O secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Zacarias da Costa, disse esta semana que a organização se debate com a falta de recursos humanos, situação que já está a causar “um constrangimento enorme” à sua gestão.
Segundo o diplomata timorense, neste momento, o secretariado-executivo da CPLP tem quase menos um terço das pessoas que deveria, um problema que diz ter sido já reconhecido pelos Estados-membros, na 27ª Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da organização, que decorreu a 03 de Junho último na capital angolana, Luanda.
“Nós temos falta de pessoal no secretariado [executivo]. Quase um terço do pessoal está por recrutar”, afirmou Zacarias da Costa, citado pela Lusa.
O responsável realçou que a situação representa “um constrangimento enormíssimo” para a “gestão desta casa”, um problema para o qual assegura que foi alertando os nove Estados-membros da organização.
Para Zacarias da Costa, isto é um facto que também significa que os próprios Estados-membros devem acelerar a discussão do regulamento sobre a sua representatividade equitativa no Secretariado Executivo.
O documento a que se refere Zacarias da Costa está em discussão há cerca de quatro anos entre os nove países-membros da CPLP e depois de concluído terá de ir a aprovação do Conselho de Ministros e da Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da organização.
Mas como a próxima cimeira só deverá realizar-se em meados de 2023 e a CPLP não vai poder esperar tanto tempo para recrutar pessoas, explicou o diplomata, o Conselho de Ministros de Luanda mandatou o secretariado-executivo para elaborar um documento que pode acelerar o recrutamento necessário.
Assim, Zacarias da Costa e a sua equipa está a elaborar um regulamento interno de pessoal (RIP), que consagre já o princípio da representatividade equitativa dos nove países, de modo que a organização possa iniciar o recrutamento já no próximo ano.
Este documento terá, no entanto, de ir à consulta prévia do Comité de Concertação Permanente da CPLP, ou seja, a uma das reuniões mensais dos embaixadores representantes dos nove Estados-membros da organização em Lisboa, onde está localizada a sede da organização.
Segundo algumas fontes da CPLP, já houve recrutamentos que contaram com parecer desfavorável de embaixadores por estes não considerarem que abrangiam os princípios da equidade da representatividade dos Estados-membros no número total dos funcionários do Secretariado-executivo, apesar de o documento que estabelecerá pela primeira vez esses critérios ainda estar em discussão.





