Os participantes à terceira edição do encontro de jovens investigadores da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, que aconteceu na última quarta-feira, 27, na capital angolana, Luanda, defenderam a criação de uma agenda de investigação de África.
Segundo os investigadores, só assim se poderá criar um ambiente de cooperação e trabalho conjunto entre os vários investigadores espalhados pelo continente.
O professor do ISEG em Portugal, Eduardo Sarmento, disse mesmo que esta é uma questão urgente, mas que tem vindo a ser adiada, visto que “já se discute deste 2014, pelo menos”.
O docente e investigador, que falava durante a sua participação num dos painéis de debate, referiu que a ausência de uma agenda de investigação configura-se numa barreira ao avanço no segmento para todo o continente, colocando-o atrás dos demais [continentes], pese embora, tenha muito potencial para contribuir para os passos que têm vindo a ser dados no segmento investigativo.
Na mesma linha de pensamento seguiu o também investigador Pedro Leyva, que visando esclarecer a relevância da investigação e de uma agenda que permita trabalho coordenado, afirmou que “África tem os principais metais e terras raras para a tão propalada transição energética”, mas que, no entanto, “não se investiga sobre o assunto”. O investigador acrescentou ainda que “não faz sentido estarmos a investigar matérias diferentes, sem uma estratégia consertada do continente como um todo”.
Investigação para o desenvolvimento
Ao fazer o discurso de abertura da terceira edição do Encontro de Jovens Investigadores da CPLP, a Secretária de Estado para a Ciência, Tecnologia e Inovação de Angola, Alice almeida, reconheceu a necessidade de trabalho no sentido de aproximar os jovens das iniciativas de investigação, mas também de fomentar as iniciativas no seu todo.
A governante asseverou que só com esse trabalho de Angola, mas também de todos os outros Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), se poderá ver melhorado o desempenho de África no que a investigação diz respeito.
Segundo Alice Almeida, África representa apenas 0,5% dos investigadores no mundo, algo que caracterizou como “preocupante”, já que, disse, “a investigação é também ela um motor para o desenvolvimento”.





