O impacto da pandemia da Covid-19 afectou a evolução da indústria petrolífera no mundo. Só em 2020, a procura por petróleo a nível global diminuiu cerca de 9,3%, enquanto a do gás natural reduziu na ordem dos 2,3%, de acordo com a consultora Ernest Young.
Entretanto, falando em entrevista à FORBES, à margem do Fórum Luanda Oil & Gas and Renewable Energy – Conferência e Exposição, que arrancou nesta Quarta-feira na capital angolana e se estenderá até na Sexta-feira, 29, Carlos Basto, office managing partner da Ernest Young, refere que a partir do terceiro trimestre do ano em curso começou-se a notar, não só sinais de crescimento da procura, como também de subida dos preços da commodities e dos lucros, “o que está a permitir valorizar as acções do sector”.
Porém, apesar destes serem sinais positivos, o consultor enfatiza que ocorrem num momento em que dois temas dominam a agenda das políticas públicas internacionais, concretamente as alterações climáticas e a transição energética, factores que na sua óptica abrem mais incertezas sobre o sector.
A espectativa, diz o especialista, de que estes temas proporcionem aos decisores de política pública o acesso a informação relevante sobre as tendências e estratégias do sector e, aos gestores das empresas privadas, melhor entendimento das oportunidades que serão dadas para continuar a criar valor ou para se estabelecerem num determinado país.
Carlos Bastos lembrou que, com a Covid-19, o compromisso dos governos com políticas “net zero” – um objectivo ambicioso que tem que ver com o corte das emissões indirectas de carbono dos fornecedores a montante até os usuários finais, um feito complexo num mundo no qual as empresas não controlam toda a sua cadeia de valor – cresceu e representa agora 80% das emissões, contra 20% antes da pandemia.
Bastos explica que “net zero” refere-se aos objectivos que as empresas petrolíferas criaram no sentido de conseguirem contrapor e alterar os níveis de emissões de carbono. Segundo avança, o número global de empresas petrolíferas que prometem atingir metas “net zero” aumentou de 500, até há bem pouco tempo, para mais 3.000 .
O office managing partner da Ernest Young afirma que para muitas empresas do sector petrolífero a estratégia para os próximos anos passa por conjugar novos investimentos em upstream e downstream, ou seja, passa pela pesquisa e distribuição de petróleo, no sentido de darem respostas a uma procura global crescente, com a diversificação dos seus negócios para o sector das energias renováveis.
No que tem que ver com Angola, em particular, Carlos Bastos defende que um dos drivers fundamentais para o desenvolvimento do sector petrolífero e da economia passa pela a aposta contínua do Estado na criação de condições de competitividade e de atractividade de investimento estrangeiro.





