Um plano estratégico da Transportadora Aérea Angolana (TAAG) apresentado esta Segunda-feira, 07, pelo conselho de administração da empresa, continua a colocar o governo e o accionista Estado como a ‘tábua de salvação’ daquela companhia aérea que tenta se recuperar da crise.
Na prática, a nova gestão da companhia aérea admite que a crise que assola a operadora se mantém e que não é agora que os fluxos de caixas registados nos anos anteriores a 2019 voltaram a entrar nos cofres daquela operadora.
Apresentado pela sua presidente do conselho de administração, Ana Major, o plano prevê tês pilares com os quais a nova gestão – que completou este mês 100 dias desde que chegou ao board – quer devolver a rentabilidade à empresa e aumentar a robustez financeira da companhia.
Assim, e como forma de continuar a manter a empresa operacional, a gestão de Ana Major espera contar, mais uma vez, com o suporte do governo e de accionistas na transformação da companhia para sua adaptação ao novo normal. A isso, a empresa pública angolana soma o que chama de “grande vontade”, esforço e dedicação dos seus colaboradores de fazer a TAAG vingar.
Ana Major, que fez a apresentação do plano, também considera que o processo de transformação da TAAG passa por uma liderança capaz de ter uma visão, tomar decisões difíceis e conduzir a empresa mesmo quando ela esteja a atravessar por momentos de grande turbulência.
Não é a primeira vez que se apresenta, publicamente, um plano de ‘salvação’ da maior transportadora área da lusofonia. Já nos idos de 2016, a companhia teve uma administração suportada por altos quadros da Emirates, encabeçada pelo inglês Peter Hell.
No período, e após um ‘pente-fino’ efectuado às contas daquela operadora aérea, foram detectados várias irregularidades, como sejam sobrefacturações, ‘buraco’ às contas e um peso orçamental com os recursos humanos.
De lá para cá, seguiram-se outras mexidas na estrutura da organização, uma das quais essa última que fechou com a indicação de Ana Major como a nova líder da administração de uma das empresas que mais lucrava no país.
No seu balanço de 100 dias, Ana Major apontou vários avanços, com destaque para aprovação de um novo organigrama da companhia, mecanismo que, segundo a responsável, contempla, de forma inédita para a TAAG, áreas de governança corporativa, controlo interno, gestão de riscos e compliance.
“Estas áreas que estamos a implementar irão assegurar a aplicação de princípios e práticas de gestão e a disseminação de uma nova cultura assente na disciplina e responsabilização individual e colectiva. Tratando-se uma indústria tão regulada como é a aviação, é indispensável que tenhamos os mecanismos internos para assegurar aos nossos accionistas e demais partes interessados que cumprimos com os padrões de gestão a todos os níveis. Isto é indispensável para termos a Companhia moderna, ágil e eficiente que queremos”, apontou a gestora.
Também assinalou ganhos no que toca ao controlo de custos. Para Ana Major, o foco da actual administração é a liquidez, contenção de custos e antecipação da procura. Deu exemplo de como é que, ao nível da nossa tesouraria, a empresaria conseguiu poupar e alargar os fluxos de caixas disponíveis da companhia.
“Saímos de 6 dias para 180 dias de caixa. Fizemos pequenas mudanças pontuais com quadros existentes, tendo em vista à implementação de medidas que permitem garantir a solvabilidade da companhia e ganhar controlo de gestão. Podemos dizer que, como resultado, elevamos os níveis de controlo de despesas. Estamos a maximizar o espaço de instalações o que vai permitir também poupança de alugueres”, indicou.





