A presença de Zac Bard, Presidente da World Avocado Organisation (WAO), na 3.ª edição do “AAPAbacate” constituiu um dos momentos mais marcantes do encontro e um sinal inequívoco do crescente reconhecimento internacional do potencial de Angola para se afirmar como produtor e exportador relevante de abacate nos mercados globais.
A participação do responsável máximo da principal organização mundial ligada à promoção e desenvolvimento da indústria do abacate surge numa fase em que Angola procura estruturar uma cadeia de valor capaz de transformar as vantagens naturais do país numa oportunidade concreta de diversificação económica e crescimento das exportações agrícolas.
A World Avocado Organisation congrega produtores, exportadores e importadores de diversos continentes e tem desempenhado um papel central na expansão do consumo global de abacate, na abertura de novos mercados e na disseminação de boas práticas ao longo da cadeia internacional de valor. A organização trabalha actualmente com dezenas de operadores e grandes retalhistas em mercados estratégicos da Europa e noutras geografias de elevado potencial de crescimento.
Durante a sua intervenção, Zac Bard sublinhou que o sucesso sustentável da indústria depende da capacidade dos países produtores construírem ecossistemas competitivos, assentes em padrões elevados de qualidade, escala produtiva, eficiência logística e acesso consistente aos mercados internacionais. A sua participação permitiu igualmente aproximar os produtores angolanos das principais tendências que estão a moldar a evolução do sector a nível mundial.
Um dos temas centrais da conferência foi o papel das infra-estruturas logísticas no desenvolvimento da agricultura orientada para a exportação. Neste domínio, o Corredor do Lobito foi apontado como um activo estratégico para o futuro da fileira do abacate em Angola.
Os participantes defenderam que os investimentos em plataformas logísticas, armazenagem e cadeia de frio poderão desempenhar um papel decisivo na ligação das zonas de produção das Terras Altas aos mercados internacionais, reduzindo custos operacionais, encurtando tempos de transporte e aumentando a competitividade dos produtores nacionais.
A melhoria das ligações logísticas é vista como uma condição essencial para converter o potencial agrícola do país numa oferta exportável regular e capaz de cumprir os rigorosos requisitos de qualidade exigidos pelos principais mercados consumidores.

Outro dos destaques do encontro foi a apresentação dos progressos alcançados pelo Cluster do Abacate das Terras Altas de Angola, uma iniciativa que procura promover a articulação entre produtores, investidores, parceiros técnicos e operadores logísticos, através de uma abordagem integrada para o desenvolvimento da fileira.
O projecto pretende criar massa crítica de produção, facilitar o acesso ao conhecimento técnico e ao melhoramento genético, incentivar processos de certificação e estabelecer as bases para um posicionamento competitivo de Angola na cadeia global de valor do abacate.
Para muitos dos participantes, a presença de Zac Bard representa mais do que um gesto institucional. Constitui um sinal de que Angola começa a despertar o interesse das principais organizações internacionais ligadas ao sector e que o país está a ganhar visibilidade como potencial origem de produção para responder ao crescimento da procura mundial.
Mais do que um encontro técnico, a 3.ª edição do AAPAbacate confirmou a importância crescente do abacate na estratégia nacional de diversificação económica. A conjugação de condições edafoclimáticas favoráveis, disponibilidade de terra arável, melhoria das infra-estruturas logísticas e organização progressiva da produção poderá permitir a criação de uma nova cadeia exportadora de elevado valor acrescentado.
Neste contexto, a presença do Presidente da World Avocado Organisation assume um significado simultaneamente simbólico e estratégico: Simbólico, porque valida o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido no sector. Estratégico, porque reforça a percepção de que Angola começa a ser considerada um potencial novo actor numa indústria global em expansão, cada vez mais à procura de origens de produção sustentáveis, competitivas e capazes de responder à crescente procura internacional.




