Pandemia ‘corta’ 18,7% das Reservas Internacionais Líquidas de Cabo Verde

As Reservas Internacionais Líquidas (RIL) de Cabo Verde registaram, num espaço de 12 meses, uma queda de 18,6% pressionadas pelos efeitos negativos da pandemia que arrefeceu a actividade económica no arquipélago e por conta disso arrastou para baixo os activos externos do país, de acordo com números do Banco de Cabo Verde. Assim, e de…
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Dados oficiais do banco central do arquipélago revelam que, em Julho de 2020, o total de reservas situava-se nas pouco mais de 670 milhões de euros. Três meses depois caiu para 636 milhões.
Economia

As Reservas Internacionais Líquidas (RIL) de Cabo Verde registaram, num espaço de 12 meses, uma queda de 18,6% pressionadas pelos efeitos negativos da pandemia que arrefeceu a actividade económica no arquipélago e por conta disso arrastou para baixo os activos externos do país, de acordo com números do Banco de Cabo Verde.

Assim, e de Outubro de 2020 a Outubro de 2021, o arquipélago só já contava de RIL com cerca de 520 milhões de euros, o que lhe garantia para cerca de seis meses das importações de bens e serviços.

Na prática, em Julho de 2020 esse ‘stock’ ascendia a pouco mais 670 milhões de euros e em Outubro do mesmo ano desceu para cerca de 636 milhões de euros. “O ‘stock’ das reservas internacionais líquidas do país fixou-se, em 31 de Outubro de 2021, nos 517,6 milhões de euros, 118,6 milhões de euros abaixo do valor registado no período homólogo”, refere o último relatório do BCV.

A pressionar a queda está, entre outros, a crise da pandemia que cortou o rendimento e dinâmica económica da maioria dos sectores de actividades no país. Destaque para o turismo, que responde por 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.  

Aliás, Cabo Verde enfrenta uma profunda crise económica e financeira, decorrente da forte quebra na procura turística devido à pandemia de Covid-19. Sem turismo, a entrada de divisas no país caiu fortemente, queda que não está a ser acompanhada na mesma proporção pelo volume gasto com as importações.

O banco central já admitiu anteriormente que os dados preliminares apontam para uma deterioração das contas externas, face aos efeitos económicos da pandemia de covid-19.

“O agravamento das contas externas estará a reflectir a deterioração da balança corrente, em função sobretudo, do aumento das importações de bens e serviços”, assumiu o BCV.

Também no primeiro trimestre de 2021, a balança corrente de Cabo Verde registou um défice de 6.674 60,7 milhões de euros, o que compara ao défice de 10,9 milhões de euros, pouco mais de 1.208 milhões de escudos, a moeda local, registado no primeiro trimestre de 2020, antes da crise provocada pela pandemia.

Esta evolução é explicada pelas reduções das receitas de viagens de turismo e de transportes aéreos na ordem dos 89 e 80%, respetivamente, bem como “das exportações de víveres e combustíveis nos portos e aeroportos internacionais em cerca de 40%”, aponta o BCV.

Cabo Verde registou em 2020 uma recessão económica histórica, equivalente a 14,8% do PIB. O Governo cabo-verdiano admite que a economia possa ter crescido 7,2% em 2021, impulsionada pela retoma da procura turística, e prevê 6% de crescimento em 2022.

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