Cabo Verde quer transformar diáspora em fonte de conhecimento e investimento para a economia

Cabo Verde pretende mobilizar o conhecimento, a experiência profissional e a capacidade de investimento da sua diáspora para acelerar o desenvolvimento económico do país, reduzindo a dependência de uma relação tradicionalmente centrada no envio de remessas. A estratégia foi defendida pelo primeiro-ministro, Francisco Carvalho, no Encontro de Quadros Cabo-Verdianos em Portugal, realizado a 31 de…
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Cabo Verde pretende mobilizar os seus quadros residentes no estrangeiro para reforçar o investimento, a formação profissional e a capacidade empresarial do país. A estratégia do Governo passa por ultrapassar a tradicional dependência das remessas e transformar a diáspora num parceiro activo do desenvolvimento económico.
Economia

Cabo Verde pretende mobilizar o conhecimento, a experiência profissional e a capacidade de investimento da sua diáspora para acelerar o desenvolvimento económico do país, reduzindo a dependência de uma relação tradicionalmente centrada no envio de remessas.

A estratégia foi defendida pelo primeiro-ministro, Francisco Carvalho, no Encontro de Quadros Cabo-Verdianos em Portugal, realizado a 31 de Outubro, em Lisboa.

O chefe do Governo considera que os emigrantes representam um activo estratégico para a economia cabo-verdiana, lembrando que as remessas enviadas do exterior superam o investimento directo estrangeiro (IDE) recebido pelo país.

Segundo estimativas do Banco Africano de Desenvolvimento para 2025, as remessas da diáspora atingiram cerca de 310 milhões de euros, enquanto os fluxos de investimento directo estrangeiro se situaram em aproximadamente 148 milhões de dólares.

“A diáspora cabo-verdiana não é apenas parte da nossa história. É também parte do nosso presente e do futuro que queremos construir para Cabo Verde”, afirmou Francisco Carvalho, acrescentando que a contribuição dos emigrantes deve ultrapassar a dimensão financeira e abranger a transferência de competências, a formação de quadros e a criação de oportunidades de investimento.

O governante considera que Cabo Verde dispõe de profissionais altamente qualificados espalhados pelo mundo, cujo conhecimento e experiência poderão ser mobilizados para reforçar sectores estratégicos da economia e dinamizar o tecido empresarial nacional.

Para concretizar esse objectivo, o Executivo pretende retomar iniciativas de relacionamento com as comunidades emigradas, interrompidas em 2016, e acelerar a aplicação de instrumentos já existentes, entre os quais o Conselho das Comunidades, a Estratégia Nacional de Emigração e Desenvolvimento e o Estatuto do Investidor Emigrante.

“Não vamos inventar a roda. Vamos agir”, referiu o primeiro-ministro, defendendo uma actuação governativa mais orientada para a execução das políticas e dos instrumentos destinados a aproximar a diáspora do desenvolvimento nacional.

Governo promete reduzir burocracia e facilitar investimento

Francisco Carvalho defendeu igualmente a necessidade de construir um Estado assente em duas dimensões complementares: humano, na capacidade de amparar os cidadãos e as comunidades emigradas, e ágil, na relação com os empresários, através da redução da burocracia e da criação de condições favoráveis ao investimento e à geração de emprego.

Na perspectiva do governante, o sector empresarial desempenha uma função central no desenvolvimento económico e social, considerando o empresário “o maior projecto social de cada país”.

A aposta na mobilização da diáspora surge, assim, associada à intenção de melhorar o ambiente de negócios e criar mecanismos que facilitem o investimento dos cabo-verdianos residentes no estrangeiro. O desafio passa por transformar a capacidade financeira e técnica dessas comunidades em iniciativas produtivas, parcerias empresariais e oportunidades de emprego no arquipélago.

Realizado no Auditório da Universidade Lusófona, em Lisboa, o Encontro de Quadros Cabo-Verdianos em Portugal reuniu profissionais cabo-verdianos, luso-cabo-verdianos e portugueses das áreas da saúde, economia e empreendedorismo. A iniciativa foi organizada pela OLIC – Organização Lusófona para Interacção Cultural, em parceria com o Governo de Cabo Verde, a Universidade Lusófona e a Pombal XXI, sob o tema “A importância de Cabo Verde e o desenvolvimento de Portugal – o que podemos fazer por Cabo Verde?”.

Na ocasião, o presidente da OLIC, Mário Carvalho, considerou que a diáspora cabo-verdiana em Portugal já não se limita ao envio de remessas, destacando a participação dos emigrantes em actividades profissionais, empresariais e de formação, incluindo nos hospitais e nas empresas portuguesas.

“Neste encontro juntámos esse conhecimento para pensar o que podemos fazer, em concreto, por Cabo Verde”, disse o responsável.

Francisco Carvalho, que tomou posse como primeiro-ministro a 19 de Junho de 2026, escolheu Portugal para a sua primeira deslocação oficial ao estrangeiro, em Julho.

Doutorado em Migrações, Minorias Étnicas e Transnacionalismo pela Universidade NOVA de Lisboa, o governante foi também director-geral das Comunidades de Cabo Verde.

Uma semana antes do encontro em Lisboa, durante uma deslocação a Roterdão, nos Países Baixos, o chefe do Governo tinha anunciado, junto da comunidade cabo-verdiana, medidas para simplificar os procedimentos aduaneiros e melhorar o atendimento aos emigrantes.

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