A Rússia tem acordos militares com os cinco países lusófonos em África, sendo o são-tomense o mais recente e o acordo com Angola, de longe, o mais ambicioso.
A assinatura de acordos entre a Rússia e os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) remonta praticamente ao período das independências, mas as declarações da porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Maria Zakharova, na passada Quarta-feira, antecipam que se multipliquem nos próximos tempos, prevê o coordenador do Observatório de Segurança e Defesa da SEDES, major-general João Vieira Borges.
“[Quando a porta-voz do MNE russo diz que Portugal tem tido nos últimos tempos uma] postura ofensiva relativamente à Rússia, e que estamos no ponto mais baixo das relações diplomáticas entre os dois países”, foi o mesmo que dizer que “estamos agora em condições para entrarmos no espaço de influência de Portugal, designadamente nos PALOP”, afirmou o general, em declarações.
“Eu interpretei aquilo também nesse sentido; não foi só [o desabafo de] um Calimero, antes pelo contrário, foi dizer que ‘Portugal está completamente na esfera do Ocidente, designadamente de influência dos Estados Unidos e da NATO e, portanto, passou a ser um país com que nós [Rússia] não contamos; e a partir daí podemos fazer o que bem entendemos, seja onde for'”, acrescentou.
Como? Através da materialização de “outros acordos com outros países africanos de expressão portuguesa”, concretizou Vieira Borges.
Os próximos alvos mais expectáveis de Moscovo, para a assinatura de acordos militares, segundo o especialista, serão Moçambique e Guiné-Bissau, uma vez que uma aproximação recente entre Luanda e Washington terá deixado a Rússia em “estado de alerta”, e Cabo Verde é um aliado tradicional do Ocidente.
Angola, diz a Lusa, é, não obstante, de entre todos os países africanos lusófonos, o que assinou com Moscovo o plano de cooperação militar e policial mais extenso e profundo.





