A transformação digital, a análise de crédito e os desafios regulamentares estiveram entre os principais temas abordados por Carlos Tenreiro, partner da Innovation Makers, durante a sua intervenção no Angola Reimagine Banking Forum, encontro realizado esta Quarta-feira, 14, em Luanda, e dedicado à reflexão sobre os desafios e as oportunidades de modernização do sector bancário e de financiamento da economia.
Durante a apresentação, o responsável destacou a complexidade dos processos bancários, sobretudo no que diz respeito à concessão de crédito, à avaliação contínua dos clientes e ao cumprimento das exigências regulamentares.
Neste contexto, Carlos Tenreiro afirma que a adopção de soluções tecnológicas surge como uma oportunidade para simplificar procedimentos, melhorar a eficiência operacional e acelerar a resposta das instituições financeiras às necessidades dos seus clientes.
“A análise de crédito continua a constituir uma das etapas fundamentais da actividade bancária, exigindo a recolha e a verificação de informações, a avaliação do histórico financeiro dos clientes e a utilização de mecanismos de controlo capazes de reduzir os riscos associados ao financiamentoˮ, ressaltou.
Embora essenciais para a segurança das operações, Carlos Tenreiro sublinha que estes procedimentos podem tornar os processos mais demorados, especialmente quando dependem de sistemas pouco integrados ou de intervenções manuais.
Neste cenário, defende que a inovação tecnológica assume um papel cada vez mais relevante na modernização das instituições financeiras, permitindo desenvolver soluções orientadas para a automatização de tarefas, a melhoria da gestão da informação e a optimização dos processos de tomada de decisão.
Digitalização para melhorar os serviços bancários
O partner da Innovation Makers salienta que a utilização de smartphones, plataformas digitais e sistemas automatizados está a transformar a relação entre os bancos e os seus clientes, criando novas possibilidades de atendimento e facilitando o acesso a diferentes serviços financeiros.
A digitalização, segundo considerou, permite reduzir determinadas etapas operacionais, melhorar o acompanhamento dos pedidos e tornar a comunicação entre as instituições e os utilizadores mais rápida e eficiente.
Entretanto, considera que a implementação destas ferramentas exige uma integração adequada dos sistemas, a sincronização dos dados e a garantia de que as informações utilizadas nos processos de análise são consistentes, actualizadas e fiáveis.
No seu entender, para as instituições bancárias, o desafio consiste em assegurar que a modernização tecnológica se traduza em melhorias concretas na experiência do cliente, sem comprometer a segurança das operações nem a qualidade das decisões financeiras.
A automatização das comunicações e o acompanhamento dos processos constituem, igualmente, componentes importantes desta transformação, sobretudo em operações que exigem respostas céleres e uma gestão rigorosa da informação.
Gestão de risco e conformidade regulamentar
A modernização dos serviços bancários exige também uma articulação permanente entre inovação, gestão de risco e cumprimento das normas regulamentares.
De acordo ainda com o partner da Innovation Makers, as instituições financeiras precisam de assegurar que os novos sistemas e modelos operacionais respeitam os requisitos de supervisão, protecção de dados e controlo interno aplicáveis ao sector.
A análise dos indicadores financeiros, dos relatórios de risco e do histórico dos clientes permanece essencial para avaliar a capacidade de reembolso e apoiar as decisões de concessão de crédito. Neste sentido, as soluções digitais podem contribuir para melhorar a organização da informação e reforçar a capacidade de acompanhamento das operações.

“No entanto, a tecnologia, por si só, não elimina os riscos inerentes à actividade bancária. A sua eficácia depende da qualidade dos dados disponíveis, da adequação dos mecanismos de controlo e da capacidade das instituições para integrar as ferramentas digitais nos procedimentos existentesˮ, disse.
A conformidade regulamentar, neste contexto, deve ser considerada desde a concepção das soluções tecnológicas, permitindo conciliar a inovação com a segurança e a sustentabilidade da actividade financeira.
Capacitação dos profissionais e eficiência operacional
Outro aspecto relevante para a transformação do sector está relacionado com a preparação dos recursos humanos. A introdução de novas ferramentas exige profissionais capazes de acompanhar a evolução tecnológica, interpretar informação financeira e colaborar na implementação de soluções orientadas para a melhoria dos serviços.
Carlos Tenreiro reforçou que a coordenação entre as áreas operacionais, tecnológicas e de gestão de risco é igualmente determinante para garantir que os projectos de transformação digital produzem resultados efectivos.
“A avaliação dos indicadores de desempenho, da evolução dos activos e da quota de mercado pode, por sua vez, ajudar as instituições a identificar oportunidades de crescimento, medir os resultados das estratégias adoptadas e ajustar os seus modelos de negócio às exigências do mercadoˮ, acrescentou.
Neste processo, apontou, a inovação deve ser acompanhada por mudanças organizacionais e pela actualização das competências das equipas, de modo a assegurar uma transição eficiente para modelos de funcionamento mais digitais e integrados.
Inovação e financiamento da economia
A discussão promovida no Angola Reimagine Banking Forum enquadra-se no debate sobre o contributo da tecnologia para o desenvolvimento do sistema financeiro e para o reforço da capacidade de financiamento da economia.
O responsável ressaltou que a modernização dos bancos pode contribuir para tornar os serviços mais acessíveis, melhorar a eficiência dos processos e criar condições para uma relação mais dinâmica entre as instituições financeiras, as empresas e os particulares.
Para economias que procuram diversificar as suas fontes de financiamento e ampliar o acesso aos serviços financeiros, detalhou, a transformação digital representa uma oportunidade para desenvolver modelos de negócio mais ágeis, desde que acompanhados por mecanismos sólidos de controlo, segurança e supervisão.
A consolidação desta transformação dependerá da capacidade das instituições para conciliar tecnologia, gestão de risco, conformidade regulamentar e qualificação dos recursos humanos. Estes factores serão determinantes para reforçar a confiança dos clientes, melhorar a competitividade dos bancos e responder às crescentes exigências do mercado financeiro.





