A decoradora angolana que quer conquistar o mundo

Começou a ganhar queda pelo empreendedorismo aos 13 anos de idade com pequenos negócios, ajudando a sua mãe na venda ambulante de mercadorias como, roupas e perfumes. Enquanto fazia o ensino secundário, Lisandra dos Santos, levava pequenas quantidades de alguns produtos e revendia aos seu colegas. A partir dos 20 anos, Lisandra resolveu investir em…
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De um investimento inicial de 30 mil kz, Lisandra dos Santos construiu uma empresa de decoração e venda de flores que emprega hoje 50 jovens e produz um volume de negócios de 200 milhões kz por ano.
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Começou a ganhar queda pelo empreendedorismo aos 13 anos de idade com pequenos negócios, ajudando a sua mãe na venda ambulante de mercadorias como, roupas e perfumes. Enquanto fazia o ensino secundário, Lisandra dos Santos, levava pequenas quantidades de alguns produtos e revendia aos seu colegas.

A partir dos 20 anos, Lisandra resolveu investir em vários negócios, entre eles a venda de postiços, iogurtes, rissóis e mousses na universidade em que estudava, onde fazia o curso de Biologia.

Em entrevista à FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, Lisandra, mas conhecida por Lis Decoração, contou como o seu pequeno negócio cresceu e tornou-se grande, proporcionando vários postos de trabalho.

Em 2018 abriu a sua página no Facebook, com foco em pequenas decorações de festas para pessoas mais próximas e decoração de garrafas para venda. A “famosa a caixa explosiva” foi a chave de ouro para o seu negócio, depois de um cliente a ter questionado se a mesma podia criar uma caixa explosiva.

Foi a partir daquele momento que surgiu a LisDecorações lda Angola, empresa que emprega hoje 50 colaboradores e produz um volume de negócios na ordem dos 200 milhões kz, pouco mais de 242 mil USD. “No princípio comecei com um investimento por etapas num mínimo cerca de 30 mil kz (cerca de 36,3 USD) e consegui fazer a primeira caixa explosiva e buques de flores”, conta.

A Lisdecorações foi criada por necessidade de independência financeira, sublinha Lisandra. “A minha vida era apenas casa, universidade e igreja. Dei toda minha vida a Deus e ele me surpreendeu enquanto eu trabalhava dedicada em sua obra, sai do conformismo e fui à luta”, lembra.

Lisandra dos Santos afirma que tem valido apena investir em venda de flores e decorações em Angola. A florista considera que para o dia-a-dia tudo está centralizado em aniversários. Todos os dias tem pessoas que fazem anos ou morrem e as flores e decorações valem para ambos os casos.

“Actualmente em Angola as pessoa querem se sentir valorizadas e bem-amada e os parceiros fazem de tudo para preencher esse lado emotivo da vida. Não são apenas casais, mas familiares, amigos, colegas, pretendentes e até por razões de reconciliação ou perdão”, realçou.

Desvalorização do kwanza causa desconforto

A empreendedora tem importado as flores da África do Sul e Quénia. Com a subida das divisas, Lisandra já começa a sentir os desconfortos nos pagamentos dos seus fornecedores.

“A desvalorização cambial do kwanza tem causado desconforto porque a nossa missão é estar presente em todos níveis da sociedade e com a subida de preços acabamos por limitar as compras dos nossos produtos e satisfação de todos os clientes que desejam os nossos produtos, quanto as parcerias para os bolos, entregas, e compras de materiais decorativos”, lamentou.

A próxima meta da empreendedora é em investir em outros países da Europa (França, Portugal e Rússia), América (Estados Unidos e Brasil ) e de África (África do Sul e Moçambique), onde diz que os serviços da sua empresa têm sido procurados. Neste sentido, diz ter estado, recentemente, na África do Sul e Moçambique, onde terá dado os primeiros passos para abertura de lojas e escritórios da LisDecorações.

Com o mesmo objectivo, concretamente a realização de estudo de mercado, a empreendedora tem agendada para Novembro próximo uma deslocação a Portugal e França, países em que pretende futuramente investir.

Intercâmbio entre lusófonos é indispensável

Por outro lado, Lisandra dos Santos defende que a base única para fortalecer os laços entre os empresários dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) seria o “regresso do comércio triangular”. “Tal como em qualquer organização mundial, o intercâmbio de bens e serviços é o que se precisa para o fortalecimento dos países lusófonos”, advogou, acrescentando que nestes mercados existem nichos diferentes em que os empresários podem investir.

“Precisamos de networking de vários lugares para maior expansão e partilhas de experiências, criando vantagens. Porém, deve haver uma base, pois temos quase as mesmas culturas e a língua que nos facilita”, realçou.

Outra questão que a empresaria considera fundamental para as mulheres empresárias dos PALOP é a realização de mais encontros a nível dos países-membros, destacando as áreas de trabalho, ajudando outras mulheres no autoconhecimento para o crescimento a nível social, estratégias de trabalho que abranjam sociedades com inovação, transformação e mudança.

“Precisamos dar destaques às mulheres que têm investido em vários sectores, porque pouco ou nada se fala de nós. No meu caso, o facto de ser mulher, e pela idade que tenho, muitos não acreditam que sou a CEO desse império que tenho construído e gostava de passar essa força às mulheres africanas, em especial as dos PALOP”, enfatiza.

Lisandra indica que a chave para o seu sucesso como florista e decoradora tem sido a persistência. “Crer que até dias complicados foram feitos para um aprendizado que acarreta benefícios para o crescimento da empresa. Que o problema não anula a esperança e a esperança traz a solução”, referiu.

A LisDecorações foi distinguida em 2019 como melhor empresa de decoração romântica, pela marca angolana Noiva Angola. Em 2023 a sua proprietária ganhou o prêmio da Nova Geração “Melhor Empreendedora” e ainda o prémio revelação “Empresaria do Ano”, este último atribuído pela ANJE – Associação Nacional dos jovens empreendedores.

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