A Associação de Empresas Autóctones para a Indústria Petrolífera de Angola (ASSEA) reuniu-se recentemente com Alioune Sourang, country manager da Shell Angola, para reforçar o diálogo sobre a integração do Conteúdo Local no desenvolvimento dos Blocos 8 e 22, no offshore angolano, com particular atenção às oportunidades de contratação para empresas nacionais.
O encontro enquadra-se no acompanhamento da evolução dos dois blocos, cuja estrutura de participação foi acordada a 10 de Setembro de 2026, entre a QatarEnergy, a Shell e a Sonangol E&P, num acordo celebrado com a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG).
Nos termos da estrutura anunciada, a Shell assume o papel de operadora, com uma participação de 50%, enquanto a QatarEnergy detém 30% e a Sonangol E&P participa com 20%.
Os blocos encontram-se em fase de exploração. Até ao momento, não foram divulgados o programa de trabalhos, o calendário de aquisição sísmica e perfuração, os montantes de investimento comprometidos ou a identificação dos empreiteiros.
O acordo permanece sujeito às aprovações governamentais e à formalização da documentação contratual definitiva.
Conteúdo Local no centro do diálogo
Durante o encontro com a Shell Angola, a ASSEA sublinhou a importância de integrar os requisitos de Conteúdo Local desde as fases iniciais de planeamento dos projectos, de modo a permitir que as empresas angolanas tenham maior visibilidade sobre as futuras oportunidades de fornecimento de bens e prestação de serviços.
A associação propôs igualmente dar continuidade ao diálogo com as equipas de Conteúdo Local e Procurement da petrolífera, com enfoque na divulgação do pipeline de projectos, nas categorias de contratação previstas e nos calendários de qualificação de fornecedores.
O desenvolvimento de fornecedores nacionais, a formação de consórcios empresariais, a transferência de tecnologia e conhecimento e a definição de condições de pagamento sustentáveis para as empresas angolanas também integram os pontos identificados para o aprofundamento da cooperação.
A iniciativa pretende contribuir para que os operadores e parceiros da indústria petrolífera considerem, desde a fase de preparação dos projectos, a capacidade instalada das empresas nacionais e as possibilidades de reforço da sua participação na cadeia de valor do sector.
Blocos 8 e 22 podem gerar oportunidades para fornecedores nacionais
À medida que os projectos avancem para as fases de execução, poderão surgir oportunidades em diferentes segmentos da cadeia de fornecimento da indústria petrolífera.
Entre as áreas potencialmente abrangidas estão a aquisição e o reprocessamento de dados sísmicos, os estudos ambientais e geotécnicos, os serviços de logística, as bases de apoio operacional, o transporte, a segurança, a saúde e segurança no trabalho e a protecção ambiental (HSE), o recrutamento e o fornecimento de equipamentos e soluções técnicas.
Numa fase posterior, poderão igualmente surgir oportunidades associadas aos serviços de perfuração e de poços, dependendo do programa de trabalhos que vier a ser aprovado e das necessidades operacionais dos blocos.
Para as empresas nacionais, a antecipação dos requisitos técnicos, dos procedimentos de qualificação e dos calendários de contratação poderá ser determinante para preparar candidaturas e estabelecer parcerias adequadas às exigências dos operadores.
Participação da Sonangol E&P não garante contratos nacionais
A participação de 20% da Sonangol E&P nos Blocos 8 e 22 confere particular relevância ao projecto no contexto da participação nacional na indústria petrolífera.
Contudo, essa posição accionista não representa uma alteração ao Decreto Presidencial n.º 271/20, de 20 de Outubro, que estabelece o regime jurídico aplicável ao Conteúdo Local no sector dos petróleos, nem significa, por si só, que 20% das contratações serão destinadas a empresas angolanas.
A participação accionista de uma empresa nacional e a contratação de prestadores de serviços são dimensões distintas.
Por essa razão, a materialização dos benefícios para o tecido empresarial angolano dependerá também das políticas de contratação, dos requisitos de qualificação, das oportunidades efectivamente disponibilizadas e da capacidade de resposta dos fornecedores locais.
Neste contexto, o diálogo entre a ASSEA e a Shell Angola procura promover condições para uma participação mais efectiva das empresas nacionais, através do acesso atempado à informação e do desenvolvimento de capacidades técnicas e empresariais.
A ASSEA reafirma que continuará a acompanhar a evolução dos Blocos 8 e 22 e a manter os seus associados informados sobre os desenvolvimentos e as oportunidades relevantes, defendendo uma integração do Conteúdo Local que contribua para o fortalecimento das empresas angolanas e para a criação de valor na economia nacional.





