PR moçambicano defende industrialização de Tete para transformar recursos naturais em valor económico

O Presidente de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, defendeu, em Tete, a necessidade de transformar a província num centro de produção industrial, criação de emprego e desenvolvimento de cadeias de valor, de modo a converter as suas riquezas naturais em benefícios económicos e sociais para o país. O Chefe do Estado falava na abertura da Conferência…
ebenhack/AP
Daniel Chapo destaca o potencial da província nos sectores energético, mineiro, agrícola, pecuário, pesqueiro, logístico e comercial, com particular referência à capacidade de produção de energia associada à Hidroeléctrica de Cahora Bassa e a outros projectos hidroeléctricos, bem como à riqueza mineral existente na região.
Economia

O Presidente de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, defendeu, em Tete, a necessidade de transformar a província num centro de produção industrial, criação de emprego e desenvolvimento de cadeias de valor, de modo a converter as suas riquezas naturais em benefícios económicos e sociais para o país.

O Chefe do Estado falava na abertura da Conferência Internacional de Investimentos de Tete 2026, que reúne investidores nacionais e internacionais, empresários, instituições financeiras, parceiros de desenvolvimento, académicos, representantes das comunidades e decisores públicos, sob o lema “Tete no Horizonte de Investimentos: Oportunidades para uma Nova Era de Desenvolvimento”.

Na ocasião, Daniel Chapo destacou o potencial da província nos sectores energético, mineiro, agrícola, pecuário, pesqueiro, logístico e comercial, com particular referência à capacidade de produção de energia associada à Hidroeléctrica de Cahora Bassa e a outros projectos hidroeléctricos, bem como à riqueza mineral existente na região.

Para o Presidente moçambicano, a localização geográfica de Tete representa uma vantagem estratégica para a integração económica regional, por estabelecer ligações entre Moçambique, Zimbabwe, Zâmbia e Malawi, aproximando os países do interior da África Austral dos corredores de transporte e dos portos moçambicanos.

“Tete não está na periferia de Moçambique. Tete está no centro de uma geografia económica que liga o interior da África Austral ao Oceano Índico”, afirmou, defendendo que esta posição deve ser aproveitada para consolidar a província como uma plataforma de investimento, produção, comércio e integração regional.

Processamento local como prioridade

Daniel Chapo considerou que a abundância de recursos naturais não garante, por si só, o desenvolvimento económico, sublinhando a importância de criar capacidade industrial para transformar matérias-primas em produtos acabados, empresas, empregos, conhecimento e receitas para o Estado.

Neste sentido, defendeu uma abordagem centrada na industrialização e no processamento local dos recursos, de forma a aumentar o valor acrescentado da produção nacional e reduzir a dependência da exportação de matérias-primas sem transformação.

“Não queremos apenas carvão que sai. Queremos indústria que fica. Não queremos apenas energia que atravessa fronteiras, mas energia que mova fábricas, irrigue campos, conserve alimentos e crie novas empresas em Moçambique. Não queremos apenas produtos agrícolas, mas agro-indústria. Não queremos apenas minerais, mas cadeias de valor”, sublinhou.

O governante defendeu igualmente que os grandes investimentos realizados na província devem contribuir para o desenvolvimento de pequenas e médias empresas moçambicanas, através da contratação de fornecedores nacionais, da transferência de tecnologia, da formação profissional e da criação de oportunidades de emprego.

Segundo o Chefe do Estado, a estratégia de desenvolvimento de Tete deve permitir que a exploração dos recursos naturais produza benefícios duradouros para a economia e para as comunidades locais, através da criação de actividades produtivas capazes de gerar rendimento e estimular o empreendedorismo.

Governo anuncia medidas para facilitar investimentos

Durante a sua intervenção, Daniel Chapo reiterou o compromisso do Governo moçambicano em continuar a melhorar o ambiente de negócios, tornando-o mais previsível, competitivo, transparente e favorável à concretização de investimentos.

Neste âmbito, anunciou a criação, ao nível da Presidência da República, do Gabinete Central de Reformas e Projectos Estratégicos, que terá a missão de acompanhar reformas e grandes projectos de investimento, identificar constrangimentos e contribuir para a remoção de obstáculos que atrasam a sua implementação.

O Presidente afirmou que Moçambique pretende atrair investimentos nacionais e estrangeiros capazes de mobilizar capital, tecnologia, conhecimento, acesso a mercados, capacidade de gestão e inovação.

Entretanto, salientou que os projectos devem assumir compromissos concretos com a formação dos jovens, a criação de empregos, o desenvolvimento de fornecedores nacionais, a protecção ambiental e o estabelecimento de relações responsáveis com as comunidades.

Dirigindo-se aos empresários moçambicanos, Daniel Chapo defendeu que a entrada de capital estrangeiro deve reforçar a capacidade empresarial nacional, em vez de a substituir.

Para o efeito, apelou ao desenvolvimento de empresas locais capazes de estabelecer consórcios, fornecer bens e serviços aos grandes empreendimentos, absorver novas tecnologias, conquistar mercados e expandir as suas actividades para além das fronteiras nacionais.

Comunidades devem beneficiar do crescimento económico

O Chefe do Estado defendeu também uma participação mais efectiva das comunidades no processo de desenvolvimento, com destaque para a criação de oportunidades destinadas aos jovens, a integração económica das mulheres e o fortalecimento dos fornecedores locais.

Na perspectiva do Presidente, a participação destes grupos é fundamental para assegurar que os benefícios dos investimentos sejam distribuídos de forma mais ampla e contribuam para a melhoria das condições de vida das famílias.

Daniel Chapo considerou que o sucesso da Conferência Internacional de Investimentos de Tete não deverá ser avaliado apenas pelo número de participantes ou pela qualidade dos debates, mas, sobretudo, pelos resultados concretos alcançados após o encontro.

Entre os resultados esperados, apontou o avanço de projectos, a concretização de investimentos, a criação de empresas, a mobilização de financiamento, a geração de empregos e o surgimento de novas oportunidades económicas para a população.

Conferência debate oportunidades em sectores estratégicos

O programa da Conferência Internacional de Investimentos de Tete 2026 contempla debates sobre energia e recursos minerais, agricultura, agro-processamento, turismo, capital humano, infra-estruturas, financiamento e ambiente de negócios.

A iniciativa inclui igualmente encontros entre investidores e promotores de projectos, visitas a empreendimentos, sessões de relacionamento empresarial e a assinatura de memorandos.

No encerramento dos trabalhos, deverá ser produzida a Declaração de Tete, documento destinado a reunir as principais recomendações e os compromissos assumidos pelos participantes. O desafio, segundo a orientação apresentada pelo Chefe do Estado, será converter as intenções manifestadas durante o encontro em medidas concretas, mensuráveis e passíveis de acompanhamento.

Ao concluir a sua intervenção, Daniel Chapo lançou um apelo aos investidores nacionais e internacionais para que aproveitem as oportunidades económicas da província e contribuam para o desenvolvimento produtivo do país.

“Olhem para Tete. Conheçam Tete. Invistam em Tete. Produzam em Moçambique. Cresçam com Moçambique”, declarou o Presidente da República, antes de abrir oficialmente a Conferência Internacional de Investimentos de Tete 2026.

Mais Artigos