Alumínio rende 595 milhões de euros a Moçambique no primeiro semestre de 2025

As receitas de exportação de alumínio de Moçambique – totalmente dependentes da actividade da fundição Mozal – atingiram 595 milhões de euros no primeiro semestre de 2025, um crescimento expressivo face aos 406,1 milhões de euros registados no mesmo período de 2024. De acordo com o mais recente relatório do Banco de Moçambique, o aumento…
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De acordo com dados do Banco de Moçambique, a maior indústria do país – a Mozal – elevou as exportações no primeiro semestre de 2025, mas negociações sobre tarifas de energia ameaçam suspender a actividade da fundição.
Economia

As receitas de exportação de alumínio de Moçambique – totalmente dependentes da actividade da fundição Mozal – atingiram 595 milhões de euros no primeiro semestre de 2025, um crescimento expressivo face aos 406,1 milhões de euros registados no mesmo período de 2024.

De acordo com o mais recente relatório do Banco de Moçambique, o aumento foi impulsionado simultaneamente pela valorização do preço internacional do alumínio e pelo crescimento do volume exportado, composto essencialmente por barras de alumínio produzidas pela Mozal, considerada a maior unidade industrial do país.

Os dados, que abrangem o período entre Janeiro e Junho do ano passado, evidenciam a forte dependência das exportações moçambicanas desta única operação industrial, num momento em que a fundição enfrenta incerteza quanto à continuidade da sua actividade.

O Fundo Monetário Internacional alertou que a anunciada suspensão da actividade da Mozal – uma das maiores fundições de alumínio de África – representa um risco significativo para a economia moçambicana. A avaliação consta de um relatório sobre as consultas regulares à economia do país, aprovado a 13 de Fevereiro.

Segundo o FMI, as perspectivas económicas de Moçambique enfrentam actualmente riscos “fortemente negativos”, sendo a situação da Mozal apontada como um dos factores críticos, dado que a empresa representa cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

O impasse resulta das negociações em curso entre a empresa e as autoridades moçambicanas relativamente às tarifas de electricidade de um novo contrato de fornecimento energético, um elemento estrutural para a viabilidade da fundição, cuja produção é altamente intensiva em energia.

Também a Organização dos Trabalhadores de Moçambique – Central Sindical alertou para o impacto económico e social da eventual suspensão da actividade. O secretário-geral da central sindical, Damião Simango, classificou o cenário como um potencial “terramoto” para a economia nacional.

O dirigente sindical referiu que a empresa contribui significativamente para o PIB, impulsiona as exportações do país e sustenta milhares de postos de trabalho directos e indirectos, desempenhando um papel central na estrutura produtiva moçambicana.

O alerta surge depois de a Mozal ter comunicado ao comité sindical a intenção de avançar com um despedimento colectivo, no contexto da suspensão da actividade prevista para 15 de Março, caso não seja alcançado um entendimento sobre o custo da energia que alimenta a unidade industrial.

A situação da Mozal evidencia uma das fragilidades estruturais da economia moçambicana: a forte concentração das exportações em poucos grandes projectos industriais. A fundição de alumínio tem sido, desde a sua entrada em operação, um dos pilares das exportações do país e um dos maiores contribuintes para o PIB.

A eventual suspensão da actividade poderá ter efeitos em cadeia na balança comercial, nas receitas fiscais e no mercado de trabalho, sublinhando a necessidade de diversificação da base industrial e exportadora de Moçambique.

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