Angola diversifica matriz energética e expande participação de energias renováveis

O ministro angolano da Energia e Águas, João Baptista Borges, destacou, este Domingo, em Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos), que Angola está empenhada em diversificar a sua matriz energética e expandir a participação de energias renováveis. Ao intervir na décima sexta Assembleia da Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA), que termina esta Segunda-feira, no…
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Ministro João Baptista Borges diz que o processo da transição energética constitui papel central e estratégico na produção de electricidade, considerada a espinha dorsal do sistema eléctrico nacional.
Economia

O ministro angolano da Energia e Águas, João Baptista Borges, destacou, este Domingo, em Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos), que Angola está empenhada em diversificar a sua matriz energética e expandir a participação de energias renováveis.

Ao intervir na décima sexta Assembleia da Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA), que termina esta Segunda-feira, no quadro da Semana da Sustentabilidade, João Baptista Borges disse que o processo da transição energética constitui papel central e estratégico na produção de electricidade, considerada a espinha dorsal do sistema eléctrico nacional.

De acordo com o ministro da Energia e Águas, as grandes centrais hidroeléctricas asseguram energia de base limpa e fiável, que promove a estabilidade do sistema nacional e permite a integração eficiente de fontes renováveis variáveis, como a energia solar.

Acrescentou que a energia solar, em particular, assume um papel cada vez mais estratégico na política energética nacional, tendo em conta o elevado potencial solar do país e a necessidade de acelerar a electrificação, sobretudo das zonas rurais e remotas, em complementaridade com a produção hidroeléctrica.

Destacou a recente inauguração do Parque Solar Fotovoltaico de Cazombo (província do Moxico-Leste), com uma capacidade instalada de 25,4 megawatts e um sistema de armazenamento em baterias de 75,26 megawatts, infra-estrutura autónoma que fornece energia limpa e fiável a cerca de 136 mil pessoas.

Sublinhou que o Governo angolano colocou, recentemente, em operação sete centrais fotovoltaicas de grande escala, com uma capacidade conjunta de cerca de 370 megawatts, de entre as quais se destaca a Central Solar do Biópio, com 188 megawatts de potência, e a da Baía Farta, ambas localizadas na província de Benguela.

Na sua intervenção, assegurou que as energias hídrica e solar em conjunto constituem a base da estratégia nacional de energias renováveis, enfatizando que os aproveitamentos hidroelétricos de Laúca, Cambambe e Capanda, assim como os novos projectos em desenvolvimento, reforçam a segurança energética, reduzem as emissões de gases com efeito de estufa e apoiam a integração energética regional.

João Baptista Borges revelou que outros parques solares e mini-redes solares com armazenamento encontram-se em desenvolvimento para reforçar o compromisso de Angola com o acesso universal à energia eléctrica.

Salientou que, à medida que se desenvolvem os projectos, Angola reafirma o seu compromisso com uma transição energética justa, inclusiva e sustentável, que responda simultaneamente às alterações climáticas, a segurança energética e o desenvolvimento socio-económico.

Manifestou o seu apreço à IRENA pela sua liderança contínua na promoção das energias renováveis a nível global, bem como pelo apoio sustentado aos países em desenvolvimento nos seus processos de transição energética.

A assembleia da organização multilateral, com sede em Abu Dhabi, reúne cerca de mil e 500 personalidades, entre ministros e delegados de alto nível dos 171 Estados-membros da IRENA, directores-gerais, investidores e organizações internacionais, para construir uma agenda compartilhada e prioridades de cooperação de um futuro energético melhor e que a comunidade internacional possa apoiar em 2026.

Sob o lema “Energizando a humanidade: energia renovável para a prosperidade compartilhada”, o encontro debate temas sobre as transições energéticas regionais em facilitadores essenciais como redes eléctricas, planeamento energético, inovação digital e Inteligência Artificial na mobilização de financiamento, combustíveis sustentáveis para aviação e energias renováveis podem impulsionar os sistemas agro-alimentares e a industrialização verde.

Angola participa, esta terça-feira, na reunião da Semana da Sustentabilidade de Abu Dhabi 2026, evento que vai decorrer sob o lema “Lançamento Integrado para o Futuro”, com foco nos sectores da energia, águas, finanças, tecnologia, alimentos e investimentos.

Mais de 70 Chefes de Estado, Primeiros-Ministros e ministros participam anualmente nas actividades da Semana da Sustentabilidade de Abu Dhabi, que atrai mais de 50 mil participantes, representantes de 175 países e mais de três mil e 500 presentes na cerimónia de abertura e no Prémio Zayed de Sustentabilidade.

Assinado contrato de aquisição de energia

À margem da assembleia, foi assinado um contrato de aquisição de energia, envolvendo o Ministério da Energia e Águas, a Rede Nacional de Transporte de Electricidade (RNT) e a empresa MASDAR, na presença de João Baptista Borges e do embaixador de Angola nos Emirados Árabes Unidos, Júlio Maiato.

O acordo estabelece a aquisição de 150 megawatts de energia proveniente do projecto solar fotovoltaico do Quipungo, constituindo o primeiro contrato de obtenção de energia do género em Angola.

A assinatura do contrato enquadra-se na estratégia do Executivo angolano de reforço na aposta em energias renováveis, limpas e ambientalmente sustentáveis.

Actualmente, vários parques solares fotovoltaicos encontram-se em operação em diferentes regiões do país, a par de projectos de natureza hidroeléctrica e outras iniciativas, visando aumentar a disponibilidade de energia eléctrica, em todo o território nacional, e melhorar a taxa de acesso da população ao seu consumo.

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