Angola mobiliza mais de 700 milhões USD para acelerar expansão escolar e reforçar capital humano

O Presidente angolano, João Lourenço, anunciou esta Sexta-feira, 29, em Luanda, que o Governo destinou este ano 199 milhões de euros (cerca de 232 milhões de dólares) para reduzir o défice de escolas do ensino de base nas províncias de Luanda e Icolo e Bengo. Além disso, serão mobilizados 500 milhões de dólares adicionais para…
ebenhack/AP
Com milhares de crianças fora do sistema de ensino, João Lourenço anuncia novos investimentos em infra-estruturas, professores e bolsas internacionais, mas admite desafios estruturais que limitam o futuro do país.
Economia

O Presidente angolano, João Lourenço, anunciou esta Sexta-feira, 29, em Luanda, que o Governo destinou este ano 199 milhões de euros (cerca de 232 milhões de dólares) para reduzir o défice de escolas do ensino de base nas províncias de Luanda e Icolo e Bengo. Além disso, serão mobilizados 500 milhões de dólares adicionais para a construção de novas escolas em todo o país nos próximos dois anos, numa tentativa de inverter o quadro de exclusão de milhares de crianças do sistema educativo.

O investimento não se restringe à infra-estrutura. Inclui também formação e contratação de professores, reabilitação de instalações e reforço do Ensino Técnico-Profissional, considerado essencial para alinhar competências com as necessidades do mercado de trabalho.

Apesar dos avanços — como a redução da taxa de analfabetismo de 85% antes da independência para 24% em 2025 — Lourenço reconheceu que Angola ainda enfrenta desafios críticos: a taxa de conclusão do ensino primário não ultrapassa 61%, a escolarização no secundário é de apenas 61% no primeiro ciclo e 35% no segundo, e o ensino superior regista uma taxa bruta de apenas 8%, um dos índices mais baixos da região.

A explosão demográfica e a pressão sobre a rede escolar explicam parte do défice. Para mitigar lacunas, o Governo também reconhece a importância das escolas comunitárias e religiosas na cobertura educativa. Paralelamente, o Executivo reforça a aposta em bolsas de estudo internacionais. Entre 2020 e 2024, 823 licenciados e mestres angolanos com mérito académico foram enviados para universidades de referência mundial, ao abrigo de um programa que prevê 300 bolsas anuais.

João Lourenço defendeu que o fortalecimento do capital humano é “o principal motor do crescimento económico, da inovação e da coesão social”, e sublinhou a necessidade de maior colaboração entre Governo, academia, sociedade civil e sector privado.

A diáspora, disse, deve também assumir-se como parte integrante da estratégia nacional de desenvolvimento, contribuindo com conhecimento, tecnologia e redes internacionais. “Angola precisa de vós! A vossa experiência, o vosso saber e o vosso compromisso, são parte essencial da nossa estratégia de desenvolvimento”, realçou, reconhecendo a diáspora angolana como uma fonte inestimável de conhecimento, de experiência e de divulgação da cultura além-fronteiras.

No entanto, o Presidente alertou que a dependência do petróleo e as vulnerabilidades macroeconómicas continuam a travar a velocidade das reformas. Para alcançar os objectivos de transformação, defendeu a urgência em acelerar a diversificação económica e corrigir o desajuste entre a formação académica e as exigências do mercado de trabalho.

Ao proceder a abertura da 1.ª Conferência sobre o Capital Humano, João Lourenço associou esta agenda à celebração dos 50 anos de independência de Angola, destacando que o país precisa preparar-se para uma nova forma de soberania: “a soberania do conhecimento, da competência e da inovação”.

Mais Artigos