O Brasil e Cabo Verde identificaram novas oportunidades para aprofundar as relações de cooperação bilateral, com destaque para os sectores aduaneiro, do agronegócio e da transição climática, à margem das Reuniões Anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, realizadas de 12 a 18 de Outubro, em Banguecoque, capital da Tailândia.
A perspectiva foi avançada pelo secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda do Brasil, Mathias de Alencastro, após um encontro com a delegação cabo-verdiana, durante o qual foram analisadas possibilidades de reforço da colaboração técnica e institucional entre os dois países.
Segundo o responsável brasileiro, a reunião permitiu identificar áreas concretas de cooperação, assentes na assistência técnica, na partilha de experiências, na transferência de conhecimentos e na utilização de instrumentos desenvolvidos pelo Brasil que possam ser adaptados às necessidades de Cabo Verde.
No domínio da transição climática, Mathias de Alencastro destacou as iniciativas e os mecanismos inovadores promovidos pelo Ministério da Fazenda brasileiro nos últimos quatro anos, manifestando o interesse em partilhar essas experiências com as autoridades cabo-verdianas e explorar oportunidades capazes de gerar benefícios económicos mútuos.
A cooperação aduaneira e o agronegócio constituem igualmente áreas de interesse estratégico, com potencial para contribuir para o reforço das capacidades técnicas e institucionais, a modernização dos procedimentos e a identificação de soluções ajustadas às realidades económicas dos dois países.
A aproximação procura, assim, transformar os laços históricos e culturais entre Brasil e Cabo Verde em iniciativas concretas de cooperação económica, transferência de tecnologia e desenvolvimento institucional.
Cooperação nas instituições internacionais
Na vertente multilateral, o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda do Brasil sublinhou a convergência de posições entre os dois países em matérias relacionadas com a transição climática, o desenvolvimento de infra-estruturas e a melhoria das condições de mobilidade e acessibilidade.
Apesar das diferenças de dimensão territorial e económica, Mathias de Alencastro considerou que Brasil e Cabo Verde podem reforçar a sua capacidade de intervenção internacional através da articulação de posições e de uma actuação conjunta nas principais instituições financeiras internacionais.
“O Brasil só é relevante quando trabalha junto com países como Cabo Verde”, afirmou o responsável, defendendo que a cooperação entre os dois Estados pode contribuir para promover reformas no FMI e noutras instituições internacionais, em benefício dos interesses comuns.
Na sua perspectiva, a articulação entre países com realidades distintas representa uma oportunidade para ampliar a representatividade das suas prioridades e preocupações no cenário internacional, sobretudo num contexto marcado pelos desafios do financiamento climático e do desenvolvimento sustentável.
Mathias de Alencastro destacou ainda o reconhecimento e a legitimidade de Cabo Verde no sistema internacional, realçando o papel do país no trabalho desenvolvido junto do FMI e a sua participação em espaços de cooperação para além do sistema das Nações Unidas.
A posição brasileira evidencia a importância atribuída à construção de alianças entre países que partilham preocupações relacionadas com as vulnerabilidades climáticas, o desenvolvimento sustentável e a necessidade de melhorar a capacidade de resposta das instituições financeiras internacionais.
O encontro entre as delegações brasileira e cabo-verdiana abre, deste modo, perspectivas para o aprofundamento de uma agenda bilateral que integra assistência técnica, modernização aduaneira, desenvolvimento do agronegócio, financiamento climático e defesa de prioridades económicas comuns nos fóruns internacionais.





