A cooperativa angolana agro-pecuária Kitumba Fula, com cerca de 55 membros, enfrenta dificuldades de financiamento, transporte e escoamento da produção, factores que têm limitado o crescimento da actividade e provocado perdas significativas de produtos agrícolas.
O presidente executivo da cooperativa, André João Adão, explicou à Forbes África Lusófona que a organização desenvolve a actividade agrícola através das lavras dos seus membros e de uma lavra própria da cooperativa, cuja produção é comercializada e os recursos revertidos para o funcionamento e fortalecimento da instituição.
Entre os principais produtos cultivados estão hortícolas como tomate, cebola, couve e repolho, além de banana, cana-de-açúcar, mandioca e batata-doce, entre outros produtos agrícolas.
Segundo o responsável, que falava esta Quinta-feira à antes do arranque da Expo-Bengo, apesar da capacidade produtiva existente, a cooperativa enfrenta dificuldades para colocar os produtos no mercado, sobretudo devido às limitações de transporte e à falta de financiamento.
“Temos enormes dificuldades”, afirmou, salientando que muitas cooperativas da província do Bengo não conseguem ter acesso ao crédito necessário para aumentar a produção e melhorar as condições de comercialização.
O responsável explicou que, actualmente, parte da produção é transportada para mercados de Luanda, mas os custos associados ao aluguer de viaturas reduzem significativamente os ganhos dos produtores.

“É muita perda, porque só o aluguer da viatura consome praticamente o valor que poderíamos ganhar com a venda dos produtos”, referiu.
Financiamento para aumentar a produção
Para a cooperativa, o acesso ao financiamento constitui uma das principais prioridades.
O objectivo, disse André João Adão, não é utilizar os recursos apenas para manter a actividade existente, mas aumentar substancialmente a produção e criar condições para conquistar novos mercados.
O financiamento permitiria elevar as quantidades produzidas, fortalecer a presença da cooperativa no mercado informal e contribuir para a criação de mais postos de trabalho.
“Queremos financiamento para fazer mais e aumentar aquilo que já estamos a produzir”, destacou o responsável.
A cooperativa pretende igualmente estabelecer relações comerciais com supermercados e outros grandes compradores.
Actualmente, ainda não existem contratos regulares com grandes superfícies comerciais, mas a direcção considera que a organização poderá responder a encomendas regulares caso sejam estabelecidas parcerias.
Novo ano agrícola com aposta na expansão
Para o novo ano agrícola, a cooperativa prevê aumentar a produção e diversificar as culturas.
O responsável adiantou que os terrenos estão a ser preparados e organizados para o início da campanha agrícola, estando a cooperativa a aguardar pelas condições adequadas para avançar com a plantação.
A expectativa é que, com o início das chuvas, sejam plantadas diferentes culturas e reforçada a capacidade produtiva da organização.
Além do aumento da produção, a cooperativa considera fundamental melhorar as condições de transporte e encontrar canais de comercialização mais eficientes, de modo a reduzir as perdas registadas durante o processo de escoamento.
A direcção argumentou que a combinação entre financiamento, aumento da produção, melhoria do transporte e acesso a novos mercados poderá permitir à cooperativa consolidar a sua actividade, gerar mais emprego e contribuir para o desenvolvimento da agricultura na província do Bengo.





