Os resultados líquidos do agregado de sete bancos comerciais de Cabo Verde recuaram, até Dezembro do ano passado, 6,7% para pouco mais de 33 milhões de dólares, face às contas de 2019, pressionados pela pandemia causada pelo novo coronavírus que arrefeceu as operações dos players do sector bancário local, revela o relatório de 2020 do Banco de Cabo Verde.
De acordo com o documento do banco central cabo-verdiano, as consequências da pandemia inverteram a tendência de crescimento [do sector] registada nos últimos anos. “Os efeitos da crise económico-financeira decorrentes da propagação da pandemia do novo coronavírus – SARS CoV-2 afectaram os resultados do sistema bancário, não só a nível da margem complementar, mas sobretudo devido ao reforço das Provisões e Imparidades Líquidas, reflectindo o aumento do risco de crédito percepcionado”, indica o regulador.
Na moeda local, o escudo, os sete operadores do sistema bancário cabo-verdiano, dois dos quais de origem portuguesa, ‘encaixaram’ lucros líquidos de 3.100 milhões, valor relativamente baixo face às margens recolhidas entre Janeiro e Dezembro de 2019.
Em termos operacionais, o relatório refere que, a justificar a aqueda dos resultados, está ainda o decréscimo da margem complementar em 5,0 milhões de dólares, “derivado da performance desfavorável dos rendimentos com serviços”, as comissões líquidas, em 2,1 milhões de dólares, além dos resultados de reavaliação cambial, que caíram 2,3 milhões de dólares.
“Esta pressão da margem complementar em sentido descendente poderá ser explicada sobretudo pela desvalorização das taxas de câmbio das principais moedas, pelas restrições impostas pela pandemia da Covid-19 e pela suspensão temporária das cobranças de comissões online”, justifica o banco central.
Às causas do fraco desempenho dos sete operadores do mercado bancário cabo-verdiano, somam-se ainda as consequências do aumento dos níveis das provisões e imparidades líquidas do exercício, que, segundo o banco central, totalizaram 11,8 milhões de dólares, ou seja, aumentou 4,1 milhões de dólares, justificado pela estratégia de antecipação de riscos de crédito pelo sector bancário, com o fim das moratórias.
Face ao débil desempenho do sector, e seguindo as orientações do BCV, os bancos no país não distribuíram dividendos dos lucros de 2020, tal como já tinha acontecido em 2019, utilizando esses recursos para aumentar as reservas, face às preocupações com a crise económica e sanitária decorrente da pandemia.
Entretanto, o rácio de solvabilidade do sistema bancário nacional fixou-se em 19,4%, nível mais elevado de sempre, traduzindo-se num aumento na ordem de 1,7 pontos percentuais, conforme indica o relatório do banco central.





