Acordo com Macau abre porta à entrada de seguradoras chinesas em Angola

Angola deu mais um passo na estratégia de internacionalização do seu sector segurador ao assinar, esta Segunda-feira, 13, em Luanda, um acordo de cooperação com a Autoridade Monetária de Macau (AMCM), abrindo caminho à entrada de seguradoras chinesas num mercado ainda em fase de expansão. A iniciativa, liderada pela presidente do conselho de administração da…
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Com o mercado segurador aberto a entrada de operadores estrangeiros desde 2024, Angola intensifica agora a cooperação com a China para transformar interesse em investimento efectivo.
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Angola deu mais um passo na estratégia de internacionalização do seu sector segurador ao assinar, esta Segunda-feira, 13, em Luanda, um acordo de cooperação com a Autoridade Monetária de Macau (AMCM), abrindo caminho à entrada de seguradoras chinesas num mercado ainda em fase de expansão.

A iniciativa, liderada pela presidente do conselho de administração da Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG), Filomena Manjata, insere-se numa estratégia mais ampla de captação de investimento estrangeiro e de reforço da capacidade técnica e regulatória do sector em Angola.

“A China é um mercado amplo, com elevada experiência no sector segurador, e Macau tem-se afirmado como uma plataforma de aproximação aos países de língua portuguesa”, afirmou a responsável, citada pela Lusa, sublinhando o potencial do acordo como catalisador de novas dinâmicas no mercado nacional.

Apesar da abertura formal do sector à participação estrangeira desde 2024, a entrada efectiva de operadores internacionais continua por concretizar. “Temos recebido várias manifestações de interesse, mas ainda sem materialização. O mercado está aberto e os requisitos estão definidos”, explicou Manjata, sinalizando que o desafio passa agora da intenção à execução.

A responsável destacou ainda o contexto favorável à cooperação sino-angolana, apontando para a forte presença de cidadãos e empresas chinesas em Angola, bem como para as oportunidades ainda inexploradas no sector segurador. Neste quadro, a aproximação ao ecossistema financeiro chinês surge como uma via estratégica para acelerar o desenvolvimento do mercado local.

O acordo contempla igualmente mecanismos de “regulamentação e supervisão assistida”, um instrumento que poderá facilitar a transferência de conhecimento e elevar os padrões de supervisão em Angola. Segundo Manjata, trata-se de uma oportunidade para beneficiar da experiência de Macau, considerada mais avançada nestas matérias.

Para além do impacto ao nível do investimento, o protocolo deverá contribuir para o reforço dos mecanismos de protecção dos consumidores, numa altura em que o sector procura ganhar escala e confiança junto da população.

A cooperação entre Macau e os países lusófonos remonta a 2003, quando a China posicionou a região como plataforma estratégica para o aprofundamento das relações económicas e comerciais com a lusofonia – um papel que este novo acordo vem, agora, reforçar no domínio financeiro e segurador.

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