Alto Comando Militar indisponível para receber missão da CPLP à Guiné-Bissau após declarações de Xanana Gusmão

A missão da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), prevista para o próximo dia 18 de Fevereiro na Guiné-Bissau, foi cancelada na sequência de declarações do primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, que classificou o país como um “Estado falhado”. As declarações foram feitas à imprensa numa altura em que uma delegação da CPLP se preparava para se deslocar à…
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Em reacção, o Alto Comando Militar da Guiné-Bissau manifestou indignação, afirmando que não se deixaria humilhar publicamente por um Estado-membro da CPLP, organização da qual o país é um dos fundadores.
Política

A missão da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), prevista para o próximo dia 18 de Fevereiro na Guiné-Bissau, foi cancelada na sequência de declarações do primeiro-ministro de Timor-LesteXanana Gusmão, que classificou o país como um “Estado falhado”.

As declarações foram feitas à imprensa numa altura em que uma delegação da CPLP se preparava para se deslocar à Guiné-Bissau, com o objectivo de apoiar um processo de mediação.

Em reacção, o Alto Comando Militar da Guiné-Bissau manifestou indignação, afirmando que não se deixaria humilhar publicamente por um Estado-membro da CPLP, organização da qual o país é um dos fundadores.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e das Comunidades, João Bernardo do Vieira, considerou que as declarações de Xanana Gusmão revelam “uma profunda falta de dignidade, postura política e moral para avaliar a realidade institucional do nosso Estado”, acrescentando que, nessas circunstâncias, a delegação não seria recebida no país.

Por sua vez, o porta-voz do Alto Comando, Fernando Vaz, declarou à imprensa que não foi recebida qualquer correspondência formal relativa à missão, tendo o conhecimento da mesma ocorrido apenas através das redes sociais, o que classificou como uma via imprópria para comunicações institucionais.

Em declarações adicionais, o porta-voz criticou igualmente o perfil político de Xanana Gusmão. Na sequência da troca de declarações, Timor-Leste anunciou o cancelamento da missão à Guiné-Bissau.

Recorde-se que a Guiné-Bissau havia anteriormente suspendido a sua participação nas atividades da CPLP, alegando a necessidade de reposição e cumprimento dos estatutos da organização, decisão que antecedeu a suspensão aplicada pela própria CPLP ao país.

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