Guiné-Bissau resgata 71 pessoas e detém quatro suspeitos de tráfico humano

As autoridades da Guiné-Bissau resgataram 71 pessoas de várias nacionalidades e detiveram quatro suspeitos no âmbito de uma operação contra uma rede criminosa que prometia facilitar a emigração e a obtenção de emprego no estrangeiro, mas que alegadamente mantinha as vítimas em cativeiro e as obrigava a participar em esquemas de pirâmide. Denominada “ASTRA”, a…
ebenhack/AP
Promessas de emigração para o Canadá, a Europa e os Estados Unidos terão servido para atrair as pessoas para uma rede criminosa na Guiné-Bissau, onde eram alegadamente mantidas contra a vontade e obrigadas a recrutar novas vítimas.
Negócios

As autoridades da Guiné-Bissau resgataram 71 pessoas de várias nacionalidades e detiveram quatro suspeitos no âmbito de uma operação contra uma rede criminosa que prometia facilitar a emigração e a obtenção de emprego no estrangeiro, mas que alegadamente mantinha as vítimas em cativeiro e as obrigava a participar em esquemas de pirâmide.

Denominada “ASTRA”, a operação foi conduzida pela Polícia Judiciária (PJ) guineense, após várias semanas de investigação, e incluiu rusgas a duas casas no norte de Bissau. Segundo a polícia, as vítimas eram atraídas com promessas de oportunidades no Canadá, na Europa e nos Estados Unidos.

De acordo com a PJ, citada pela agência France-Presse (AFP), as pessoas resgatadas são originárias do Mali, da Guiné, do Burquina Faso, do Togo, do Senegal e da Serra Leoa. Depois de chegarem a Bissau, eram alegadamente retidas contra a sua vontade e submetidas a pressão física e psicológica, incluindo ameaças e abusos.

Segundo o agente da PJ António Gomes, citado pela AFP, as vítimas eram ainda forçadas a recrutar outras pessoas através das redes sociais, alimentando os esquemas de pirâmide. Para conferir uma aparência de legitimidade às actividades, os organizadores terão fornecido dados falsos de escritórios no Canadá, nos Estados Unidos e em Portugal.

As informações partilhadas pela Interpol contribuíram para o desmantelamento da rede, que os investigadores suspeitam estar implantada em vários países da sub-região da África Ocidental.

O porta-voz da PJ, Braima Cissé, afirmou que as vítimas serão encaminhadas para as respectivas embaixadas nos países com representação diplomática na Guiné-Bissau. As restantes terão de procurar alternativas para regressar aos países de origem, nomeadamente através do contacto com familiares.

Mais Artigos