Uma rede que busca sinergias para melhorar sistemas de saúde na lusofonia

A luta contra a Covid-19 no mundo lusófono está agora entre as prioridades das agendas dos Estados-membros dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), bem como de organizações ligadas ao sector da saúde, como instituições de ensino, Organizações Não-Governamentais, grupos académicos, pesquisadores, redes de responsabilidade social no espaço comunitário e alguns parceiros dos governos…
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Rede Académica das ciências da Saúde aposta na investigação, formação, difusão e cooperação científica entre mais de 500 instituições de ensino superior de países de língua oficial portuguesa.
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A luta contra a Covid-19 no mundo lusófono está agora entre as prioridades das agendas dos Estados-membros dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), bem como de organizações ligadas ao sector da saúde, como instituições de ensino, Organizações Não-Governamentais, grupos académicos, pesquisadores, redes de responsabilidade social no espaço comunitário e alguns parceiros dos governos integram o bloco.

Entre as organizações que lutam por melhores sistemas de saúde nos PALOP está a Rede Académica das Ciências da Saúde da Lusofonia (RACS) que, desde 2016 tem vindo a fomentar a investigação, formação, difusão e cooperação científica entre mais de 500 instituições de ensino superior da área da saúde no espaço lusófono. A organização até 2021 previa realizar um investimento que rondava os 50 mil euros, um valor garantido pelo pagamento de quota dos seus associados.

O cenário do actual quadro de saúde que os países da lusofonia vivem, agravado pela pandemia da Covid-19, reforça a visão dos objectivos da RACS, que segundo o seu presidente de direção, Jorge Conde, passa por aumentar o nível e a qualidade de formação dos profissionais de saúde, caminhando para uma realidade que permita que estes possam estabelecer intercâmbio e mobilidade entre si. O responsável aponta a sensibilização de instituições de ensino e de governos de países lusófonos, no sentido de uma política que aproxime as realidades de formação e de actuação na área da saúde, como objectivo de médio prazo.

Para o presidente da RACS, “os Estados teriam muito a ganhar se fossem capazes de identificar a formação correspondente às actividades (profissões) necessárias no sistema de saúde e fomentassem um caminho de formação de elevada qualificação ao nível do ensino superior, apostando na qualidade da prevenção e promoção da saúde, e também do diagnóstico e tratamento das diversas patologias com que nos deparamos”.

Jorge Conde, afirma que a RACS tem desenvolvido projectos que têm permitido reunir grupos de investigadores, que trabalham em conjunto na identificação e construção de soluções inovadoras ao nível do ensino, e também para a mais completa e esclarecida intervenção em saúde. “Os núcleos académicos da RACS têm promovido actividades que reúnem professores, investigadores e profissionais de saúde, em que debatem problemas e soluções que resolvam as dificuldades do ensino e os problemas dos doentes”.

Actualmente a RACS conta com 47 instituições de ensino superior associadas. Destas, 26 são portuguesas, dez angolanas, quatro moçambicanas, três brasileiras, duas cabo-verdianas, estando a Guiné e São Tomé e Príncipe representadas por uma instituição cada.

“Em qualquer dos países existe ainda um número importante de instituições que não são associadas, com destaque para o Brasil, cuja adesão é ainda muito baixa”

No global, integram a RACS mais de 90 mil estudantes e quase 5 mil docentes, sendo que a aposta na mobilidade internacional é prioridade, no sentido de facilitar a troca de experiências em dezenas de áreas como das ciências farmacêuticas, médicas ou até terapêuticas não convencionais.

Por outro lado, segundo dados da RACS, ao nível da lusofonia, só no ensino superior, haverá mais de 2.000 instituições a leccionar cursos de saúde, sendo a grande maioria no Brasil. Por isso, a rede defende ser necessário que os de mais países sigam o exemplo do Brasil, apostando na qualidade do ensino, de modo que os estudos realizados na saúde ao nível da lusofonia sejam capazes de trazer soluções para todos os Estados-membros.

É pretensão da RACS servir de uma plataforma de ligação entre os seus associados, divulgando e fomentando o que de melhor se faz na ciência e no ensino das profissões de saúde. Embora a rede possa ser integrada por organizações de outras áreas de actividade, a verdade é que ela está neste momento constituída apenas por instituições de ensino superior de saúde.

O presidente da Rede Académica das Ciências da Saúde disse à FORBES ÁFRICA LUSÓFONA que a instituição mantém com os seus associados canais abertos na ciência, na cooperação, na melhoria do ensino, no intercâmbio de pessoas e de saberes, tendo como expectativa ser um líder do desenvolvimento do ensino e formação ao longo da vida na área da saúde, mas também das ciências que lhe estão associadas.

Pensar a saúde depois da pandemia

A Rede Académica das Ciências da Saúde da Lusofonia tem vindo a apoiar os governos a encarar um futuro ainda incerto. Neste sentido, em Novembro de 2021, reuniu entre os dias 25 e 27, mais de 40 instituições do ensino superior que ministram cursos de ciências da saúde no espaço da lusofonia, na cidade de Benguela, em Angola.

As Universidades Agostinho Neto (Luanda) e 11 de Novembro (Cabinda), os Institutos Superiores Politécnicos de Benguela, foram algumas das instituições angolanas integrantes da RACS que estiveram representadas no encontro que decorreu no formato híbrido (com participações presenciais e virtuais), naquela que foi a primeira vez que o evento decorreu fora de Portugal.

Jorge Conde refere que “a Reunião Internacional, a 4ª RACS 2021, foi continuidade da matriz multidimensional, observada nas três últimas reuniões realizadas em Portugal, que vai desde a acção político-académica, à componente científica, pedagógica, sociocultural, empresarial, corporativa, associativa e institucional interna, com o foco nas ciências da saúde”.

O encontro vai congregar os membros da comunidade lusófona associados, afiliados, parceiros e convidados, numa grande acção de reflexão, debate e convívio multinacional e multicultural. Apresenta-se, sobretudo, como um espaço facilitador da união de interesse científico e académico, na afirmação do conhecimento na área das ciências da saúde entre instituições de países e territórios que partilham um longo e rico património de ligações históricas e linguísticas.

A Rede Académica das Ciências da Saúde da Lusofonia tem como objectivos o intercâmbio e o desenvolvimento da cooperação internacional lusófona no ensino, na investigação, no desenvolvimento e na inovação; a mobilidade académica internacional; a promoção e facilitação das relações bilaterais e multilaterais entre instituições de ensino superior e de investigação; a difusão internacional da produção científica e a formação ao longo da vida.

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