A mobilização de investimento privado para acelerar o desenvolvimento económico dos países africanos de língua portuguesa estará no centro do Fórum de Investimento da África Lusófona 2026, que se realiza a 26 e 27 de outubro, na ilha do Sal, em Cabo Verde. Organizado pela Corporação Financeira Internacional (IFC), membro do Grupo Banco Mundial, o encontro pretende aproximar investidores, empresas, instituições financeiras e decisores públicos, promovendo oportunidades de negócio e a concretização de projetos em setores estratégicos.
A dimensão da intervenção da IFC na região reflete-se nos seus compromissos de investimento. De acordo com os dados da instituição, o montante total ascende a 1.179,51 milhões de dólares nos cinco países lusófonos apresentados: 836,6 milhões em Moçambique, 199,71 milhões em Cabo Verde, 138 milhões em Angola, três milhões em São Tomé e Príncipe e 2,2 milhões na Guiné-Bissau. Estes valores ilustram a presença da IFC na região e o seu papel na mobilização de capital privado para apoiar o desenvolvimento económico.
O encontro tem como tema «Investir na África Lusófona: Potenciar Corredores, Desenvolver o Agronegócio e Impulsionar um Turismo Sustentável». O objetivo é reforçar a cooperação económica entre os mercados da região e criar condições para transformar o potencial existente em investimento efetivo.
Segundo a organização, Angola, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe representam, em conjunto, um mercado de aproximadamente 90 milhões de pessoas e um produto interno bruto agregado superior a 350 mil milhões de dólares. A dimensão deste espaço económico oferece oportunidades em áreas como as infraestruturas, a logística, a produção agrícola, a transformação industrial e o turismo.
Infraestruturas, agricultura e turismo em destaque
O desenvolvimento de corredores logísticos constitui um dos eixos centrais do Fórum. A melhoria das ligações de transporte e da capacidade de circulação de mercadorias é considerada fundamental para reduzir custos, facilitar o comércio e aumentar a competitividade das economias africanas. O investimento em infraestruturas poderá também favorecer a integração dos mercados e o desenvolvimento de cadeias de valor regionais.
O agronegócio surge como outra área prioritária, num contexto em que a modernização da produção agrícola, o acesso a financiamento e o reforço das capacidades de transformação e distribuição podem contribuir para criar novas oportunidades empresariais. Em Moçambique, a IFC financiou a Higest em 4,2 milhões de dólares, numa operação ligada ao setor agroalimentar. A aposta neste setor permite, igualmente, explorar o potencial de criação de emprego e de desenvolvimento de atividades económicas ligadas à produção de alimentos.
No turismo, a iniciativa pretende promover projetos que conciliem o crescimento da atividade com a sustentabilidade ambiental e a valorização dos recursos locais. Em Cabo Verde, a IFC concedeu um financiamento de 35 milhões de euros à Oásis, reforçando o acesso a capital para o desenvolvimento empresarial no arquipélago. Para destinos como Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, o setor representa uma oportunidade de atrair capital, diversificar a oferta e reforçar a ligação entre a atividade turística e as economias nacionais.
Da apresentação de oportunidades à concretização de negócios
O Fórum pretende ir além da discussão sobre o potencial dos mercados, criando condições para aproximar promotores de projetos e fontes de financiamento. A identificação de oportunidades concretas, o contacto com entidades públicas e a partilha de informação sobre as condições de investimento deverão facilitar a avaliação de novos negócios e o estabelecimento de parcerias.
O programa contempla sessões plenárias, painéis temáticos e momentos de contacto entre investidores, empresas e representantes institucionais. Estão igualmente previstos encontros empresariais e oportunidades de diálogo com entidades ligadas à promoção do investimento, ao enquadramento regulatório e ao desenvolvimento económico.
Esta aproximação é particularmente relevante em mercados onde a disponibilidade de oportunidades nem sempre se traduz em projetos financiáveis. A preparação técnica dos investimentos, a previsibilidade regulatória, o acesso a instrumentos financeiros e a capacidade de gerir o risco são fatores determinantes para atrair capital privado, sobretudo para iniciativas de maior dimensão e com horizontes de retorno mais longos.
A participação de instituições financeiras de desenvolvimento e de entidades com experiência no financiamento e na mitigação de riscos poderá contribuir para o debate sobre os mecanismos necessários à concretização dos projetos. As parcerias público-privadas, o financiamento de infraestruturas e a mobilização de investidores internacionais assumem, neste contexto, particular importância.
Um mercado regional com ambição de crescimento
A realização do encontro reflete a ambição de dar maior visibilidade às oportunidades económicas da África lusófona e de reforçar a articulação entre os seus mercados. Apesar das diferenças de dimensão, estrutura económica e enquadramento institucional, os seis países partilham desafios relacionados com a diversificação das economias, o desenvolvimento das infraestruturas e a atração de investimento produtivo.
A criação de ligações entre empresas, investidores e instituições poderá favorecer a circulação de capital, conhecimento e tecnologia, contribuindo para desenvolver novas atividades económicas e ampliar o acesso a mercados.
Na ilha do Sal, o desafio será transformar o interesse internacional em compromissos concretos e projetos capazes de gerar valor a longo prazo. Para os países participantes, a capacidade de oferecer oportunidades bem estruturadas, condições competitivas e um enquadramento favorável ao investimento será decisiva para converter o potencial da região em crescimento sustentável.
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