A captação de investimento nacional e estrangeiro para a exploração e transformação dos recursos minerais constitui uma das principais prioridades da estratégia de Angola para o sector mineiro. Afirmou esta Quarta-feira, em Lisboa, o Presidente do Conselho de Administração da Agência Nacional de Recursos Minerais (ANRM), Jacinto Rocha
A intervenção decorreu durante o painel “Recursos Estratégicos: Angola na Nova Geopolítica Global”, integrado na conferência Doing Business Angola 2026, promovida pelo Jornal Económico e pela Forbes África Lusófona, tendo o gestor defendido uma abordagem abrangente de valorização de toda a riqueza mineral existente no país, sem distinção entre minerais críticos, estratégicos ou convencionais.
“O nosso foco é captar investimentos, sejam nacionais ou estrangeiros, para a exploração e transformação de todos os minerais existentes em Angola, de forma a contribuírem para o desenvolvimento económico do país”, indicou.
Segundo o responsável, Angola não pretende limitar a sua estratégia aos chamados minerais críticos, cuja procura internacional tem aumentado devido à transição energética e tecnológica.
“Não vamos distinguir entre minerais críticos, não críticos, estratégicos ou não estratégicos. Vamos aproveitar todos os recursos minerais que possam contribuir para alcançarmos os nossos objectivos de desenvolvimento”, sustentou.
Entre os recursos que actualmente despertam maior interesse dos investidores, Jacinto Rocha destacou o potencial diamantífero, sublinhando que Angola continua longe de esgotar as suas reservas.
“Os geólogos identificaram cerca de 960 anomalias kimberlíticas em Angola, o que demonstra que o potencial diamantífero do país continua a ser muito significativo”, referiu.
O gestor destacou igualmente o posicionamento geológico privilegiado de Angola, lembrando que o país integra dois importantes corredores cupríferos da África Austral: um associado ao cinturão mineiro que se estende pela República Democrática do Congo e pela Zâmbia e outro localizado no Norte de Angola, onde já existe produção de cobre.
Além dos diamantes e do cobre, o PCA da ANRM apontou o elevado potencial nacional em terras raras, ouro, lítio, rochas ornamentais e minerais pesados, recursos que poderão desempenhar um papel crescente na diversificação da economia e na atracção de investimento privado.
Jacinto Rocha salientou ainda que Angola dispõe de importantes reservas de minerais industriais que, embora menos atractivos para os mercados internacionais, são fundamentais para responder às necessidades da economia nacional e apoiar o processo de industrialização.
“O nosso papel é apresentar aos investidores o conjunto dos recursos de que Angola dispõe e criar condições para que possam ser desenvolvidos”, afirmou.
Questionado sobre o principal factor que determinará a capacidade de Angola transformar o seu potencial mineiro em receitas sustentáveis nos próximos anos, Jacinto Rocha foi peremptório: o capital humano.
Na sua perspectiva, a abundância de recursos naturais, por si só, não garante desenvolvimento económico. Será indispensável formar quadros qualificados capazes de identificar novas ocorrências minerais, planear a sua exploração, gerir os activos mineiros e maximizar o valor acrescentado gerado pelo sector.
Angola procura reforçar o peso da mineração na diversificação da economia, reduzindo a dependência do petróleo e posicionando-se como um dos principais destinos africanos para o investimento na prospecção, exploração e transformação de recursos minerais.





