Josefa Sacko propõe mobilizar 10 mil milhões de dólares para investimentos agroalimentares na FAO

A candidata angolana ao cargo de directora-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), embaixadora Josefa Sacko, propôs a mobilização de 10 mil milhões de dólares para financiar projectos agroalimentares, no âmbito de uma estratégia de renovação institucional orientada para o combate à fome e a promoção do desenvolvimento sustentável.…
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Candidata angolana à direcção-geral da organização defende uma renovação assente em resultados concretos, financiamento sustentável, inteligência artificial e reforço da resiliência climática.
Economia

A candidata angolana ao cargo de directora-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), embaixadora Josefa Sacko, propôs a mobilização de 10 mil milhões de dólares para financiar projectos agroalimentares, no âmbito de uma estratégia de renovação institucional orientada para o combate à fome e a promoção do desenvolvimento sustentável.

A proposta foi apresentada na segunda-feira, 12 de Outubro, em Roma, Itália, durante a apresentação da sua candidatura à liderança da organização, ocasião em que defendeu uma FAO mais ágil, tecnicamente independente, próxima dos Estados-Membros e capaz de transformar os compromissos internacionais em resultados concretos para as populações.

A visão da diplomata angolana centra-se no reforço da capacidade de resposta da instituição aos desafios da insegurança alimentar, das alterações climáticas, da degradação dos solos, da gestão dos recursos hídricos e das dificuldades de acesso ao financiamento para o desenvolvimento agroalimentar.

Segundo Josefa Sacko, os conhecimentos científicos, a tecnologia e os recursos disponíveis a nível mundial devem traduzir-se em benefícios concretos para agricultores, pescadores, pastores e famílias que dependem da agricultura e de actividades conexas para a sua subsistência.

Pactos nacionais para combater a fome

Entre as principais propostas apresentadas pela candidata está a criação de pactos voluntários de resultados para países livres da fome, com metas definidas pelos próprios Estados e uma carteira integrada de investimentos.

A iniciativa prevê uma articulação de responsabilidades entre a FAO, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), o Programa Alimentar Mundial (PAM) e outros parceiros de desenvolvimento, com o objectivo de melhorar a coordenação dos recursos e acelerar a execução de projectos.

A meta inicial consiste em estabelecer 50 pactos nos primeiros 24 meses de mandato, assegurando que pelo menos 60% incluam objectivos explícitos de resiliência climática.

A proposta pretende reforçar a participação dos países na definição das prioridades, associando os compromissos assumidos a resultados mensuráveis e a mecanismos de acompanhamento.

Inteligência artificial e dados agroalimentares

No domínio da inovação, Josefa Sacko defendeu o reforço da capacidade científica e estatística da FAO, através da criação de uma plataforma comum de inteligência artificial e dados agroalimentares.

A ferramenta deverá contribuir para melhorar os sistemas de alerta precoce, o aconselhamento agrícola e o planeamento dos investimentos, permitindo uma utilização mais eficiente da informação na definição de políticas públicas e na prevenção de crises alimentares.

A candidata propôs igualmente um pacto de renovação para os primeiros 100 dias de mandato, a ser elaborado em conjunto com os Estados-Membros, a direcção e os funcionários da organização. A iniciativa visa identificar e eliminar constrangimentos ao funcionamento institucional, tornando os processos internos mais eficientes.

Financiamento sustentável e parcerias

A diversificação das fontes de financiamento constitui outro dos eixos da proposta de renovação. Josefa Sacko considerou fundamental reforçar a mobilização de recursos internos e alinhar os orçamentos nacionais e os bancos públicos de desenvolvimento com os investimentos necessários para combater a fome.

A diplomata defendeu ainda o aprofundamento da cooperação Sul-Sul e triangular, bem como o estabelecimento de parcerias transparentes com o sector privado, de modo a ampliar a capacidade de financiamento dos programas de desenvolvimento agroalimentar.

Com base na iniciativa Mão na Mão (Hand-in-Hand), a candidata propôs a criação, durante o primeiro mandato, de uma plataforma global de preparação de investimentos agroalimentares. A meta é transformar os planos nacionais em programas financiáveis e capazes de atrair investimentos para uma carteira de projectos avaliada em 10 mil milhões de dólares.

A iniciativa procura aproximar as prioridades de desenvolvimento dos países das fontes de financiamento disponíveis, criando condições para mobilizar capital destinado à transformação dos sistemas agroalimentares.

Candidatura africana com dimensão global

Ao apresentar-se como candidata africana ao serviço de todos os Estados-Membros, Josefa Sacko destacou a contribuição de África para a construção de soluções globais, valorizando a experiência, a inovação e a resiliência do continente.

A diplomata defendeu uma abordagem baseada na equidade e na responsabilidade partilhada entre as diferentes regiões, sublinhando a importância de uma organização capaz de responder às necessidades específicas dos países sem perder de vista os objectivos globais de desenvolvimento.

No final da apresentação, apelou à confiança dos Estados-Membros numa FAO renovada, com maior proximidade aos países, financiamento sustentável a longo prazo e capacidade reforçada para cumprir o seu mandato de promover uma melhor produção, melhor nutrição, melhor ambiente e melhor qualidade de vida para todos. “Juntos, podemos passar do conhecimento à concretização de resultados”, afirmou Josefa Sacko.

 

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