Moçambique entra directamente na perfuração offshore com projecto Coral Norte

A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) de Moçambique vai participar, pela primeira vez, directamente em operações de perfuração offshore, através do projecto Coral Norte FLNG, na Área 4 da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado. A iniciativa representa um avanço na estratégia de reforço da capacidade técnica nacional e de maior participação de empresas moçambicanas…
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O projecto Coral Norte FLNG, cuja entrada em funcionamento está prevista para 2028, contará com a participação directa da ENH em operações de perfuração offshore, reforçando a estratégia moçambicana de desenvolver competências nacionais e ampliar a capacidade de produção de gás natural liquefeito.
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A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) de Moçambique vai participar, pela primeira vez, directamente em operações de perfuração offshore, através do projecto Coral Norte FLNG, na Área 4 da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado.

A iniciativa representa um avanço na estratégia de reforço da capacidade técnica nacional e de maior participação de empresas moçambicanas nas operações de exploração e produção de hidrocarbonetos.

A participação será assegurada através da ENH-Saipem Drilling Company, S.A., durante uma campanha de perfuração e completação de poços com duração estimada de 10 meses, utilizando o navio-sonda SAIPEM 12000.

Os trabalhos destinam-se a apoiar o desenvolvimento da unidade flutuante de produção de gás natural liquefeito (FLNG), localizada na zona norte do reservatório Coral, cuja entrada em funcionamento está prevista para 2028.

Para o presidente do Conselho de Administração da ENH, Rudêncio Morais, o envolvimento nas operações representa um avanço estratégico na ambição da empresa de assumir, progressivamente, responsabilidades como operadora no segmento upstream da indústria dos hidrocarbonetos.

“Pela primeira vez na história da empresa, estaremos na vanguarda das operações no upstream no offshore, o que será uma oportunidade para a consolidação da nossa capacidade técnica, com o envolvimento activo de técnicos moçambicanos em actividades de perfuração”, afirmou o gestor.

A iniciativa constitui igualmente um marco para o desenvolvimento do conteúdo local, ao permitir que uma empresa com participação moçambicana assuma responsabilidades directas numa das actividades tecnicamente mais exigentes da indústria.

A experiência poderá favorecer a transferência de conhecimentos especializados, a formação de quadros nacionais e a criação de competências que permitam aumentar a participação de empresas locais em futuros projectos energéticos.

Coral Norte deverá elevar capacidade de produção de GNL

Desenvolvido com base na experiência do Coral Sul FLNG, o projecto Coral Norte deverá contribuir para elevar a capacidade conjunta de produção das duas unidades para cerca de sete milhões de toneladas de gás natural liquefeito (GNL) por ano, reforçando a posição de Moçambique no mercado internacional de energia.

A Área 4 da Bacia do Rovuma tem uma participação estratégica no desenvolvimento dos recursos energéticos do país, segundo a ENH. O contrato de concessão foi assinado em 2006 e, entre 2011 e 2014, foram identificadas importantes reservas de gás natural nos reservatórios Coral, Agulha e Complexo Mamba, estimadas em cerca de 2.400 mil milhões de metros cúbicos de gás in situ.

O Coral Sul FLNG, primeiro projecto a produzir gás natural na Bacia do Rovuma, já colocou no mercado internacional mais de 175 carregamentos de GNL, demonstrando a capacidade do país para integrar a cadeia global de fornecimento deste recurso energético.

Na estrutura accionista da Área 4, a ENH representa o Estado moçambicano, com uma participação de 10%. A sul-coreana KOGAS e a XRG detêm igualmente 10% cada, enquanto os restantes 70% pertencem à Mozambique Rovuma Venture (MRV), operadora do projecto, constituída pela Eni, ExxonMobil e CNPC.

Além do aumento da capacidade de produção de gás natural, o Coral Norte deverá gerar oportunidades de negócio para empresas nacionais, estimular a transferência de competências técnicas e dinamizar a cadeia de valor do sector energético moçambicano.

O envolvimento directo da ENH na perfuração offshore poderá, neste contexto, constituir um passo importante para reduzir a dependência de operadores internacionais em determinadas actividades especializadas, embora a consolidação dessa capacidade dependa da continuidade da formação técnica, da experiência operacional e do investimento em competências nacionais.

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