A ministra das Finanças de Angola, Vera Daves de Sousa, defendeu, esta Terça-feira, em Luanda, a necessidade de reforçar a integração regional, garantir estabilidade institucional e criar condições favoráveis à participação do sector privado no financiamento de grandes projectos de infra-estruturas em África.
Vera Daves de Sousa falava no Africa Financial Summit 2026 (AFIS), onde considerou que a concretização de investimentos de grande dimensão exige maior cooperação entre países vizinhos, sobretudo na implementação de projectos de interconexão, como barragens, linhas de transmissão de energia e outras infra-estruturas com impacto transfronteiriço.
De acordo com Vera Daves, o Executivo angolano está disponível para trabalhar na estruturação de soluções que permitam viabilizar estes investimentos, desde que sejam mutuamente vantajosas e assegurem o equilíbrio dos interesses das partes envolvidas.
A ministra destacou, igualmente, a importância da colaboração entre instituições financeiras, entidades garantidoras e governos na construção de modelos de financiamento sustentáveis, defendendo que os contratos comerciais devem salvaguardar os interesses dos Estados e evitar compromissos prejudiciais às finanças públicas.
Na sua intervenção, Vera Daves chamou a atenção para a necessidade de transmitir confiança aos investidores, sobretudo em períodos de transição política e aproximação de eleições, quando a incerteza tende a condicionar as decisões de investimento.

Para a governante, os países africanos devem demonstrar que os seus quadros legais, instituições e mercados continuarão a funcionar com estabilidade, independentemente dos ciclos políticos e eleitorais.
“Independentemente dos ciclos políticos eleitorais, as instituições vão continuar a funcionarˮ, defendeu, considerando que a previsibilidade institucional e a estabilidade do quadro legal são condições fundamentais para atrair investimentos de longo prazo.

A ministra apelou também a um maior compromisso dos investidores africanos com o desenvolvimento dos seus próprios países e do continente, defendendo que os detentores de capital devem desenvolver uma visão própria sobre as oportunidades existentes em África, sem depender exclusivamente das avaliações de consultores externos.
Vera Daves reconheceu, contudo, que persistem dificuldades logísticas e desafios na implementação de projectos estruturantes, mas sublinhou que a determinação, o patriotismo e uma visão estratégica de longo prazo são essenciais para ultrapassar os obstáculos.
A governante atribuiu ainda um papel relevante às instituições financeiras e às entidades com capacidade de concessão de garantias, apelando a uma actuação mais comprometida na identificação e estruturação de projectos bancáveis, de modo a transformar oportunidades em investimentos concretos.
Na perspectiva da ministra, a prosperidade individual dos países e das instituições financeiras terá sempre limitações enquanto o continente africano não conseguir desenvolver-se de forma integrada.
“Por mais que sejamos prósperos individualmente, enquanto instituição, tudo isso terá limite se a economia, se o continente não prosperar em blocoˮ, afirmou.
A intervenção de Vera Daves enquadrou-se no debate sobre a integração regional e a mobilização de financiamento para infra-estruturas africanas, num contexto em que a cooperação transfronteiriça é considerada determinante para impulsionar o comércio, fortalecer as economias nacionais e concretizar o potencial do continente.





