A Guiné-Bissau está a reforçar as suas infra-estruturas rodoviárias e energéticas, com um investimento de 21 mil milhões de francos CFA, cerca de 30 milhões de euros, na construção da estrada circular sul de Bissau e na reabilitação da secção urbana da ligação Bissau–Nhacra, enquanto a inauguração do fornecimento de electricidade da Organização para a Valorização do Rio Gâmbia (OMVG) em Catió abre novas perspectivas para a economia da região de Tombali.
O lançamento da duas iniciativas, presididas pelo primeiro-ministro, Ilídio Vieira Té, a 16 e 17 de Outubro, respectivamente, incidem sobre sectores considerados essenciais para a modernização do país, a melhoria da mobilidade, o funcionamento dos serviços públicos e a criação de condições para o desenvolvimento da actividade empresarial.
Na sexta-feira, 16 de Outubro, o chefe do Governo presidiu, em Bissau, à cerimónia de lançamento da primeira pedra das obras da circular sul da capital e de reabilitação da secção urbana da estrada Bissau–Nhacra.
Financiado pelo Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico em África (BADEA), o projecto abrange 13,9 quilómetros de vias rodoviárias, dos quais 11,2 quilómetros correspondem à circular sul, com um prazo de execução previsto de 18 meses.
O investimento representa uma aposta na melhoria das condições de circulação numa capital onde a qualidade das ligações rodoviárias é determinante para a mobilidade das pessoas, o transporte de mercadorias e o funcionamento das actividades económicas.
A concretização das obras poderá contribuir para tornar as deslocações mais eficientes e facilitar a ligação entre diferentes zonas urbanas, embora os resultados dependam do cumprimento dos prazos, da qualidade da execução e da manutenção futura das infra-estruturas.
Durante a cerimónia, Ilídio Vieira Té atribuiu a concretização do projecto à credibilidade e à confiança que os parceiros internacionais depositam no executivo guineense. O primeiro-ministro apelou igualmente à população para acompanhar a execução dos trabalhos e denunciar eventuais irregularidades, numa mensagem que coloca a fiscalização pública entre os factores relevantes para a boa aplicação dos recursos mobilizados.
O governante anunciou ainda que as obras da estrada Safim–Jugudul deverão arrancar em breve. A intervenção, quando concretizada, deverá reforçar a rede rodoviária nacional e melhorar as ligações entre localidades, num país onde a qualidade das estradas condiciona a circulação de pessoas e bens e pode influenciar os custos de transporte e o acesso aos mercados.

Electricidade abre perspectivas para a economia de Tombali
No sábado, 17 de Outubro, Ilídio Vieira Té deslocou-se a Catió, capital da região de Tombali, para inaugurar o fornecimento de electricidade proveniente da OMVG. A cerimónia contou com uma expressiva participação popular e assinalou simbolicamente a entrada em funcionamento do abastecimento eléctrico, com o primeiro-ministro a accionar os interruptores que marcaram o momento.
Acompanhado por altos responsáveis governamentais, entre os quais os ministros da Energia e da Administração Territorial, o chefe do Governo destacou a importância da iniciativa para as populações do sul do país, considerando que o acesso à energia cria oportunidades para dinamizar a economia regional, melhorar os serviços públicos e estabelecer novas condições para o desenvolvimento.
Tombali, reconhecida pelo seu potencial agrícola e considerada um dos celeiros da Guiné-Bissau, poderá beneficiar particularmente desta infra-estrutura. A disponibilidade de electricidade poderá facilitar a conservação de produtos agrícolas, reduzir limitações ao seu armazenamento e criar melhores condições para o desenvolvimento de actividades de transformação local. Estas possibilidades poderão favorecer o comércio, estimular pequenas unidades industriais e contribuir para a criação de emprego.
A electrificação constitui uma condição importante para o desenvolvimento, mas os seus benefícios serão tanto maiores quanto melhor estiver articulada com a produção agrícola, o acesso aos mercados e a criação de oportunidades de negócio.
Os serviços públicos também poderão beneficiar da melhoria do acesso à electricidade. Nas áreas da saúde e da educação, um fornecimento mais fiável pode contribuir para melhores condições de funcionamento das unidades sanitárias e das escolas, apoiando a prestação de serviços essenciais às comunidades.

Protecção das infra-estruturas e estabilidade
Para além da dimensão económica e social da electrificação, Ilídio Vieira Té aproveitou a deslocação a Catió para alertar para os actos de corte de cabos eléctricos, apelando à colaboração dos cidadãos na protecção das infra-estruturas.
“Cortar cabos significa cortar energia. E isso tem de ter fim”, afirmou o primeiro-ministro, defendendo que as pessoas que tenham conhecimento de indivíduos envolvidos nestes actos devem comunicar a informação às autoridades competentes.
O governante associou a preservação das infra-estruturas à necessidade de garantir a paz e a estabilidade no país. “Temos de ter paz neste país. Se não houver paz, não podemos ter luz”, declarou, relacionando a segurança com a continuidade do fornecimento eléctrico e com a capacidade de as comunidades beneficiarem dos investimentos realizados.
A mensagem procurou também valorizar a participação dos cidadãos na vida pública. Ilídio Vieira Té destacou a importância de a população poder participar e testemunhar momentos como a inauguração da electricidade, considerando essa possibilidade uma expressão de liberdade.
Na mesma intervenção, abordou a relação entre os cidadãos e as instituições do Estado, defendendo o respeito pelas autoridades e uma maior confiança nas forças de segurança. “A Justiça funciona na Guiné. Estamos cansados de pancada”, declarou, apelando a uma relação de proximidade entre a população e os agentes policiais.
O apelo à paz e ao respeito pelas instituições foi acompanhado por uma mensagem de união nacional. “A união é para as regiões e para toda a Guiné”, referiu Ilídio Vieira Té, defendendo uma visão de coesão que envolva todas as regiões e populações do país.
Para o primeiro-ministro, o desenvolvimento nacional exige o contributo colectivo dos guineenses, independentemente da sua região de origem. “A Guiné-Bissau precisa de todos para desenvolver”, disse, reforçando a importância da participação dos cidadãos na construção de melhores condições de vida e na criação de novas oportunidades.





