que, no momento de alinhar o disco, ela preferiu pôr o tema de lado para mais tarde”, explicou José “Djô” da Silva.
Esse “mais tarde” chega agora, 15 anos depois da morte da artista, permitindo ao público conhecer uma parte ainda inédita do repertório deixado por uma das figuras mais importantes da cultura musical cabo-verdiana.
“Reina da Morna” representa também um momento particular na história da Lusafrica, sendo o primeiro lançamento composto por gravações recuperadas dos arquivos da editora desde a aquisição da companhia pela Sony Music França, em 2025.
A edição do álbum contará ainda com um livreto que inclui um ensaio do jornalista francês Francis Dordor, que acompanhou Cesária Évora ao longo da sua carreira e testemunhou diferentes momentos do percurso artístico da cantora.
O primeiro tema do novo trabalho já divulgado é “Sonsente”, que antecipa o conteúdo de um álbum composto integralmente por gravações inéditas.
O alinhamento de “Reina da Morna” inclui dez temas: “Amiga d’nh’ Amigo”, “Sonsente”, “E Nos Cabo Verde”, “Resposta De Ganha Pouco”, “Junior”, “Brisa D’bo Sorriso”, “Nos Contradança”, “Força Di Cretcheu”, “Projecto” e “No Po Na Ton”.
O lançamento, marcado para 16 de Outubro, diz a Lusa, pretende assim recuperar para o público uma parte desconhecida da obra de Cesária Évora e, simultaneamente, assinalar os 15 anos do desaparecimento de uma artista cuja voz se tornou uma das principais referências culturais de Cabo Verde no mundo.





