A presença de investidores estruturados no sector automóvel demonstra que Angola começa a ser encarada não apenas como um mercado de venda imediata, mas como um espaço de construção de marca, parcerias sustentáveis e crescimento a médio e longo prazo.
Esta posição é defendida pelo empresário Ariclenes de Matos, que considera que o mercado automóvel angolano atravessa uma fase de transformação significativa, marcada pela elevação dos padrões de qualidade, tecnologia e segurança, impulsionada pela entrada de novas marcas e pelo reposicionamento das já existentes.
O empresário do sector automóvel falava à margem do Lançamento oficial da Soueast, submarca da Jetour, com os modelos SUV Soueast S09 e S07.
Ariclenes de Matos sublinhou que, durante muito tempo, o sector esteve limitado a uma oferta polarizada entre viaturas excessivamente básicas e modelos com preços elevados que nem sempre correspondiam ao valor entregue ao consumidor.
“Durante anos houve muita desconfiança em relação a algumas marcas, sobretudo chinesas, porque o mercado angolano já assistiu a promessas que não se sustentaram no tempo. Essa realidade criou reservas naturais em quem conhece o sector por dentro”, sustentou.
Segundo o empresário, a mudança de percepção começou a consolidar-se com a introdução de modelos que demonstraram, na prática, ganhos claros em termos de robustez, tecnologia embarcada, conforto e segurança.
Ariclenes de Matos sustenta estes factores representam um ponto de viragem no comportamento do mercado, indicando que a introdução de soluções mais competitivas força uma reacção em cadeia no sector, obrigando outras marcas a reverem estratégias, melhorarem especificações técnicas e justificarem de forma mais clara os seus preços.
“Quando uma marca entra com uma proposta consistente, não é apenas uma questão comercial. Ela redefine o nível de exigência do mercado. Isso beneficia directamente o consumidor e contribui para a maturidade do sector”, frisou.
Destacou ainda que a modernização do parque automóvel nacional não se resume ao consumo, mas passa também pela eficiência tecnológica, durabilidade dos veículos e incorporação de sistemas de segurança activa e passiva, aspectos que têm impacto directo na mobilidade urbana e na segurança rodoviária.
“O sinal é claro: Angola é um mercado exigente, mas com enorme potencial para quem entra com estratégia, compromisso e respeito pelo consumidor”, referiu.
O responsável garante que a presença tem contribuído para um debate mais qualificado sobre a evolução do mercado automóvel, reforçando a necessidade de padrões mais elevados e de uma concorrência orientada para a qualidade e inovação.
Uma das figuras influentes de Angola em 2025
O gestor angolano Ariclenes de Matos foi distinguido como uma das figuras influentes de Angola em 2025, o que, segundo sublinhou, representa, acima de tudo, uma responsabilidade acrescida na promoção do emprego e da formalização económica, sectores que considera centrais para o desenvolvimento sustentável do país.
O reconhecimento foi feito na 4.ª edição dos Prémios Jovens do Musseke, cuja cerimónia decorreu, em Luanda. Ariclenes de Matos explicou que o reconhecimento resulta de um percurso empresarial orientado para a criação de valor económico real, fora da esfera política, mas directamente ligado aos principais desafios sociais do país.
Segundo o empresário, a sua actuação empresarial tem privilegiado a transição de actividades do sector informal para a economia formal, com impactos directos na geração de emprego, estabilidade laboral e alargamento da base fiscal.
“O desemprego jovem não se resolve apenas com discursos, mas com modelos práticos de criação de valor económico”, sublinhou.
Fundador e CEO da D’Matos Capital, Ariclenes de Matos desenvolve actividade em sectores como a higienização profissional, comércio automóvel e imobiliário.
Neste último domínio, destacou os projectos de habitação de custo acessível, com enfoque em soluções construtivas adaptadas à realidade local, visando facilitar o acesso à primeira habitação, sobretudo para jovens.
Ariclenes de Matos salientou ainda que o empreendedorismo deve ser encarado como uma ferramenta complementar de política económica, alinhada às necessidades reais do mercado interno.
No seu entender, muitos jovens falham não por falta de talento, mas por estarem desligados da economia real.
“Quando o negócio responde a problemas concretos, como habitação, serviços, mobilidade ou higiene, ele gera emprego e rendimento de forma natural”, explicou.




