Guiné-Bissau prevê mobilizar cerca de 1,7 mil milhões de dólares para executar plano de desenvolvimento até 2030

A Guiné-Bissau prevê mobilizar cerca de 1,7 mil milhões de dólares para financiar a primeira fase do Plano Nacional de Desenvolvimento, referente ao período de 2026 a 2030, avançou, nesta Segunda-feira, 26, Issa Jandi, director Nacional de Planeamento do país, durante o Fórum de Investimento da África Lusófona 2026, que decorre na Ilha do Sal,…
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A execução do plano dependerá da capacidade de mobilizar diferentes fontes de financiamento. Director Nacional de Planeamento diz que o Governo pretende recorrer aos recursos internos, ao financiamento externo em condições concessionais, ao investimento privado e à participação da diáspora.
Economia

A Guiné-Bissau prevê mobilizar cerca de 1,7 mil milhões de dólares para financiar a primeira fase do Plano Nacional de Desenvolvimento, referente ao período de 2026 a 2030, avançou, nesta Segunda-feira, 26, Issa Jandi, director Nacional de Planeamento do país, durante o Fórum de Investimento da África Lusófona 2026, que decorre na Ilha do Sal, em Cabo Verde.

Ao intervir no painel “Investir na Guiné-Bissau — Desbloquear Oportunidades de Investimento num Ambiente de Negócios em Transformação”, o responsável apresentou as linhas gerais da estratégia nacional de desenvolvimento, concebida para um horizonte de dez anos, até 2035, e cuja implementação será dividida em duas fases de cinco anos.

De acordo com Issa Jandi, o financiamento necessário para a primeira etapa está estimado em 1,6 biliões de francos CFA, equivalentes a aproximadamente 2,8 mil milhões de euros ou 1,9 mil milhões de dólares, considerando taxas de câmbio aproximadas.

A estimativa em dólares deverá, por isso, ser confirmada antes da publicação, uma vez que a conversão depende da taxa utilizada.

O plano foi elaborado através de um processo participativo e inclusivo, envolvendo actores políticos e sociais, bem como parceiros técnicos e financeiros, com o objectivo de estabelecer uma visão consensual para o futuro do país.

Plano assente em seis prioridades estratégicas

Segundo o director Nacional de Planeamento, a visão para 2035 passa pela construção de uma Guiné-Bissau pacífica, com instituições sólidas, boa governação, respeito pelos direitos humanos e valorização da diversidade cultural, capaz de enfrentar choques externos, alterações climáticas e catástrofes naturais.

Para concretizar essa visão, o plano estabelece seis prioridades estratégicas: consolidação da paz, da governação e do Estado de Direito; diversificação e transformação estrutural da economia; desenvolvimento do capital humano; melhoria das condições de vida da população; preservação da biodiversidade, combate às alterações climáticas e valorização do capital natural; reforço da política externa, da integração regional e do contributo da diáspora para o desenvolvimento nacional; e ordenamento do território e desenvolvimento local.

No domínio económico, Issa Jandi destacou a agricultura, as pescas, o turismo e outros sectores produtivos como áreas com potencial para impulsionar o crescimento e reduzir a dependência de actividades económicas tradicionais.

O responsável salientou igualmente a importância do investimento em infra-estruturas modernas e resilientes, com particular atenção à energia e às redes rodoviárias, consideradas fundamentais para melhorar a competitividade, facilitar a circulação de mercadorias e criar condições para a expansão da actividade empresarial.

Financiamento combina recursos internos e investimento privado

A execução do plano dependerá da capacidade de mobilizar diferentes fontes de financiamento. Issa Jandi explicou que o Governo pretende recorrer aos recursos internos, ao financiamento externo em condições concessionais, ao investimento privado e à participação da diáspora.

Entre os mecanismos previstos estão as parcerias público-privadas, que poderão permitir a participação de empresas na concretização de projectos estruturantes, reduzindo a pressão sobre os recursos públicos e ampliando a capacidade de investimento do país.

O director Nacional de Planeamento reconheceu, contudo, que a identificação das necessidades financeiras não significa que os recursos estejam já assegurados. A definição das fontes e das respectivas contribuições continua a constituir uma etapa fundamental para a implementação da estratégia.

No plano do financiamento externo, referiu o programa de facilidade de crédito alargado em curso com o Fundo Monetário Internacional (FMI), indicando que o país se encontrava, à data da intervenção, no processo da 12.ª avaliação do programa, após resultados considerados positivos nas avaliações anteriores.

A mobilização de financiamento em condições favoráveis será, assim, determinante para transformar as prioridades definidas em projectos concretos, capazes de estimular a actividade económica, gerar emprego e melhorar as condições de vida da população.

A apresentação de Issa Jandi no Fórum de Investimento da África Lusófona 2026 reforça a intenção da Guiné-Bissau de posicionar o plano nacional como instrumento de orientação das reformas, da atracção de capital e da promoção de oportunidades de investimento ao longo da próxima década.

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