A intervenção do ministro do Turismo de Angola, Márcio Daniel, no Forbes África Lusófona Annual Summit 2025, surgiu como uma prestação de contas ao setor, aos últimos doze meses de trabalho, acompanhada por um anúncio: “Vamos lançar amanhã as Estatísticas do Turismo para abordar o método de recolha, tratamento e divulgação da informação turística, de forma a nortear quer as decisões de investimento, quer o estudo da resiliência do setor”. A iniciativa, explicou, pretende colmatar uma lacuna histórica na produção de dados fiáveis, essenciais para orientar políticas públicas e captar investimentos estratégicos.
O governante estruturou a sua intervenção em três eixos – “onde estávamos, onde estamos e onde queremos chegar” – começando por lembrar que Angola era, até há poucos anos, “um destino muito desconhecido”. Segundo disse, o país era mais mencionado por motivos que “desincentivavam a visita”, e era necessário contrariar essa perceção. Para isso, o Ministério definiu como prioridade a criação de uma identidade turística capaz de representar o país no exterior. “A nossa estratégia tinha de passar por criar uma identidade em que a marca Angola pudesse ser experimentada, sentida e dada a conhecer aos investidores e aos turistas”, afirmou.
“Visit Angola”: nova marca
Foi neste contexto que surgiu a campanha “Visit Angola, the rhythm of life”. “Era necessário ter uma marca que transmitisse aquilo que nos faz únicos. É o ritmo, a nossa música, o nosso fator de identificação”, explicou. O vídeo promocional, já divulgado internacionalmente e que passou também nesta conferência organizada pela Forbes África Lusófona, ultrapassou os nove milhões de visualizações, sinal de que “o caminho está a ser feito”.
O ministro recordou também o desafio lançado pelo Presidente da República, que pediu ao setor para compreender as razões pelas quais Angola não atrai o número de turistas que deveria. Como que em resposta, foram aprovados vários planos estratégicos pelo Conselho de Ministros angolano, preparando o caminho para a nova fase que o país pretende agora consolidar.
A visibilidade internacional tem vindo a crescer, afirmou Márcio Daniel, sublinhando que, no último ano, Angola foi destacada pelo New York Times entre os 52 destinos a visitar. Mas o grande marco surge em 2026: “Será para nós uma grata honra sermos o host country da maior feira de turismo do mundo, a ITB, que acontece em Berlim”, disse. O ministro confessou que esta distinção chegou mais cedo do que o previsto. “O Pai Natal veio mais cedo”, comentou em tom bem-humorado.
Presença na ITB: o ambicioso salto turístico de Angola
As expectativas quanto ao impacto da ITB foram detalhadas com números. “Se olharmos para os países que foram host countries nos últimos três anos, eles cresceram acima de 50 por cento em termos de procura”, afirmou. Este salto exigirá preparação por parte de Angola, avisou o responsável governativo: “O nosso setor privado tem de estar preparado para o que virá com a ITB. A visibilidade que teremos obriga-nos a prepararmo-nos para aquilo que vem aí”, disse, realçando que o impacto não será apenas turístico: “Também o setor financeiro, os seguros e os produtos bancários terão de acompanhar, porque a procura já está a ser gerada”.
O ministro do turismo referiu ainda que o Orçamento do Estado para 2026 já inclui sinalizações para o turismo, com investimentos previstos em infraestruturas nas principais zonas turísticas. A concretização, afirmou, dependerá da disponibilidade financeira final, mas os primeiros frutos começam a surgir. Entre eles, destacou a assinatura de um memorando de entendimento com a empresa egípcia Arab Constructions para o desenvolvimento de infraestruturas turísticas no Namibe, no Kwanza Sul e numa parte de Luanda. “Com a presença deles e estes investimentos, outros investidores vão chegar”, afirmou com convicção. “É o que perspetivamos para os próximos doze meses”, sublinhou.,
A estratégia governamental, resumiu, tem sido progressiva: criar uma marca, definir planos estratégicos e, agora, atrair investimento em larga escala. O passo seguinte passará por parcerias público-privadas. “Fazemos as infraestruturas e os privados desenvolvem a indústria da hospitalidade”, explicou.
Com uma nova identidade turística, novos instrumentos de recolha de dados e uma exposição internacional inédita, Angola quer preparar-se para uma fase de crescimento acelerado. O ministro deixou claro que o país quer estar pronto para aproveitar cada oportunidade dessa transformação.





