A economia angolana deve fechar o ano 2021 a registar uma queda de 1,98%, completando um período de seis anos consecutivos de crescimento económico negativo, de acordo com as previsões do Centro de Estudo e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola (UCAN), expressas no Relatório Económico 2019-2020.
As previsões do CEIC contrariam o entusiasmo oficial do Governo que aponta para uma recuperação marginal da riqueza nacional, em 2021, na ordem dos 0,01%, e está abaixo de todas outras projecções, nomeadamente do Fundo Monetário Internacional (0,4%), Banco Mundial (0,9%) e a Economist Intelligence (-0,6%).
Desde 2016 que a economia angolana não pára de cair, devido à forte queda que se assistiu, em 2016, nos preços do principal produto de exportação do país, o crude, para níveis muito abaixo dos 50 dólares. De lá para cá, foi sempre a cair, e neste ano as perspectivas não são igualmente animadoras, conforme projectam os investigadores da UCAN.
Em todos os cenários do estudo apresentado nesta Terça-feira, 31, a economia angolana não sai da ‘casa’ dos 0%. Aliás, a perspectiva mais optimista, a do Banco Mundial, também não chega em 1%, o que, na visão do director do CEIC, Alves da Rocha, significa “não-crescimento”, já que a população angolana cresce a ritmos muito superior aos do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
“Foram apresentadas as previsões [de crescimento económico] e, segundo, a nossa óptica, ainda há prevalência da recessão económica este ano. Os resultados das políticas são vários e não têm tido impacto na inversão da recessão de modo que a gente possa projectar o crescimento económico”, refere Alves da Rocha.
A ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, numa das suas intervenções, referiu que 2021 seria já um ano de crescimento, embora tímido. “E ela referiu o valor de 0,1%. Esse valor não é crescimento económico, quando o país tem uma taxa de crescimento populacional de 3,2%”, defendeu o renomado economista que dirige o Centro de Investigação Científica da UCAN.
Questionado sobre as principais conclusões do estudo, que é publicado há quase 20 anos no país, o também professor referiu que as mesmas [conclusões] vão no sentido de que faltam elementos que garantam a eficácia das políticas e dos planos [governamentais], o que, na sua análise, “não está a acontecer”. “Em última análise, a eficácia dos programas e das políticas é medida através de resultados concretos. E os resultados concretos não estão a aparecer por enquanto”, apontou o acadêmico.
Ao explicar os factores que ‘emperram’ o crescimento económico, Alves da Rocha adiantou que a pobreza é um desses elementos. Citando números do Instituto Nacional de Estatística, o economista aponta que a taxa de pobreza neste momento em Angola, referida em 2018 e 2019, está fixada nos 41%.
Já os cálculos e estimativas do CEIC, cujos detalhes virão espelhados no Relatório Social, a ser lançado pelo Centro em breve, apontam para uma taxa de pobreza a rondar entre os 45% e 46%. “Se tivermos por base uma população de 32 milhões de habitantes, vejam a quantidade de pobres que o país apresenta, algo que é visível no dia-a-dia”, sublinha o investigador.





