Moçambique pretende criar 20 incubadoras agrícolas até 2030, numa iniciativa que visa formar jovens empreendedores rurais, reforçar a produção local e reduzir a dependência das importações. A Associação de Jovens Agricultores de Portugal (AJAP) anunciou a intenção de lançar uma destas estruturas na província de Tete, em parceria com entidades locais e com o apoio do Governo provincial.
O projecto pretende contribuir para a transformação da agricultura familiar numa actividade economicamente viável, profissionalizada e ligada aos mercados, num país onde o reforço da produção nacional é determinante para o abastecimento alimentar, a geração de emprego e o desenvolvimento da indústria agro-alimentar.
Segundo a Lusa, o director-geral da AJAP, Firmino Cordeiro, apresentou a proposta durante a Conferência Internacional de Investimento de Tete, defendendo o envolvimento da Agência do Vale do Zambeze e da Associação de Jovens Agricultores de Tete na criação da incubadora.
Para o responsável, a formação deve ir além das técnicas de produção e preparar os agricultores para gerir negócios, controlar custos, aceder ao crédito e aos seguros, negociar com fornecedores e compradores e cumprir os requisitos de qualidade e certificação exigidos pelos mercados internacionais.
A iniciativa prevê uma rede de 20 incubadoras em Moçambique até 2030, com capacidade para certificar mais de mil jovens empresários agrícolas e rurais por ano, quando estiver plenamente desenvolvida. A concretização desta meta poderá contribuir para profissionalizar o sector e criar condições para aumentar a produtividade e o valor acrescentado da produção nacional.
Firmino Cordeiro defendeu igualmente o investimento no conhecimento, na utilização sustentável dos solos e no combate às pragas e doenças que afectam as culturas. Considerou ainda essencial promover parcerias que permitam transformar matérias-primas localmente, reduzindo a necessidade de importar produtos que podem ser obtidos ou processados no país.
A AJAP sustenta que o reforço das exportações deve avançar em paralelo com o auto-abastecimento alimentar, sobretudo nas comunidades mais remotas. A organização portuguesa, sem fins lucrativos, desenvolve há mais de duas décadas iniciativas de apoio à internacionalização do sector agro-alimentar e de cooperação entre Portugal e Moçambique.





