Financiamento ao sector petrolífero pesa menos de 5% na carteira de crédito do BFA

A PetroAngola reuniu recentemente os principais executivos do sector financeiro e da indústria petrolífera para discutir sobre "a criação de um ambiente favorável para o financiamento da actividade petrolífera local", através da utilização das mais diversas instituições e instrumentos financeiros, no sentido de acelerar o crescimento sustentável, inclusivo e diversificado dos investimentos do sector petrolífero.…
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Banca mostra-se disponível para financiar empresas angolanas do sector petrolífero, mas ainda assim não tem sido confrontada com muitos pedidos. Os poucos que dão, são desviados dos fins anunciados.
Economia Negócios

A PetroAngola reuniu recentemente os principais executivos do sector financeiro e da indústria petrolífera para discutir sobre “a criação de um ambiente favorável para o financiamento da actividade petrolífera local”, através da utilização das mais diversas instituições e instrumentos financeiros, no sentido de acelerar o crescimento sustentável, inclusivo e diversificado dos investimentos do sector petrolífero.

O evento, designado Fórum Banca Oil & Gas (FBOG), congregou distintos stakeholders da banca, finanças, seguros e petróleos, com o objectivo, dentre outros, de aumentar a capacidade local na estruturação de financiamento de projectos do sector petrolífero e traçar o perfil das oportunidades de investimentos, negócios e projectos da indústria de Petróleo & Gás.

Durante o certame, especialistas da banca garantiram que o sector bancário tem estado mais próximo das empresas prestadores de serviço ao sector petrolífero, sendo que as mesmas têm beneficiado de apoios bancários em vários segmentos.

Apesar deste cenário de proximidade, António Manuel Alfaia, administrador executivo para área de crédito do Banco de Fomento Angola (BFA), disse, em entrevista à FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, que não tem existido muitos financiamentos ao sector petrolífero e que a instituição que representa não tem no seu registo recusa de operações de crédito às empresas da indústria de petróleo.

“Os bancos têm se mostrado totalmente disponível para apoiar o conteúdo local, mas, infelizmente, não têm sido confrontados com frequência com pedidos aos quais não se pode dar segmento. É verdade que a percentagem de financiamento do BFA ao sector petrolífero de toda sua carteira de crédito é ínfima, menos de 5% da sua carteira de crédito global”, disse em exclusivo à FORBES, António Alfaia.

O administrador do BFA referiu que a instituição tem mais de 35 empresas – operadores e prestadores de serviços ao sector petrolífero – com quem mantém parcerias “que permitem benefícios aos colaboradores das mesmas organizações a aceder a produtos bancários de forma privilegiada”.

Questionado sobre as reais motivações que levam muitas empresas petrolíferas nacionais a demarcarem-se de receber financiamento dos bancos, Alfaia justifica que as mesmas [empresas], em muitos casos, não conseguem viabilizar as suas operações com os mesmos financiamentos.

O gestor destaca a necessidade de se criar condições de base, nomeadamente ao preço do financiamento e as condições de garantias, “que muitas vezes ainda são frágeis”, para que essas empresas se sintam motivadas a aderir ao financiamento.

Empresas solicitam financiamento para pagar dívidas”

Entre inúmeros problemas que abalam a relação das empresas do sector petrolífero e a banca, destaca-se o facto de “muitos operadores dos petróleos usarem os financiamentos bancários para pagar dívidas e não para criarem negócios e, muito menos, melhorar as suas operações”.

Carlos Amaral, presidente do conselho de administração da ACREP, empresa de exploração de petróleo, alerta que as empresas ou empresários nacionais não devem ir à banca para receber financiamento que depois é usado para pagar dívidas.

Carlos Amaral, presidente do conselho de administração da ACREP.

“Isso condiciona, muitas vezes, o acesso ao financiamento. As empresas nacionais devem usar os financiamentos não para pagar serviços mas para permitir o crescimento das mesmas e melhorar a qualidade de serviço, para que num futuro próximo não seja uma empresa angolana dependente da banca”, defende.

Carlos Amaral afirma ainda que no caso particular da ACREP, ao longo dos 17 anos de mercado, não houve nenhum problema em beneficiar de financiamento da banca, mas refere que, nos últimos anos, o preço do petróleo tem condicionado a disponibilidade da banca em participar activamente no apoio às empresas nacionais.  

O gestor alerta ainda para a necessidade de as empresas angolanas prestadoras de serviço ao sector petrolífero se capacitarem mais, para que possam prestar serviços a longo prazo, ou seja, por 30 ou 40 anos.

“É necessário também que a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) esteja mais envolvida com a banca no apoio aos empresários angolanos. A ANPG e o próprio BNA devem junto da banca mostrar soluções, condições e garantias que possam dar um conforto aos bancos para que os mesmos financiam o conteúdo local. A ANPG absorve 30% das receitas do sector petrolífero angolano, por este facto, deve investir no sector e não esperar unicamente dos empresários nacionais, porque quem investe somos nós”, afirma Carlos Amaral.

Amaral rebate ainda que o sector petrolífero e as empresas nacionais precisam, com urgência, de uma ANPG mais próxima da banca e em defesa dos interesses dos angolanos, “garantindo que, de facto, uma empresa que poderá beneficiar de financiamento vá com os mesmos valores prestar um serviço sério e responsável”.

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