Cabo Verde defende maior acesso ao crédito e investimento privado para criar empregos sustentáveis

O ministro da Coordenação de Projectos Especiais e Acesso a Fundos de Cabo Verde, José Carlos Moniz Varela, defendeu, durante os encontros anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, a mobilização do investimento privado, a facilitação do acesso ao crédito e a simplificação dos procedimentos administrativos como medidas essenciais para impulsionar a…
ebenhack/AP
Ministro da Coordenação de Projectos Especiais e Acesso a Fundos de Cabo Verde chamou a atenção para a dimensão do desafio do emprego juvenil, num contexto em que se prevê a entrada de cerca de 1,2 mil milhões de jovens no mercado de trabalho.
Economia

O ministro da Coordenação de Projectos Especiais e Acesso a Fundos de Cabo Verde, José Carlos Moniz Varela, defendeu, durante os encontros anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, a mobilização do investimento privado, a facilitação do acesso ao crédito e a simplificação dos procedimentos administrativos como medidas essenciais para impulsionar a criação de empregos sustentáveis e ampliar as oportunidades para os jovens cabo-verdianos.

A posição foi apresentada durante a participação de Cabo Verde nos painéis “Unlocking Investment Opportunities in Emerging Markets to Create Jobs” (Desbloquear oportunidades de investimento nos mercados emergentes para criar empregos) e “Ministerial Roundtable: Accelerating Implementation for More and Better Jobs” (Mesa-redonda ministerial: acelerar a implementação para mais e melhores empregos), realizados no âmbito dos encontros anuais das duas instituições financeiras internacionais.

Os debates centraram-se na necessidade de reforçar o envolvimento do sector privado, mobilizar investimentos e criar condições favoráveis à geração de empregos sustentáveis e de qualidade, com particular atenção à juventude e à promoção de um crescimento económico mais inclusivo.

Segundo José Carlos Moniz Varela, uma das principais conclusões dos encontros é que o crescimento económico, embora indispensável, não é suficiente quando não se traduz na criação de postos de trabalho capazes de melhorar as condições de vida da população e oferecer perspectivas de futuro aos jovens.

O governante chamou a atenção para a dimensão do desafio do emprego juvenil, num contexto em que se prevê a entrada de cerca de 1,2 mil milhões de jovens no mercado de trabalho a nível mundial nos próximos anos. Cabo Verde enfrenta igualmente a necessidade de criar oportunidades para a sua população jovem, de modo a responder às expectativas sociais e às exigências do desenvolvimento económico nacional.

Neste contexto, recordou a posição do primeiro-ministro, Francisco Carvalho, segundo a qual o emprego constitui o primeiro e o maior projecto social de Cabo Verde, defendendo a criação de oportunidades de trabalho dignas, estáveis e sustentáveis.

O ministro sublinhou, igualmente, a importância de aprofundar a articulação entre o Governo e o sector privado, de forma a ampliar o investimento e estimular a criação de emprego. Alertou ainda para a saída de jovens qualificados do país, fenómeno que representa uma perda de capital humano e de capacidade produtiva, com repercussões tanto no mercado de trabalho como no consumo interno.

Acesso ao crédito e simplificação administrativa

Para acelerar a concretização de investimentos e promover a criação de empregos de maior qualidade, José Carlos Moniz Varela defendeu a necessidade de tornar o crédito mais acessível e menos oneroso, bem como de desenvolver projectos bancáveis nos sectores público e privado.

Na sua perspectiva, a melhoria das condições de financiamento deve ser acompanhada pela simplificação e aceleração dos procedimentos administrativos relacionados com os investimentos, criando um ambiente mais favorável à constituição de empresas e à concretização de iniciativas empresariais.

O governante considerou que a redução dos obstáculos burocráticos e a melhoria do acesso aos recursos financeiros são fundamentais para permitir que os jovens desenvolvam os seus projectos profissionais e empresariais em Cabo Verde.

A estratégia, segundo explicou, deverá contribuir para que mais jovens permaneçam no país, coloquem as suas competências ao serviço da economia nacional e participem activamente no desenvolvimento, quer através da integração no mercado de trabalho, quer por meio do empreendedorismo e da criação de negócios sustentáveis.

Agricultura, pecuária e pescas como fontes de emprego

O desenvolvimento do sector primário, com destaque para a agricultura, a pecuária e as pescas, foi igualmente apontado pelo ministro como uma prioridade para dinamizar a economia, revitalizar as comunidades rurais e gerar empregos formais e melhor remunerados.

Para transformar o potencial destes sectores em oportunidades concretas de rendimento e desenvolvimento, José Carlos Moniz Varela defendeu a criação de instrumentos financeiros adequados, linhas de crédito direccionadas e um enquadramento legislativo que facilite o acesso ao financiamento, a constituição de empresas e o desenvolvimento de cooperativas.

O governante considera que o reforço destas condições poderá estimular a actividade económica nas zonas rurais, diversificar as fontes de rendimento das famílias e contribuir para uma distribuição mais abrangente das oportunidades de emprego.

Questionado sobre o programa AgriConnect, do Banco Mundial, cuja implementação deverá arrancar em 2027, o ministro confirmou o interesse do Governo cabo-verdiano em aproveitar a iniciativa, tendo em conta a importância estratégica da agricultura e do sector primário para o desenvolvimento do arquipélago.

José Carlos Moniz Varela destacou, por fim, a intenção do Governo de mobilizar os instrumentos técnicos e financeiros disponibilizados pelos parceiros internacionais, particularmente pelo Banco Mundial, para reforçar o investimento na agricultura e noutros sectores prioritários.

A participação de Cabo Verde nos encontros anuais do FMI e do Banco Mundial enquadra-se, assim, nos esforços de identificação de mecanismos de financiamento, reforço da parceria público-privada e promoção de políticas capazes de transformar o crescimento económico em mais emprego, rendimento e oportunidades para a população, sobretudo para os jovens.

Mais Artigos