África enfrenta défice de financiamento ao desenvolvimento superior a 400 mil milhões de dólares por ano – BAD

África enfrenta um défice estrutural de financiamento ao desenvolvimento superior a 400 mil milhões de dólares por ano, aponta o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD). De acordo com a instituição financeira, este défice não reflecte uma falta de capital, uma vez que o continente detém aproximadamente 4 biliões de dólares em poupanças internas de longo…
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Banco Africano de Desenvolvimento diz que este défice não reflecte uma falta de capital, uma vez que o continente detém aproximadamente 4 biliões de dólares em poupanças internas de longo prazo.
Economia

África enfrenta um défice estrutural de financiamento ao desenvolvimento superior a 400 mil milhões de dólares por ano, aponta o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).

De acordo com a instituição financeira, este défice não reflecte uma falta de capital, uma vez que o continente detém aproximadamente 4 biliões de dólares em poupanças internas de longo prazo.

“Em vez disso, revela profundas limitações estruturais, incluindo fragmentação institucional, alocação ineficiente do risco, baixa alavancagem do balanço e coordenação insuficiente entre o capital público e privado”, lê-se numa nota do BAD.

Entretanto, o Banco Africano de Desenvolvimento vai organizar um diálogo consultivo sobre a Nova Arquitectura Financeira Africana (NAFA) no dia 09 de Abril deste mês, em Abidjan, na Costa do Marfim.

O evento decorrerá sob o alto patrocínio do Presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, e será liderado pelo presidente do Banco Africano de Desenvolvimento, Sidi Ould Tah.

Segundo uma nota do BAD, entre os participantes estarão governadores de bancos centrais africanos, altos executivos de fundos soberanos, bancos regionais e comerciais, bancos nacionais de desenvolvimento e instituições de financiamento ao desenvolvimento, bem como líderes de bolsas de valores, instituições do mercado de capitais e autoridades reguladoras.

O diálogo reunirá também representantes de agências de rating, fundos de pensões, fundos de depósito e consignação, empresas de capital privado e de capital de risco, instituições de garantia, companhias de seguros e resseguros, e empresas de assessoria e consultoria.

Esta participação ampla e representativa reflecte a natureza sistémica do desafio de financiamento que o diálogo procura abordar. A Nova Arquitectura Financeira Africana, defendida pelo Banco Africano de Desenvolvimento, tem as suas raízes na visão estratégica do Ould Tah, conhecida como os Quatro Pontos Cardeais.

Ould Tah propõe um quadro sistémico destinado a reorganizar a forma como o capital e o risco são distribuídos pelo ecossistema financeiro africano. O diálogo constituirá a primeira reunião continental do ecossistema financeiro africano sob uma arquitetura única e coordenada, marcando um ponto de viragem decisivo, passando da fase de consulta para a execução, e do diagnóstico para a implementação.

O encontro de Abidjan procura dar continuidade às consultas anteriores realizadas pelo Ould Tah com vários grupos institucionais no âmbito do ecossistema financeiro africano, desde Outubro de 2025.

Centrar-se-á no avanço de instrumentos concretos, plataformas, transações-piloto e uma arquitetura de implementação permanente, e culminará na adopção de um ‘Consenso de Abidjan’.

O diálogo será estruturado em torno de nove Laboratórios temáticos, organizados à volta de três pilares: arquitectura do sistema, mobilização de capital e alocação de capital. Cada Laboratório foi concebido para produzir um instrumento, plataforma ou quadro concreto.

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