A exportação de produtos angolanos para os países da União Europeia (EU) deverá aumentar a partir de 2023, com a entrada em vigor de um acordo comercial, que poderá ser assinado entre Angola e o bloco das 27 nações do “velho continente”, no último trimestre deste ano.
Um documento da UE consultado pela Reuters dá conta que a instituição e alguns parceiros africanos aprovaram, em finais de Julho, um pedido do segundo maior produtor de petróleo em África para a sua adesão a um “bloco comercial regional”, que traduz-se na completa remoção pela União Europeia dos direitos e quotas sobre quaisquer importações do Botswana, Lesoto, Moçambique, Namíbia, Eswatini e África do Sul. Em troca, estas nações eliminaram os direitos até 86% das exportações para a Europa.
“Estamos agora em posição de abrir negociações formais, mas ainda não há uma data acordada com Angola. Esperamos que isto aconteça no último trimestre deste ano”, avançou um porta-voz da UE.
Espera-se que o acordo venha aumentar a exportação de produtos angolanos para os países europeus, com grande benefício previsto para alguns, tais como camarões congelados, álcool etílico, farelo de trigo e banana, reduzindo o domínio do petróleo, ainda que, com a crise energética por causa da guerra na Ucrânia, Angola poderá aumentar o fornecimento de crude à Europa.
Actualmente, os produtos que saem de Angola para a União Europeia já beneficiam de um tratamento preferencial, por causa da classificação do país como “nação menos desenvolvida”, estatuto que deverá alterar em 2027, devido ao mais recente crescimento económico, alimentado pelo petróleo, o que significa enfrentar direitos aduaneiros sobre vários bens, caso não adira ao acordo comercial regional, que a UE assinou em 2016 com alguns países da África Austral.
No sentido inverso, os produtos europeus também terão acesso ao mercado angolano com direitos mais baixos, representando uma vantagem para os consumidores locais, mas um desafio para as indústrias.





