Luanda acolhe, de 5 a 9 de Outubro, o AfricaCert & SADC Cyber Drill, exercício regional que testa a capacidade dos países africanos de prevenir, detectar, responder e recuperar de incidentes cibernéticos, ao mesmo tempo que reforça a cooperação entre os seus Centros de Resposta a Incidentes de Segurança Informática (CERTs).
A iniciativa reúne reguladores, gestores, especialistas, decisores políticos, engenheiros e peritos responsáveis pelo funcionamento dos CERTs de diferentes países africanos, colocando em evidência a dimensão cada vez mais transnacional das ameaças que afectam o espaço digital.
Mais do que simular ataques em ambiente controlado, exercícios desta natureza permitem identificar vulnerabilidades, avaliar os mecanismos de resposta e testar a coordenação entre as diferentes equipas envolvidas na gestão de incidentes.
A partilha de conhecimento e de experiências torna-se, neste contexto, um elemento crítico para reduzir o impacto de ataques que podem ultrapassar rapidamente as fronteiras nacionais.
A experiência demonstra que o cibercrime não pode ser enfrentado de forma isolada. Sendo uma realidade transnacional, exige respostas igualmente coordenadas, assentes na cooperação técnica, institucional e jurídica entre os Estados.
É precisamente nesta dimensão que o AfricaCert & SADC Cyber Drill ganha relevância para o continente. À medida que governos, empresas e cidadãos africanos aceleram a adopção de serviços digitais, aumenta também a necessidade de estruturas capazes de detectar ameaças, limitar danos e restabelecer rapidamente sistemas afectados.
A cibersegurança, por isso, deixou de ser exclusivamente uma questão tecnológica. É também uma matéria de segurança económica, continuidade operacional e confiança nos processos de digitalização, tornando a preparação dos Estados e das organizações um factor cada vez mais importante.
O exercício permite ainda colocar em contacto directo os profissionais que, diariamente e em diferentes pontos de África, asseguram a segurança das infra-estruturas digitais e trabalham na resposta a incidentes.
Para além das leis, políticas e regulamentos, são estas competências técnicas e esta capacidade de cooperação que determinam, em larga medida, a eficácia da resposta perante uma ameaça real.





